Anderson Silva explica naturalização e rebate haters: 'Estou abismado'

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O ex-campeão dos médios do UFC Anderson Spider Silva foi alvo de ataque de haters após obter dupla cidadania (Getty Images)
O ex-campeão dos médios do UFC Anderson Spider Silva foi alvo de ataque de haters após obter dupla cidadania (Getty Images)

Anderson “Spider” Silva, 44, se diz “abismado” após ser atacado por “haters” nas mídias sociais depois que foi divulgado que obteve a cidadania americana. Mas, em entrevista exclusiva ao Yahoo, o ex-campeão dos médios do UFC não perde tempo em ressaltar que manteve a cidadania brasileira e que, no octógono, continuará defendendo as cores do Brasil.

O lutador também detalha seu futuro no UFC, e seus planos para o futuro.

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Leia, a seguir, a íntegra da entrevista:

Yahoo: Por que tomou a decisão de se naturalizar?

Anderson Silva: Estou aqui [nos EUA] há mais de 10 anos e como qualquer outra pessoa que tem essa oportunidade, não vi problema algum em obter a dupla cidadania, meus filhos cresceram aqui, aprenderam a língua, estudaram aqui.

Qual as vantagens práticas ao obter a cidadania americana?

Se tenho o direito de ter a dupla cidadania, por que iria negar? Tenho minhas empresas aqui, e é uma situação muito melhor se tenho a cidadania brasileira. Estou com vários projetos, incluindo um estúdio para o qual consegui investidores, também estou pensando em um filme. Minha ideia, e isso é resultado da naturalização, é empregar brasileiros que estejam em situação legal aqui nos Estados Unidos. Aqui há oportunidades que não existem para o atleta de MMA e, hmm, até de outras modalidades.

O que achou da reação do público nas mídias sociais?

Muita gente pegou pesado. Muita gente tem dupla cidadania e não é agredido da forma que eu fui, como os jogadores de futebol [que geralmente obtém a dupla cidadania para não ‘estourar’ o limite de estrangeiros]. Claro que minha família ficou triste ao ver esses comentários. Fui chamado de traidor, renegado, coisas do tipo. Fico abismado porque as pessoas não sabem absolutmente nada [sobre uma situação] e querem impor suas opiniões como verdade absoluta, apontam o dedo, fazem acusações. Todo dia acordo às 6h, passo uma hora na freeway, em algumas reuniões ouço sim, em outras ouço não. Muita gente acha que foi fácil, têm memória curta, não sabem o quanto eu ralei, insisti. É bem triste essa situação, mas até entendo, não tem jeito de mudar a cabeça de quem, até pela incompetência, só pensa em agredir.

Mas por que acha que houve essa reação negativa?

Sou uma pessoa que diz o que pensa, muita gente não gosta disso. Até respondi a um rapaz que, ‘cara, infelizmente não tem como agradar todo mundo’. Acho que incomoda o fato de eu ser uma pessoa que saiu do nada e, às custas de muito trabalho, ter vencido na vida. Estou com 44 anos, poderia ter desistido, mas não. Não sou mais campeão, mas acho que ainda continuo com um alvo nas costas. Parte da mídia também divulgou a naturalização de forma sensacionalista, pegam algo que era para ser positivo, e transformam em algo negativo. Infelizmente tem muita gente que torce contra.

Por falar em UFC, quem você irá representar no octógono de agora em diante?

De forma alguma vou representar os Estados Unidos quando estiver lutando, o que não quer dizer que não respeito o lugar onde vivo e sempre darei meu obrigado pela oportunidade de estar aqui. Claro que vou continuar representando o Brasil, até porque ainda tenho minhas coisas aí, pago impostos aí também. Meu pai, minhã mãe, ainda moram aí. Faço muita coisa aí no Brasil, que nem quero que seja divulgado, em termos de ajuda a pessoas que realmente merecem.

Até quando pretende continuar lutando?

Tenho mais duas lutas no contrato, tenho marcada uma cirurgia no joelho, então acho que acabo de cumprir o contrato em 2020. Essa coisa de lutar é algo que já está ficando no passado para mim, está surgindo uma nova geração de atletas e promessas. Eu amo lutar, adoro lutar, aproveitei da melhor maneira possível, mas estou mexendo com muita coisa, a [produtora] Spider Kick, a Spider Fit, que terão braços na Europa, Ásia e, claro, no Brasil. Quero continuar inspirando muita gente.

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