Ao L!, Lucas Mineiro fala sobre treinamentos com Whindersson Nunes e estrelas: 'Amizade e respeito'

Matheus Costa*
LANCE!


Ex-lutador do UFC, o brasileiro Lucas Mineiro é um dos atletas mais respeitados no cenário nacional das artes marciais mistas. Atleta do Brave Combat Federation, ele também comanda sua academia Capital da Luta, onde treina atletas e famosos.

Em entrevista exclusiva ao LANCE!, Mineiro contou como é a experiência de ser responsável pelo treinamento de nomes famosos como o comediante Whindersson Nunes, o vocalista do CPM 22 Felipe Badauí e a apresentadora Ana Hickmann.

- É uma experiência muito grande poder treinar esses ícones. Não só atletas, mas como o Whindersson Nunes, o Badauí, a Ana Hickmann. Eu e o Caio Franco temos esse feito na academia. O Caio como preparador físico e eu como treinador, um ajudando o outro, então é muito legal vê-los juntos, interagindo com os atletas e com os alunos. Todos se sentem bem e motivados. Na última luta que fiz, consegui levar o MC Guimê e o Whindersson Nunes comigo. Tenho uma amizade e um respeito muito grande por eles - afirmou.

No UFC, Mineiro alcançou um feito inédito, se tornando o primeiro lutador a vencer lutas em três categorias distintas: peso galo, pena e leve. O atleta paulista tem muito orgulho de ter conquistado esta marca, mas conta que não foi nada fácil.

- Ter conseguido este feito no UFC é muito gratificante. Uma história muito gratificante e muito sofrida na categoria do peso galo, de 61 quilos. Perdi 20 quilos, foi um processo muito difícil acompanhado de médicos e nutricionista me ajudando. Eu não aconselho nenhum atleta a fazer isso. Era o início da minha carreira, eu era novo e consegui fazer, mas se eu tivesse perdido essa luta, eu teria desanimado e não teria continuado na categoria. Eu até tentei lutar outras vezes nesta categoria, mas acabava me machucando muito pelo fato de ter pouco nutrientes no corpo. Por isso subi de categoria. Mas foi um feito que conseguimos e ficou gravado na história - confessou.

Mineiro estava marcado para competir no fim de março pelo Brave, mas por conta da pandemia do COVID-19, o evento foi cancelado. O atleta fala sobre a frustração do cancelamento, mas mostra preocupação com a situação do mundo.

- Muito difícil esta situação. Minha luta foi cancelada faltando duas semanas, eu já estava no corte de peso, mas é um acontecimento mundial onde não há o que se fazer. O correto agora é ficarmos dentro de casa e esperar tudo isso passar. Todo atleta está acostumado a fazer treinos em alto nível, de alto rendimento, mas treinar em casa está sendo primordial para a cabeça. Assim, não ficamos parados. O condicionamento físico voltará quando as academias reabrirem, e neste momento, o mais importante é cuidar da cabeça. Foi frustrante sim, mas o essencial agora é fazer o que tem que ser feito para tudo isso passar o mais rápido possível - explicou.

Confira o restante do bate papo com Lucas Mineiro:

Sobre treinar seus atletas durante a pandemia via home office

- Falo com meus alunos e atletas via whatsapp, por telefone, estamos postando vídeos de treinos em nossas redes sociais para motiva-los a treinar em casa e sempre mentalizando de forma positiva. Isso vai passar e logo estaremos juntos. Com certeza é um momento muito difícil para todos, principalmente atletas que vivem da luta, da academia, dando suas aulas. Uma situação delicada. Por isso, há muitos atletas pedindo o retorno das academias. Na academia você encontra saúde e qualidade de vida, eu também concordo. Mas estamos passando por um momento delicado, precisamos ter cautela, respeitar e aguardar as coisas se normalizarem. Não é difícil só para mim, e sim para todos. Uma situação bem complicada. Espero que tudo seja reorganizado brevemente para que todos voltem com seus treinos, suas lutas, aulas. Afinal, é onde tiramos o nosso pão de cada dia. Vamos esperar e orar. -

Sobre a experiência de administrar a academia e a carreira de seus atletas

- Na Chute Boxe, eram apenas alunos meus que se destacavam e eu levava para lá, não tinha tanta obrigação. Hoje, aqui na Capital da Luta, a obrigação é totalmente diferente. No começo foi difícil conciliar os treinos e ser treinador. Antigamente eu só comia, treinava e dormia. Hoje, eu tenho que treinar, deixar meus atletas preparados, treiná-los, fechar lutas... É totalmente diferente, mas é um aprendizado muito grande. Estou no auge da minha carreira, sei que poucos fazem isso e eu sou muito grato por fazer tudo isso em tão pouco tempo -

Sobre o pior corte de peso da sua carreira

- O corte de peso que eu fiz, na verdade, foi acompanhado por médicos, nutólogo e nutricionista. Tirar água na semana da luta passa a ser um pouco complicado, mas é um sacrífico que tem que ser feito para o atleta. Então, tudo o que eu fiz, graças a Deus, acompanhado de grandes profissionais ao meu lado, mas eu não desejo isso para nenhum atleta. Sofrer o que eu sofri para conseguir bater este peso serviu de grande aprendizado para mim para não deixar os meus atletas passarem por isso -

Sobre sua saída do UFC e chegada ao Brave

- Eu fui um dos poucos atletas a deixar o UFC com vitória, um cartel positivo. Mas eu ter chegado ao Brave me abriu outras portas, não só para mim, mas para os meus atletas. Me sinto muito feliz e honrado em estar na organização. Eles me tratam muito bem, com muito carinho e respeito. Já fui campeão dentro do evento, já lutei duas categorias e me sinto muito feliz por lá. Ainda tenho muito a fazer ali dentro. Vou esperar essa pandemia passar e, se Deus quiser, continuar fazendo história no Brave -.

*Estagiário sob supervisão de Tadeu Rocha.


























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