Ao contrário do anunciado, goleiro Bruno ganha matéria objetiva e sem holofotes no Fantástico

Juliana Damasceno

Após uma polêmica entrevista exclusiva dada à ESPN Brasil esta semana – e que suscitou em um sem número de debates Brasil afora -, a Globo preferiu dar à chegada de Bruno ao Boa Esporte uma discreta e objetiva cobertura.

O Fantástico anunciou, ao longo de todo o domingo, uma matéria exclusiva sobre a chegada do goleiro à cidade de Varginha, para ocupar uma vaga no time local. Dizia ter acompanhado os passos do jogador em seus primeiros dias na cidade.

Mas o que se viu, talvez corretamente editado, foi somente uma entrevista com Roberto Moraes, diretor de futebol do Boa Esporte – que é originalmente de Ituiutaba e se mudou para Varginha há seis anos – explicando porque da decisão de contratar um condenado pela justiça pela morte da mãe de seu filho, Elisa Samúdio, cujo corpo nunca sequer foi encontrado.

– Sabíamos que teríamos dificuldades. Mas é um jogador de altíssimo nível.

Questionado pelo repórter sobre “e se a vítima fosse sua filha”, a resposta foi imediata.

– O meu pensamento é: e se o Bruno fosse o seu filho?

O programa dominical acompanhou mais as movimentações da população, que se divide entre indignados e pessoas que concordam em empregá-lo, do que propriamente em seguir o atleta. Mostrou um grupo de feministas protestando no centro da cidade, entrevistou alguns cidadãos de Varginha e gravou Bruno indo almoçar num restaurante próximo do hotel onde está hospedado com algum conforto, acompanhado de dois seguranças.

A matéria também citou os patrocinadores que cancelaram contrato com o clube – entrevistou o diretor da empresa que bancava a maior parte e encerrou tudo, assim que Bruno foi anunciado. A prefeitura, por sua vez, manteve a parceria com o clube – ela empresta o estádio da cidade para sediar os treinos e jogos do Boa. Porém nenhuma das autoridades da cidade quis falar à reportagem do Fantástico: apenas se manifestaram por meio de um comunicado reiterando a “parceria” com o clube.

Não dá para cravar se a direção do programa achou por bem minimizar a participação do goleiro, até para não criar mais polêmicas sobre “dar voz a um condenado pela justiça por um crime bárbaro”. Entretanto, pareceu mais seguro – e talvez mais correto.