André conta como saiu de pequena cidade na Bahia para o Fluminense

André é um dos destaques da ótima campanha do Fluminense no Maracanã (Foto: Ricardo Moreira/Getty Images)
André é um dos destaques da ótima campanha do Fluminense no Maracanã (Foto: Ricardo Moreira/Getty Images)

Revelação do Fluminense, André se tornou um dos principais jogadores do país jogando pelo clube. Não à toa, figura na seleção ideal Bola de Prata do Campeonato Brasileiro. O baiano da pequena cidade de Algodão, que possui pouco mais de 12 mil habitantes, agora joga para 50 mil pessoas assistirem quando o Maracanã está lotado.

O volante mostra enorme personalidade em campo, alia técnica com a bola a um alto poder de marcação. Ele diz não acreditar em sorte na entrevista que concede ao Yahoo Esportes, e sim no esforço durante o processo. Desde que disputou um pequeno torneio na Bahia como atacante, muita coisa mudou, como ele mesmo recorda.

"Em 2013, disputei pelo Bahia um campeonato em Bom Jesus da Lapa, onde era atacante e fui artilheiro. Ali fui visto por olheiros que trouxeram para o Fluminense. Antes disso, na minha região, era tudo muito na base da brincadeira, da diversão com os amigos", relembra André. "Um lugar muito pequeno, simples. Mas eu ia para Salvador com certa regularidade, uma cidade grande que já estava acostumado, tenho parentes lá. Isso também facilitou a minha ida para as categorias de base do Bahia."

A vinda para o Rio na adolescência foi acompanhada de cinco garotos, que ficaram em uma casa em Xerém (bairro no Rio de Janeiro em que o Fluminense possui um Centro de Treinamento) sob os cuidados da mãe de um dos meninos. "As maiores dificuldades sempre estão ligadas ao distanciamento da família, principalmente com a pouca idade do início da carreira. Se adaptar a tudo isso, outra cidade, sempre é uma grande dificuldade, dá um pouco de medo por todos esses motivos. Mas sempre com o objetivo maior na cabeça".

Para alcançar seu sonho, o camisa 7 contou com o apoio incondicional da família, mas cita a maturidade necessária a ser adquirida ainda quando jovem.

"A família é sempre a nossa base. Todos me apoiaram e acreditaram no meu sonho. Pode parecer bobagem, mas nem todo mundo tem o apoio da família. É uma criança que vai pro mundo, praticamente sozinha, em busca de um sonho que só é alcançado por um percentual muito pequeno dos garotos. Também não é fácil para os pais tomarem essa decisão. Mas Graças a Deus deu tudo certo", diz o volante do Fluminense

Pelas palavras de André, é nítido que não foi nada fácil. Mas o que também é cristalino, é que tudo valeu a pena, e seu sonho foi realizado. Recentemente, o volante completou 100 jogos com a camisa do Flu, com apenas 21 anos. Tendo em vista seu enorme talento, ele pode chegar ainda mais longe, mas o jogador diz que não tem pressa pra atuar no exterior.

"Sempre uma honra completar marcas expressivas com a camisa do Fluminense, eu estou sempre focado em fazer o melhor no meu dia a dia para que as coisas aconteçam. Eu não acredito muito em sorte, acho que as coisas acontecem no tempo certo", conta o jogador. "Todo mundo, em qualquer profissão, quer evoluir e estar no topo, com o jogador de futebol não é diferente. Sou muito novo ainda, tenho tempo para evoluir com calma e chegar aos grandes clubes europeus."

Mentoria de Diniz

André tem encantado pela maturidade mostrada em campo com a pouca idade, por seu refinamento técnico e enorme senso defensivo, capaz de proteger a meta de seu time com a mesma potência em que ataca. A filosofia de jogo de Fernando Diniz, de controlar as partidas com posse de bola e priorização de recursos de habilidade impulsionou o futebol do atleta, como ele mesmo descreve.

"O Fernando Diniz é mais que um técnico, é um cara que levanta o moral dos atletas, que pensa em cada um, na evolução do jogo e das pessoas", diz o atleta. "Eu já vinha de uma evolução natural da idade, de maturidade, mas sem dúvidas ele também tem papel importante nesse processo. O estilo de jogo dele também faz com que eu participe mais do processo de construção da nossa equipe."

Favoritos

Até o momento na carreira, o gol contra o Flamengo no clássico disputado na Neo Química Arena, que deu a vitória ao Flu nos acréscimos da partida, é o favorito de André. Sobre suas referências de jogador, ele diz que admira muito o francês Kanté, do Chelsea, e o espanhol Busquets, do Barcelona. Quando não está pensando e praticando futebol, suas atividades preferidas são ler e jogar videogame.