Ana Marcela treinou contra adversárias imaginárias no caminho para o ouro

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em sua preparação para conquistar a medalha de ouro nos 10 km da maratona aquática nas Olimpíadas de Tóquio, Ana Marcela Cunha treinou até contra adversárias imaginárias.

A baiana de 29 anos estava determinada a vencer a prova e preencher sua galeria com o título que lhe faltava. Dona de 12 medalhas em campeonatos mundiais -cinco ouros, duas pratas e cinco bronzes--, ela queria superar a frustração que teve em suas participações olímpicas anteriores.

"É uma coisa que eu criei por treinar muito sozinha. Então, eu imagino as minhas adversárias do meu lado", contou a atleta ao site Olimpíada Todo Dia, meses antes de embarcar para o Japão.

Ana Marcela tem obsessão por aperfeiçoar a sua técnica. Quando estava na Espanha, treinando no Centro de Alto Rendimento de Sierra Nevada, na região de Granada, descobriu que sua frequência de braçadas era de 36 por minuto, duas abaixo do desempenho considerado perfeito por seu treinador, Fernando Possenti.

Junto ao técnico, ela não descansou até melhorar sua marca. "Nós não aceitamos que seja bom, tem que estar perfeito", disse Possenti à reportagem.

O resultado do esforço seria coroado em Tóquio. Antes de cair nas águas do parque marinho Odaiba, na manhã japonesa de quarta-feira (4), porém, ainda faltava um detalhe: executar o ritual que a acompanha em todas as provas. Ela, então, posicionou-se em frente a sua marca, respirou bem fundo e deu três pulinhos.

Ao ouvir o sinal de início da prova, logo na saída assumiu a liderança e travou uma disputa acirrada com a norte-americana Ashley Twichell. Depois de nadarem perto uma da outra durante quase todo o percurso, a brasileira teve mais força na parte final da prova para concluí-la na frente.

No lugar mais alto do pódio, a baiana enfim superou velhos traumas olímpicos. A jovem que despontou nos Jogos de Pequim, em 2008, com um quinto lugar, acabou ficando fora dos Jogos de Londres, quatro anos depois, uma das maiores frustrações de sua carreira. No Rio, em 2016, um erro no momento da reidratação comprometeu seu favoritismo e a levou ao décimo lugar.

Fora das águas, a campeã descobriu ainda em 2016 uma doença autoimune que destrói a produção de plaquetas sanguíneas, vendo em risco sua caminhada até o Japão. A atleta precisou retirar o baço, em um procedimento chamado esplenectomia. A opção foi escolhida para preservar sua saúde e manter o nível de competitividade.

A medalha que ela colocou no peito agora reafirma a condição de atleta excepcional da baiana, que já foi eleita seis vezes a melhor do mundo na maratona aquática, a última delas no ano passado.

No futuro, ela sonha em participar do ironman 70.3, uma das formas de triatlo de meia distância. "Quando eu parar com a maratona", avisa.

Antes disso, Ana Marcela saboreia uma conquista pela qual batalhou muito. Em algum momento da comemoração, ela vai saborear uma de suas comidas favoritas e dará vazão a um gosto que talvez ajude a explicar sua ótima forma.

"Eu sei que tem muita gente que não gosta, mas eu sou apaixonada por quiabo. Eu como quiabo mais do que alface", diz a campeã olímpica.

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