Ana Paula Araujo: "A cultura do estupro só acabará através da educação sexual"

Amanda Serra
·2 minuto de leitura

Na segunda parte do Yahoo Entrevista desta semana, a apresentadora do "Bom Dia Brasil", da Globo, Ana Paula Araujo fala sobre a importância de discutirmos educação sexual nas escolas e, principalmente, no ambiente familiar.

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Mãe de uma adolescente de 14 anos, a jornalista não deixou a filha ler seu livro - "Abuso - A Cultura do Estupro no Brasil” -, lançado recentemente, e relembra quando proibiu a jovem de ir sozinha em uma montanha-russa por ela ser mulher. Mas não ache que foi uma decisão fácil, ela se culpou por de certa forma “assustar” a filha tão cedo com as mazelas da sociedade patriarcal e misógina.

“A gente estava em um parque de diversão e ela tinha 6, 7 anos de idade e tinha me pedido, tava implorando que queria ir num brinquedo sozinha, sem mim. Eu deixei, só que quando eu vi na fila, vi que ela ia ficar no mesmo carrinho do brinquedo com dois adolescentes e o pai. Três homens. Eu tive que tirar ela de lá e foi um dilema para mim: eu falei ‘você não vai’. Eu fiquei em uma situação assim, de coração partido, porque eu não queria deixar ela com medo, mas não podia expor ela àquela situação", relembra Ana, com pesar.

A gente não tem que julgar a vítima. O único responsável pelo crime de estupro é o estuprador

“A gente hoje ainda vive com esse medo da violência sexual o tempo todo. Fica se planejando que roupa vai usar, onde que vai, com quem que fala, se acontece alguma coisa nós nos sentimos ainda por cima culpadas, achando que a gente que facilitou. Se bebeu demais, sendo que beber demais não é crime, o crime é a violência sexual, é se aproveitar de um momento como esse para cometer atos de violência", afirma Ana Paula, que foi abusada dentro de um ônibus quando retornava da faculdade, no Rio de Janeiro.

"Quando a gente vai conseguir melhorar essa cultura do estupro é difícil dizer. O como para mim está muito claro: através da educação. A gente tem que aprender mais, dentro das escolas, sobre violência de gênero, noções de respeito, noções de consentimento", defende a jornalista.

Confira o papo completo no vídeo acima e assista ao primeiro episódio no vídeo abaixo.

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