Ane Marcelle sonha com medalha, mas antes quer aprender sobre o banheiro da Vila Olímpica

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TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - A competição do tiro com arco na Rio-2016 foi inesquecível para Ane Marcelle dos Santos, 27. O 9º lugar obtido por ela foi histórico. Nunca uma atleta brasileira da modalidade havia chegado às oitavas de final. Mas não foi só por isso.

"Minha família estava me assistindo e, quando ganhei meu primeiro combate, a torcida inteira levantou e gritou meu nome. A gente vai sentir falta disso", disse a arqueira, que chegou a Tóquio na noite de sexta-feira (16), horário do Japão.

Não foi especial apenas por essa razão. Nascida em Maricá (60 km do Rio), Ane Marcelle estava praticamente em casa quando fez sua estreia olímpica. E a competição aconteceu no Sambódromo, onde ela ia assistir aos desfiles do Salgueiro -escola de samba onde foi passista mirim- no Carnaval.

A brasileira venceu a japonesa Saori Nagamine na primeira rodada e depois passou pela australiana Alice Ingley. Em seguida, foi eliminada pela britânica Naomi Folkard.

Cinco anos depois, Ane Marcelle vai para sua segunda participação nos Jogos consciente de que será tudo bem diferente. Não haverá familiares, nem sequer torcedores à vista, graças à proibição do governo japonês por causa da pandemia da Covid-19.

Mas ao chegar à Vila Olímpica, nos arredores da capital, as preocupações imediatas dela eram outras. A principal era descobrir o funcionamento da privada que, no Japão, tem uma série de botões que acionam descarga, bidê, aquecem o assento...

"A vila está bem diferente da Rio-2016. Tudo muito bonito, muito amplo. Os apartamentos estão bem bonitos. Mas a privada está complicada porque está tudo em chinês [japonês]. Depois vou apertar uns botõezinhos para ver o que acontece", disse.

Para o tiro com arco, a falta de barulho significa o retorno ao normal. Os atletas estão habituados ao silêncio, não aos gritos de incentivo. O que aconteceu no Sambódromo carioca foi uma exceção, não a regra.

Foi assim que ela e Marcus D'Almeida, 23, o outro representante brasileiro em Tóquio, disputaram a etapa de Paris da Copa do Mundo. Apenas com o ruído de técnicos e alguns poucos espectadores. Ambos caíram nas oitavas de final.

D'Almeida também vai para a segunda Olimpíada. No Rio, terminou na 34ª posição.

Ao chegarem na semana passada, os dois, que vão disputar as competições individuais e o torneio de duplas mistas, que estreia no programa dos Jogos, aproveitaram a estadia no conjunto de prédios de apartamentos da Vila Olímpica de uma maneira que os atletas que aterrissaram em Tóquio nos dias seguintes não conseguiram.

"A Vila está vazia, não tem ninguém. Mesmo assim, eles [japoneses] são muito metódicos. Não tem ninguém no ponto e o ônibus para mesmo assim. Não tem ninguém na rua e [o motorista] olha para a frente, olha para os lados. Sempre assim", constata D'Almeida.

Disputado na Olimpíada entre 1900 e 1920, o tiro com arco voltou aos Jogos em 1972 com um modelo homogêneo de disputa para englobar um maior número de nações. Até então, havia diferentes regras.

Ane Marcelle e Marcus sabem que não chegam a Tóquio na condição de favoritos a medalha. Isso não significa estarem descrentes. Ele acredita que, se pontuar acima dos 680 na classificação, pode estar na briga pelo pódio.

"É esta a média que estamos fazendo nos treinos", avalia.

Ane Marcelle é mais otimista ainda, mas não nas competições individuais. Ela vê possibilidade real de medalha nas duplas mistas. Cada país terá apenas uma dupla de competidores, o que aumenta as possibilidades de um resultado inédito para o Brasil na modalidade, acredita a arqueira.

No Pan-Americano, disputado no México em março deste ano, eles ficaram com o ouro.

"A gente está com muita fé nas duplas mistas. É a primeira vez que vai ter. Nosso rendimento está muito bom. A gente quer muito essa medalha olímpica. É a disputa em que estou mais confiante e podemos ter este resultado inédito", acredita Ane Marcelle, que coloca a dupla sul-coreana como maior adversária.

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