Análise: Seleção Brasileira volta a vencer sem convencer, mas trabalho tático de Tite é notório

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Após a goleada por 4 a 1 da Seleção Brasileira, em Manaus, sobre o Uruguai, em outubro, a expectativa do torcedor que esteve em São Paulo para acompanhar o duelo contra a Colômbia, que garantiu matematicamente o Brasil na Copa do Mundo de 2022, no Catar, era de uma repetição de bom desempenho, o que não aconteceu.

Diante dos colombianos, a Seleção voltou a vencer sem convencer. Mas os três pontos ocorreram muito por conta do trabalho tático do técnico Tite, e o gol de Lucas Paquetá, aos 18 minutos do segundo tempo foi o reflexo disso.

Vale ressaltar também a forte marcação da Colômbia. No mês passado, o Brasil já havia enfrentado eles em Barranquilla e empataram em 0 a 0, no que foi o único jogo até aqui que a seleção Verde e Amarela não venceu nessas Eliminatórias. Na Copa América, outros dois encontros bastante pegados.

Os colombianos geralmente apertam bastante a marcação quando enfrentam os brasileiros, e dessa vez não foi diferente, principalmente com Neymar. O camisa 10 sempre recebia a bola cercado por pelo menos dois adversários, o que gerava dificuldade na evolução das jogadas. Mesmo assim, como todo craque, o atacante precisou de apenas um tapa para deixar Paquetá de frente para o gol e dar a vitória a Seleção Brasileira.

TRABALHO TÁTICO DE TITE

Assim como havia esboçado no último treinamento antes do jogo contra a Colômbia, Tite levou o Brasil a campo com Lucas Paquetá aberto pelo lado esquerdo no início do jogo, com Neymar atuando como meia. Com isso, a Seleção Brasileira tinha uma linha de três atletas com diferentes características na penúltima fase ofensiva, o que propiciava trocas, o que aconteceu.

Frente a dificuldade de passar pela marcação colombiana, na etapa inicial, o que no começo do jogo foi Raphinha pela direita, Neymar pelo meio, Paquetá pela esquerda e Gabriel Jesus como centroavante passou a ter Raphinha pela direita, Gabriel Jesus, pela esquerda e Paquetá sendo o que mais alternava, jogando pelos dois lados e até como falso 9 em alguns momentos da etapa inicial.

No segundo tempo, Tite mudou a filosofia, saiu de um 4-2-3-1 para um 4-1-4-1, tirando o segundo volante Fred para a entrada de Vinicius Júnior. Com Raphinha e Vini em campo, o Brasil passou a ter dois atletas de velocidade para explorar as pontas. Paquetá se tornou o segundo homem de meio-campo, vindo compor a faixa central e aparecendo na entrada da área, quando Neymar conseguia puxar a marcação.

E foi justamente assim que saiu o gol, em uma recuperada de bola de Marquinhos, a bola chegou em Neymar, que de primeira viu a ultrapassagem de Paquetá, que, também de primeira, finalizou no canto direito do goleiro Ospina e deu a assinatura final no passaporte brasileiro para o Catar.

RAPHINHA MAL E VINI JR BEM

Destaque contra o Uruguai, ao marcar dois gols, Raphinha não foi bem contra a Colômbia. O atacante perdeu quase todas as tentativas de um contra um e o seu melhor momento no jogo foi justamente quando não quis driblar e deu um passe açucarado para a ultrapassagem de Danilo, que bateu cruzado, a bola desviou na zaga colombiana e beliscou a trave.

Rapha foi substituído por Antony, no segundo tempo, que jogou melhor.

Por sua vez, Vini Júnior entrou no intervalo com fome de jogo, foi para cima da marcação, deu velocidade para a transição ofensiva brasileira, que faltava no primeiro tempo, e cria agora uma grande dor de cabeça para a Tite, não só pela temporada que vem fazendo pelo Real Madrid, mas pela atuação com a camisa verde e amarela. Inevitavelmente um grande jogador de ataque ficará fora da lista final da Copa do Mundo, já que o Brasil tem esse leque grande de opções, que, além dos acimas citados, ainda tem nomes como Richarlison, Roberto Firmino e Gabigol, que não estiveram nesta convocação - Firmino cortado por lesão - e precisarão correr atrás do espaço na Copa.

GABRIEL JEJUM

Mais uma vez o atacante brasileiro passou em branco pela Seleção. Já são 16 jogos sem marcar pelo Brasil. Contra a Colômbia mais uma atuação apática, principalmente na última fase ofensiva, onde o camisa 9 mais bateu de frente com os defensores colombianos do que buscou alternativas.

O melhor momento do atacante no jogo foi justamente quando trocou com Paquetá, caiu pelo lado esquerdo e viu o seu companheiro ser falso 9.

Ainda assim, muito pouco para um jogador do quilate de Gabriel, que consegue corresponder no Manchester City, onde tem uma boa média de gols.

Saiu de campo vaiado. Merecidamente pelo desempenho apresentado.

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