Análise dos grupos da Copa do Mundo feminina (parte I)

A Copa do Mundo da França começa na próxima sexta-feira (7), com o duelo entre França e Coreia do Sul em Paris. O blog Deixa Ela Jogar faz uma análise de como estão as seleções de cada chave neste Mundial. A primeira parte avalia os grupos A, B e C. Clique aqui para ler a segunda parte.

Grupo A - França, Coreia do Sul, Noruega e Nigéria

Anfitriã, a França pode ser tornar a primeira seleção do mundo a ser campeão mundial tanto no masculino quanto no feminino. Para isso, a equipe treinada por Corinne Diacre precisa quebrar um tabu: embora tenha passado das quartas de final em todos os torneios que disputou desde 2009, nunca conseguiu subir ao pódio. Com apoio da torcida em casa e contando com Sarah Bouhaddi — eleita três vezes a melhor goleira do mundo pelo Lyon — para proteger a meta, o time busca mudar esse histórico.

Seleção da França recebeu visita do presidente Macron (Getty Images)
Seleção da França recebeu visita do presidente Macron (Getty Images)

Já as sul-coreanas, que antes da Copa de 2015 só haviam se classificado para o Mundial uma vez, surpreenderam ao avançarem para as oitavas de final. Para surpreender novamente e chegar ainda mais longe desta vez, o time aposta em um sistema defensivo forte e nos talentos das meio-campistas Cho So-hyun, do West Han, e Ji So-yun, do Chelsea.

Única campeã do grupo, a Noruega é o time mais experiente do grupo em Copas: participou de todas as edições, soma 35 partidas em Mundial e venceu a edição de 1995. Neste ano, não poderá contar com Ada Hegerberg, vencedora do Bola de Ouro 2018, que decidiu abandonar a seleção em 2017 para protestar pela desigualdade no tratamento à seleção de mulheres pela federação. Sem sua maior estrela, aposta na pontaria de Lisa-Marie Karlseng Utland, do Rosengard, e Caroline Graham Hansen, do Barcelona, para balançar as redes na França. Foi campeã da Algarve Cup em 2019.

Atual campeã da Copa das Nações Africana, a Nigéria integra o rol de times que participaram de todas as edições da Copa, mas enquanto os demais foram ao menos até a final, o máximo em que as “Super Falcons” alcançaram foi as quartas de final em 1999. A principal arma segue sendo as atacantes rápidas e velozes, com destaque para Asisat Oshoala, do Barcelona, que foi artilheira da Copa do Mundo Sub-20 em 2014, e Anam Imo, que joga no Rosengard.

Jogo-chave: França x Noruega, dia 12 de junho, em Nice

Alemanha é uma das favoritas (Maja Hitij/Getty Images)
Alemanha é uma das favoritas (Maja Hitij/Getty Images)

Grupo B - Alemanha, China, Espanha e África do Sul

Bicampeã mundial e atual campeã olímpica, a Alemanha passou três trocas no comando técnico desde 2015 e vai para a França com a treinadora Martina Voss-Tecklenburg. O objetivo é voltar ao pódio, algo que não ocorre desde 2007, quando bateu o Brasil na final. O ponto forte das alemãs é o ataque poderoso, liderado pela atacante Alexandra Popp e pela meio-campista Dzsenifer Marozsan, finalista da Bola de Ouro em 2018. O problema pode ser no gol, já que a experiente arqueira Almuth Schult corre contra o tempo para se recuperar de uma lesão no ombro.

Finalista da Copa de 1999 contra os Estados Unidos, a China quer repetir o feito. Para isso, precisa deixar para trás maus resultados recentes, como na Algarve Cup, em que terminou na última posição. A maior força chinesa é no ataque, onde está Wang Shuang, recém-eleita a melhor jogadora da Ásia.

