Ao L!, executivo analisa início da carreira, celebra trabalho no Juventude e lamenta queda do Náutico

Ari Barros está livre no mercado (Caio Marques/CNC)


Ari Barros vivenciou muitos momentos marcantes como executivo de futebol. Em entrevista exclusiva ao LANCE!, ele relembrou das dificuldades encontradas no começo da carreira e celebrou todas as conquistas que vem realizando.

- Minha transição não foi nada fácil. Passei minha vida toda jogando futebol. A carreira de jogador passa muito rápida. O gestor administra vários setores e eu senti isso na pele quando assumi o Treze. Não foi nada fácil. Eu senti que precisava estudar, então fui para Europa estudar lá. Me formei no primeiro curso de executivo de futebol pela CBF Academy. Depois desse tempo de estudo, cheguei ao Remo numa situação complicada e conseguimos livrar o clube do rebaixamento. Um feito extraordinário. Em seguida, tive o convite de gerir o Juventude. Eu aprendi muito no sul. Em tão pouco tempo de carreira, Deus tem me abençoado com conquistas. Em dois anos, fomos para oitavas de final da Copa do Brasil duas vezes e revelamos alguns jogadores. O nosso maior feito foi conseguir levar o Juventude da Série C para Série A.

+ MERCADO DA BOLA: Acompanhe as movimentações dos clubes nesta janela de transferências

+ “O 10 perfeito”, “Vida longa ao Rei”: as capas de jornais pelo mundo em homenagem a Pelé

Além de conseguir um acesso para Série A do Brasileirão, Ari Barros também revelou grandes jogadores ao longo de sua passagem pelo Juventude. Nomes como Renato Cajá, Gabriel Poveda e Breno Lopes fizeram parte daquela equipe que conseguiu marcos tão expressivos nos últimos anos.

- São atletas que estavam desacreditados. Tivemos o Renato Cajá, que atualmente é um atleta consagrado e estava desacreditado naquele momento. Ele abraçou a causa e fez gols importantes. Em um feito grande como esse, todos têm participação. O Breno chegou totalmente acanhado e mostrou seus valores, tanto que foi para o Palmeiras, deu resultado e fez gol de título. O Poveda foi artilheiro da Série B neste ano. O atleta precisa de história e conquista para contar para os seus filhos. A vontade dos jogadores acabou sendo um diferencial.

Após um trabalho consolidado no Juventude, Ari decidiu ir ao Nordeste para trabalhar no Náutico. A decisão pegou muitos torcedores de surpresa, mas teve um motivo justo.

- Eu sou nordestino e saí de casa com 14 anos para jogar futebol. Minha mãe estava com câncer terminal e isso estava me incomodando. Ela estava tomando morfina todos os dias. Quando o Náutico me ligou, eu sentei e analisei que estava perto da casa da minha mãe. Então foi o momento que pesou essa decisão de aceitar o desafio de trabalhar no Náutico. Foi um prazer enorme trabalhar nesse grande clube. Infelizmente, com dois meses e meio de Náutico, minha mãe faleceu. Se eu estivesse no Sul, não estaria perto da minha mãe. Meu momento no Juventude era extraordinário, mas foi necessário fazer tudo isso. Não me arrependo.

CONFIRA OUTROS TRECHOS DA ENTREVISTA:

CAMPANHA DO NÁUTICO EM 2021

- Eu lamentei por não termos chegado nas primeiras colocações (Série B). As lesões atrapalharam. A gente podia ter sido mais ousado nas contratações. O Náutico estava muito limitado ali. Nesse momento, eu acho que a gente deveria ter sido agressivo e ido ao mercado para contratar um atacante. Perdemos muitos jogadores importantes. Se fossemos ousados e agressivos no mercado, acho que teríamos conseguido um acesso. Os jogadores estavam muito empenhados. Todos paravam para ver o Náutico jogar. Dava prazer. Era um time agressivo, que tinha um pós-jogo gigantesco e a gente resolvia o jogo com no máximo 20 minutos. Então eu tenho certeza que ficou um gostinho de quero mais, mas essa parte financeira acabou pesando.

REBAIXAMENTO DO NÁUTICO NESTE ANO

- Tudo na vida nós levamos como aprendizado. Com um orçamento reduzido, não tem como fazer um elenco maior. Nós tivemos dez jogadores das categorias de base no elenco. Com Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Estadual, ficou apertado. Jogávamos de dois em dois dias. É muito difícil obter sucesso. Fomos bicampeões do Estadual e chegamos na terceira colocação da Copa do Nordeste. O executivo de futebol é apenas um funcionário. Eu tinha convicções de algumas coisas e contratações que não deveriam ter sido feitas. O futebol sempre será uma incógnita. Quando as convicções penetram, elas devem ser seguidas, mesmo que saiam muito mais cara. Eu tinha minhas convicções e tenho certeza que se tivessem sido ouvidas, Náutico dificilmente teria caído.


SAF NOS CLUBES BRASILEIROS

- É algo novo para nós. Quem adquiriu (SAF), não passou por crise. O Botafogo viveu um momento delicado, mas se firmou por ter mantido Mazucco e Luís Castro. No geral, acho que a saída dos clubes será a SAF. É algo muito profissional. É bom tratar a paixão do torcedor com profissionalismo e responsabilidade. Tem tantos clubes com problemas. Então acho que é a solução. Vai nos dar condição de trabalho e profissionalismo. Acho que esse é o caminho.


PROJEÇÕES PARA 2023

- Houve alguns convites. Alguns clubes nos procuraram. Por uma razão ou outra, acabou não acontecendo. Tudo na vida são escolhas. Eu sou audacioso. Eu quero ir para ganhar. Não quero ir para participar. Eu quero ir para algum lugar que dê condição de trabalho. Uma escolha errada pode comprometer todo meu ano. Então é mais prudente eu aguardar um pouco e estar preparado para uma eventual oportunidade interessante. Enquanto isso, vou estar fazendo cursos, assistindo jogos e me qualificando.