Aos 43, campeão olímpico Serginho quer parar, mas não pode: “40 famílias dependem de mim”

Yahoo Esportes
<em>Jogando pelo Corinthians/Guarulhos, time formado ano passado, Serginho não pretende parar de jogar tão cedo. (Getty Images)</em>
Jogando pelo Corinthians/Guarulhos, time formado ano passado, Serginho não pretende parar de jogar tão cedo. (Getty Images)

Por Guilherme Costa

Único jogador de vôlei do Brasil a ter quatro medalhas olímpicas, Serginho se aposentou da seleção após o ouro na Rio-2016, mas segue atuando na Superliga. Jogando pelo Corinthians/Guarulhos, time formado ano passado, o líbero não pretende parar de jogar tão cedo. Ele explica que sua imagem ainda é muito importante para a equipe:

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

– Fisicamente eu estou bem, mas estou louco para parar de jogar. Mas eu estou seguindo. Estou jogando bem, me sentindo bem. Eu quero parar logo, mas hoje o projeto do Corinthians Guarulhos depende muito da minha imagem. Por trás do time, são mais de 40 famílias. Se eu parar de jogar, é bem capaz que o vôlei de alto nível acabe ali em Guarulhos. Hoje tenho que ter muita cautela. Não quero parar e que o time pare, querendo ou não, são 40 famílias que dependem de mim – explicou.

A equipe do Corinthians/Guarulhos está na segunda temporada na Superliga masculina. Ano passado, foi eliminado nas quartas de final, após conseguir um lugar entre os oito classificados para os playoffs. Neste ano, o início não foi tão positivo, quatro derrotas em quatro jogos, todos contra times favoritos ao título, e, para Serginho, o objetivo é passar de fase:

– Nossa meta é classificar entre os oito, semi é quase impossível. A diferença de orçamento é gigantesca. Durante o ano não tem como melhorar, não temos dinheiros para contratar. Mesmo se tivesse, não teria material humano. Prefiro investir em um moleque do que trazer um estrangeiro, que não vai resolver o problema. Nossa ideia é essa. A gente sempre que beliscar, atrapalhar os favoritos, mas sabemos que é bem complicado – disse.

Atual campeão da Superliga, o Cruzeiro, é o favorito ao título da competição, ao lado de Taubaté, Sesi-SP e Sesc/RJ. O torneio começou há duas semanas e segue até maio do ano que vem.

Corintiano roxo, o líbero também falou um pouco do time de futebol. A equipe tem 43 pontos no Campeonato Brasileiro, faltando cinco rodadas para o fim, apenas três na frente da linha dos rebaixados:

– Sofro demais, é complicado. Corinthians teve jogos para vencer, mas é o futebol. Como torcedor, vejo que está complicado. O Corinthians está em uma situação que qualquer erro pode prejudicar muito – disse.

<em>Jogando pelo Corinthians/Guarulhos, time formado ano passado, Serginho não pretende parar de jogar tão cedo. (Getty Images)</em>
Jogando pelo Corinthians/Guarulhos, time formado ano passado, Serginho não pretende parar de jogar tão cedo. (Getty Images)

Serginho encerrou seu ciclo na seleção brasileira em 2016, após a medalha de ouro conquistada na Olimpíada do Rio. Foram, ainda, outros três pódios, ouro em Atenas 2004, e prata em Pequim 2008 e Londres 2012. Levantou, ainda, o troféu de dois Campeonatos Mundiais (2002 e 2006), duas Copas do Mundo (2003 e 2007) e sete Ligas Mundiais (2001/03/04/05/06/07/09).

O líbero, que garante que não volta de jeito nenhum para a seleção, elogiou a equipe que foi vice-campeã mundial, em competição encerrada em setembro, mas criticou o uso dos líberos. O técnico Renan Dal Zotto optou por usar dois líberos. Um, Thales, na recepção de saque, e o outro, Maique, para defender, estratégia que não agradou Serginho:

– Eu vou ser sincero, não acho que a seleção deveria ter dois líberos. Líbero tem que passar e defender, isso não é bom para o time, falta volume. Eu não concordo. O Maique foi muito bem na defesa. Falei para ele, precisa passar, vamos passar. Se não o vôlei fica ruim, fica feio. O líbero só defende? Não, tem que passar, tem que organizar, ser o técnico dentro de quadra. Isso não é bom. Eu não concordo em ter dois líberos, um só tem que fazer tudo. Perde muito no volume de jogo – disse.

Eu vou ser sincero, não acho que a seleção deveria ter dois líberos. Líbero tem que passar e defender, isso não é bom para o time, falta volume. Eu não concordo.

Recentemente, o líbero lançou o Instituto Serginho10, que tem a expectativa de abranger até 1000 crianças em Guarulhos, cidade onde o jogador cresceu na modalidade, nos anos 1990.

– A gente é um grão de areia no mar de atletas que podia fazer essas coisas. Nós somos um grão de areia, um monte de atleta que poderia ter feito muita coisa, e não fizeram. Não posso parar de jogar vôlei e ficar lá em casa, sem passar nada para ninguém. A gente tem que passar para a molecada, para eles se tornarem um cidadão de bem – disse.

Leia também
– Juiz prometeu compensar erro com dois pênaltis, diz atacante da Suécia
– Lenda do futebol inglês, Gascoigne é acusado de assédio sexual em trem
– ‘Alô, Leco, é só me ligar’, escreve Thiago Mendes em rede social

Leia também