Análise: Tem que respeitar... a aula que o Retrô deu em campo, Corinthians

Fábio Lázaro
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Após a classificação do Corinthians, na decisão por pênaltis, na segunda fase da Copa do Brasil, contra o Retrô (PE), nesta sexta-feira (26), no Estádio Elcyr Resende de Mendonça, em Saquarema (RJ), o lateral-direito Fagner, que converteu a cobrança decisiva para o Timão, disse a seguinte frase: "Tem que respeitar".

Através das suas redes sociais, o jogador disse que a reação foi desabafo após xingamentos e desrespeitos por parte dos atletas do Azulão durante o jogo. Contudo, se separarmos essa frase e aplicarmos para o que foi a partida em campo, quem tem que respeitar algo é a equipe paulista.

No tempo normal, o jogo terminou empatado em 1 a 1, mas o Retrô deu aula ao Corinthians. E os ensinamentos não se tratam de pontos táticos, mas sim de postura em campo.

A equipe pernambucana já prometia propor o jogo contra o Alvinegro do Parque São Jorge, como já é do costume e filosofia de jogo deles. Por sua vez, o Timão tem como característica mais reativa, que deixa o adversário jogar.

Inteligentemente, o técnico Vagner Mancini levou o seu time a campo com uma formação diferente, um 4-1-4-1, com uma linha de quatro atletas, dois meias e dois extremos á frente de apenas um volante, diferentemente do 4-2-3-1 geralmente usado, que conta com dois volantes, um médio-central e dois pontas.

O Timão ia bem, obrigado, nos primeiros 20 minutos de jogo com o esquema novo, tomando as rédeas da partida, como cabe ao time da elite contra o franco atirador em jogos como o desta sexta-feira (26). Mas foi só abrir o placar, aos 18 do primeiro tempo, em ótima cobrança de falta de Otero, que a imposição da equipe em campo mudou da água para o vinho. O clube abaixou as suas linhas, parou de atacar, começou a errar muitos passes, ter dificuldades na saída de bola e dar aos nordestinos a possibilidade de fazer o que eles gostam: propor o jogo.

E a proposta do Retrô é incômoda. Jogo organizado, trabalhado, com troca de passes e sempre visando a área adversária. Reflexo disso, o time de Camaragibe teve posse de bola amplamente superior (61% a 39%), finalizou mais (11 a 6), trocou quase e o dobro de passes (401 a 245) e os errou percentualmente bem menos (20% a 31%).

No quesito atitude, a equipe grande foi o Retrô.

O Corinthians se classificou, e para o torcedor isso é o que mais importa, o que é amplamente compreensível. Mas com sangue frio e cabeça no lugar, a análise é essencial e muito temerosa ao Timão nas questões de perspectivas de temporada. O clube não se acerta e se resume na bola pelo resultado. Joga enquanto precisa e depois se limita ao resguardo.

O time dos primeiros 20 minutos contra o Azulão existe, pois vimos ele atuando, mas para ser constante necessita de algo além de mudança de peças, comando e até mesmo esquema. É essencial uma nova postura.

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