Análise técnica F1: conheça a Ferrari com tração nas quatro rodas

Franco Nugnes
motorsport.com

O Ferrari 312B voltou aos holofotes graças ao documentário de 2017 que narra a restauração do carro. Coadjuvante nesse filme, o ator que poderia ter sido digno do Oscar era Mauro Forghieri.

Ferrari 312B

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Ferrari 312B Tarpini Production
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Tarpini Production

O designer que acabou de completar 85 anos tinha conceitos inspiradores. Mesmo depois dos 50 anos que se passaram desde 1970. Meio século, mas parece ontem...

Giorgio Piola ilustra Ferrari 312B

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Giorgio Piola ilustra Ferrari 312B Giorgio Piola

Giorgio Piola

Atualmente, existem mais de 1.000 funcionários em gerenciamento esportivo para fabricar dois carros de F1, enquanto na época o departamento de corridas era composto por apenas 170 pessoas encarregadas de dois projetos: o 312B para F1 e o protótipo 312P, que teria devolvido o cavalo empinado à vanguarda do esporte.

O 312B teve apenas quatro vitórias (três com Jacky Ickx e uma com Clay Regazzoni em um histórico GP da Itália) em um ano difícil para a F1, que consagrou Jochen Rindt como campeão póstumo.

Clay Regazzoni, Ferrari 312B, vence GP da Itália de 1970

Clay Regazzoni, Ferrari 312B, vence GP da Itália de 1970 <span class="copyright">Rainer W. Schlegelmilch</span>
Clay Regazzoni, Ferrari 312B, vence GP da Itália de 1970 Rainer W. Schlegelmilch

Rainer W. Schlegelmilch

O carro nasceu em torno do motor de 12 cilindros. "Para começar, vamos parar de chamá-lo de Boxer", ressalta Forghieri. "Porque era um motor plano de 180 graus. As iniciais eram 312 B, não para lembrar a palavra Boxer, mas porque era o carro que seguia o 312".

O motor era muito inovador porque tinha um centro de gravidade muito baixo. O virabrequim, com quatro apoios no banco, foi equipado com uma vedação elástica para amortecer as vibrações. As válvulas foram colocadas em um ângulo de apenas 22 graus, enquanto o controle de marchas estava na traseira.

Ferrari 312B

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Ferrari 312B Tarpini Production

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Assim que o ‘Boxer’ foi colocado no banco, ele tinha 10 cavalos de potência a mais do que o Ford Cosworth: "Tínhamos 450 cavalos de potência às 12.000 rpm, enquanto os britânicos não ultrapassavam as 10.000 rpm!".

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Ferrari 312B Tarpini Production

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O chassi também incorporou vários novos recursos: o corpo era feito de painéis de alumínio rebitados em uma estrutura de tubo de aço e a suspensão dianteira era especialmente interessante, porque tinha o amortecedor interno montado verticalmente e era acionado por um braço oscilante superior.

Mauro Forghieri, Jacky Ickx

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Mauro Forghieri, Jacky Ickx Motorsport Images

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Forghieri era um engenheiro brilhante, com um caráter muito forte. Ferrari, no entanto, sabia como manter sua exuberância sob controle: "Toda vez que discutíamos, eu pedia demissão. Não sei quantas vezes pedi demissão e depois fui contratado novamente por Enzo", lembra Forghieri.

Tudo é verdade. E uma das razões para discussão foi o carro de 1970. "As formas do 312 B eram um pouco peculiares, porque eu pensei que este carro poderia ser a primeira Ferrari com tração nas quatro rodas".

"Tinha que ter uma vedação hidráulica central progressiva, estudada em colaboração com o Centro de Pesquisa da FIAT em Orbassano, e era necessário distribuir o torque nos dois eixos", conta.

O 'Ferrari 4x4' nunca foi visto, exceto em alguns esboços nascidos após os experimentos em 1969.

"Fui bloqueado pelo Comendador", explica Forghieri. "A tração nas quatro rodas foi proibida por regulamento e tenho certeza de que a Ferrari esteve envolvida na tomada de decisões da Federação. Em suma, encontrei o inimigo em casa".

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Jacky Ickx, Ferrari 312B

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Jacky Ickx, Ferrari, GP do México de 1970

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Jacky Ickx, Ferrari, GP do México de 1970 David Phipps

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