Andrés agora diz que há atraso do Corinthians com a Caixa

ALEX SABINO E LUCIANO TRINDADE
Folhapress
SÃO PAULO (SP), 13.09.2019 - Futebol / Entrevista Coletiva - O presidente do Corinthians Andrés Sanchez, concede entrevista coletiva no CT Dr Joaquim Grava, nesta sexta-feira (13). (Foto: Peter Leone/Ofotográfico/Folhapress)
SÃO PAULO (SP), 13.09.2019 - Futebol / Entrevista Coletiva - O presidente do Corinthians Andrés Sanchez, concede entrevista coletiva no CT Dr Joaquim Grava, nesta sexta-feira (13). (Foto: Peter Leone/Ofotográfico/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, confirmou, nesta sexta-feira (13), que os pagamentos das parcelas do estádio do clube em Itaquera estão em atraso com a Caixa Econômica Federal. O dirigente diz não haver chance de a instituição financeira assumir o controle da arena.

"O Corinthians nunca negou a dívida, nunca deixou de pagar. Tinha um acordo com a Caixa, [no qual] quatro meses pagava menos, e oito mais. Estamos cumprindo. Se for esse acordo, devemos dois meses. Se for o outro, é desde abril", afirmou Sanchez.

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O presidente corintiano contradiz a nota divulgada pelo próprio clube em seu site oficial, na quinta-feira (12). "Os compromissos vinham sendo honrados, como se os termos do acordo preliminar estivessem vigendo", diz o texto.

O comunicado foi emitido após a agremiação receber uma notificação judicial da Caixa Econômica Federal informando a execução de uma dívida pela obra do Itaquerão. A instituição não confirma o valor. Segundo o presidente corintiano há uma divergência. A Caixa alega serem R$ 520 milhões. Para o clube, são R$ 470 milhões.

O banco alega que clube não está cumprindo os termos do contrato de financiamento para a construção da arena utilizada na abertura da Copa do Mundo de 2014.

O empréstimo foi feito pelo BNDES, mas repassado ao clube paulista pela Caixa. A previsão era que a dívida seria quitada até 2028.

O contrato vigente prevê 12 pagamentos mensais por ano de R$ 6 milhões. Em 2018, o Corinthians propôs um novo fluxo de pagamento da dívida, com parcelas menores, de R$ 2,5 milhões, de novembro a fevereiro. Enquanto negociava, o clube passou a pagar as mensalidades com o cenário previsto no novo acordo, que não foi aceito pela Caixa, com desconto nos quatro meses.

O presidente do Corinthians afirmou não temer perder o controle do estádio. "Não vamos perder estádio, não deixamos de pagar, não vão tomar nada".

A reportagem apurou que o empréstimo tem quatro garantias oferecidas por Corinthians e Odebrecht Participações e investimentos (OPI), cotistas do fundo responsável pela Arena. A primeira é apoiada no patrimônio da OPI, companhia que pertence à holding da Odebrecht, esta em recuperação judicial —razão pela qual a grantia não é mais válida. As três seguintes são de responsabilidade do clube. Pela ordem: as receitas do estádio, as cotas do fundo que administra o Itaquerão e a hipoteca do Parque São Jorge.

"Como em qualquer caso, estamos 100% abertos para uma renegociação. Se houver uma discussão de novo, podemos interromper a execução", afirmou à Folha o presidente do banco estatal, Pedro Guimarães.

Em agosto, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez uma brincadeira antes de uma partida do clube alvinegro contra o Palmeiras, na arena. Não ocasião, ele disse que tomaria o estádio em Itaquera em caso de derrota da equipe palmeirense.

"Não teremos feijoada hoje à noite. A porcada vai tá feliz hoje à noite, tenho certeza disso. Se der o contrário, é bom não zoar, senão posso pegar o Itaquerão pra nós. Falou? É brincadeira", afirmou Bolsonaro, torcedor palmeirense.

"Não quero acreditar em perseguição política, são pessoas sérias, é uma Caixa", afirmou Andrés Sanchez.

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