Os investimentos recentes no futebol feminino da Espanha popularizaram a modalidade e fizeram a seleção nacional evoluir. Mais de 60 mil pessoas assistiram ao duelo entre Atlético de Madri e Barcelona no estádio Wanda Metropolitano no início do ano, e a equipe nacional passou com 100% de aproveitamento pelas qualificatórias europeias. Esta será apenas a segunda vez da Espanha na Copa e a expectativa é um desempenho melhor do que em 2015, quando terminou em vigésimo lugar. A principal esperança de gols é a atacante Jennifer Hermoso, do Atleti, que soma 27 gols em 65 partidas pela seleção, mas o forte mesmo é a defesa: com as zagueiras Irene Paredes e Ivana Andres, o time sofreu apenas dois gols nas qualificatórias.

A África do Sul, por sua vez, disputará a Copa do Mundo pela primeira vez e se tornará o sexto país africano a conquistar uma vaga no principal torneio feminino do planeta. Sob o comando da ex-jogadora Desiree Ellis, o time conquistou o vice-campeonato da Copa Africana das Nações inspirado pela defesa sólida das veteranas Janine Van Wyk e Noko Matlou, que sofreu apenas dois gols em cinco jogos no torneio continental. No ataque, destaque para Thembi Kgatlana, que defende o Beijing e foi eleita a jogadora africana do ano em 2018.

Jogo-chave: Alemanha x Espanha, dia 12 de junho, em Valenciennes

Brasil vem de nove derrotas consecutivas (Assessoria CBF)
Brasil vem de nove derrotas consecutivas (Assessoria CBF)

Grupo C - Brasil, Austrália, Itália e Jamaica

Sob o comando de Vadão, o Brasil vem de uma sequência de nove derrotas consecutivas e é a única seleção que não marcou amistosos nas vésperas do Mundial. Campeã da Copa América em 2018, a equipe sofre com lesões de peças importantes desde o final do ano passado e parece que a bruxa continua à solta durante a reta final da preparação, mesmo diante dos esforços da comissão técnica para melhorar a situação física das atletas. Marta, Érika, Luana estão em tratamento, enquanto a lateral Fabi Simões precisou ser cortada de última hora por lesão. A esperança para uma boa campanha fica por conta da garra e do talento individual de jogadoras experientes como Formiga e Cristiane, além da própria Marta, eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo pela Fifa.

Algoz do Brasil na Copa de 2015, a Austrália é uma das favoritas da chave pelo trabalho que vem fazendo com o desenvolvimento do futebol feminino desde 2011, passando pela formação de novas atletas e profissionalização. A principal questão das Matildas está no comando técnico: faltando quatro meses para o início do Mundial, a Federação Australiana decidiu demitir o técnico Alen Stajcic e contratou Ante Milicic. Ele disse em diversas entrevistas que acredita que o time tem talento para passar das quartas de final, já que o time foi eliminado nesse estádio nas últimas três edições do Mundial. E quem vai comandar essa missão é a capitã Sam Kerr, considerada uma das melhores jogadoras do mundo.

De volta ao Mundial após 20 anos, a Itália fez uma boa campanha nas qualificatórias com a técnica Milena Bertolini, somando sete vitórias consecutivas, o que elevou o moral das jogadoras e também aproximou a torcida da equipe — ainda mais porque a classificação veio sete meses após o time masculino falhar na busca por uma vaga na Copa da Rússia. Lá, o futebol feminino italiano cresceu nos últimos anos, com clubes grandes como Juventus, Fiorentina e Milan investindo em times femininos. Entre as atletas para ficar de olho estão a atacante Barbara Bonansea e a jovem Valentina Giacinti, companheira da brasileira Thaísa no Milan.

Um das estreantes, as “Reggae Girlz” entra na Copa como um dos azarões — ocupa apenas o 53º lugar no ranking da Fifa, último entre os participantes do Mundial. A equipe vem superando dificuldades dentro e fora de campo: perdeu o patrocínio da federação nacional em 2015 e precisou se virar para buscar recursos, enquanto nas quatro linhas tornou-se a primeira seleção do Caribe a conquistar uma vaga no torneio mundial. Comandada pelo técnico Hue Menzies, o time aposta em jogadoras jovens, velozes e aguerridas para superar as adversidades, como a craque Jody Brown e a capitã Konya Plummer.

Jogo-chave: Austrália x Brasil, dia 13 de junho, em Montpellier

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