Análise técnica: por que as mudanças da F1 para os assoalhos podem causar consequências inesperadas

Matt Somerfield
motorsport.com

A FIA optou, de maneira pragmática, por congelar o desenvolvimento de certas áreas dos carros da Fórmula 1 até 2021, como forma de reduzir os custos para todas as equipes. O desenvolvimento aerodinâmico, porém, não será congelado, com os carros podendo ser muito diferentes a cada corrida, na busca incansável dos projetistas pelo melhor desempenho.

Mas um aspecto do design do carro que se destacará em 2021 é o novo formato do assoalho, que a FIA introduziu para tentar reduzir o downforce em cerca de 10%.

2021 floor rules

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2021 floor rules <span class="copyright">Giorgio Piola</span>
2021 floor rules Giorgio Piola

Giorgio Piola

A segunda retira uma fatia diagonal do piso e lida com os problemas enfrentados pelos projetistas ao tentar proteger o assoalho e o difusor da turbulência criada pelas rodas.

Buracos no assoalho

A proliferação de buracos que vimos sendo adicionados paralelamente à borda do assoalho e que se inclinam à frente do pneu traseiro nos últimos anos têm objetivos semelhantes, mas diferentes.

Haas-Ferrari VF-20 floor detail

Haas-Ferrari VF-20 floor detail <span class="copyright">Giorgio Piola</span>
Haas-Ferrari VF-20 floor detail Giorgio Piola

Giorgio Piola

Os furos adicionados paralelamente à borda do assoalho criam um amortecedor aerodinâmico, como uma saia de ar, que protege o fluxo de ar na parte inferior do carro da turbulência criada pelas rodas dianteiras. 

Haas F1 Team VF-20 diffuser

Haas F1 Team VF-20 diffuser <span class="copyright">Giorgio Piola</span>
Haas F1 Team VF-20 diffuser Giorgio Piola

Giorgio Piola

Enquanto isso, os orifícios angulares, logo à frente dos pneus traseiros, ajudam a mitigar o impacto do 'esguicho do pneu' - um fenômeno causado pela deformação do pneu traseiro e do fluxo de ar que é esguichado lateralmente no caminho do difusor.

Retirar completamente esses aspectos do design significa que os projetistas partirão em busca de maneiras de recuperar essas perdas em outros lugares, e é aí que a inovação das equipes pode causar dores de cabeça para a Federação, na esperança de reduzir o downforce.

Pois, ao remover um mecanismo óbvio e visível para criar o efeito, ele efetivamente o substitui por diversas possibilidades de desenvolvimento que não são cobertas pelo regulamento.

Como resultado, sem dúvida veremos mudanças substanciais na borda principal do assoalho, nos bargeboards e em toda uma série de outras superfícies apenas para impedir essa perda. Espera-se que eles já superem a perda de 10% de downforce já na primeira corrida de 2021.

Obviamente, esse desenvolvimento implica em gastos e ele vem em um momento no qual a F1 irá adotar um inédito limite de custos.

Talvez seja necessário buscar uma solução provisória melhor, visto que estamos falando de apenas um ano de desenvolvimento. Possivelmente diminuir o que poderia ser feito nas áreas periféricas do assoalho.

Isso poderia não levar à meta de redução de 10%, mas poderia levar a uma corrida de desenvolvimento menos dispendiosa para recuperar essas perdas através da adaptação de outras partes e estruturas ligadas ao fluxo do carro.

A outra questão é que mesmo que seja amplamente aceito que isso criará inicialmente uma queda no downforce, não é garantido que não haverá outras consequências não intencionais que realmente levem à descoberta de ainda mais downforce.

2020-2021 floor comparison

2020-2021 floor comparison <span class="copyright">Camille De Bastiani</span>
2020-2021 floor comparison Camille De Bastiani

Camille De Bastiani

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