Análise: o que vitória da França e derrota da Argentina sinalizam para o Brasil na Copa

Um jogo de Copa do Mundo, mais ainda a competição de tiro curto, dá pouca chance para uma volta por cima. Normalmente ela precisa acontecer ao longo de uma mesma partida, como a França demonstrou em sua estreia diante da Austrália. Ter saído atrás do placar e mantido a tranquilidade para preservar o estilo de jogo em busca da vitória foi o principal trunfo dos atuais campeões.

A Argentina fez o oposto. E ambos os comportamentos servem de lição para a seleção brasileira, que estreia contra a Sérvia nesta quinta-feira. Os hermanos saíram na frente e levaram a virada da Arábia Saudita. Não trataram o jogo com o devido respeito e não se mobilizaram depois de abrir o placar para uma vitória segura. Após sofrer o empate, aí a desorganização imperou.

Outra conclusão a que se pode chegar do tropeço argentino e da reação francesa é sobre modelo de jogo. Ambas as seleções enfrentaram equipes distintas, mas que em algum momento incomodaram. Não houve amplo domínio da França desde o início como sugere o placar de 4 a 1. Apenas quando os Azuis conseguiram colocar a bola no chão e forçaram o ataque para conseguir a virada que os espaços se abriram. Ainda assim, a Austrália colocou uma bola na trave que poderia ter feito o primeiro tempo terminar empatado outra vez. Ou seja, há vários jogos dentro de um jogo. E é preciso estar atento a todos eles. A França ativou um modo mais controlador no segundo tempo e enfileirou chances. Em nenhum momento parou de atacar, ainda que tenha diminuído o ritmo.

Já a Argentina sofreu com uma espécie de apagão, incrédula por ter levado a virada. Messi e companhia não conseguiram manter um padrão de jogo ofensivo, e mesmo precisando do resultado foi difícil superar até o fim a aguerrida marcação saudita. Ainda que houvesse a necessidade da virada, era importante a Argentina notar ao sofrer o empate que precisava defender melhor. E talvez esse erro a França tenha percebido com o gol sofrido cedo que não poderia cometer mais no jogo. Favoritos ao título como o Brasil, as duas equipes tiveram comportamentos totalmente diferentes após serem vazadas. O que influenciou diretamente no desempenho e no resultado de suas estreias.

Os dois jogos sinalizam para o Brasil que é preciso estar preparado para um adversário que surpreenda. Não apenas pela postura, mas por uma jogada de início quando os atletas estiverem não tão aquecidos e concentrados. Ou uma finalização como a de Salem Al-Dawsari, que invadiu a área, e acertou um chute de rara felicidade para a festa dos sauditas e desespero dos argentinos. Não ter feito amistosos pode ter deixado o Brasil muito tempo sem jogar, e será preciso que esse espírito competitivo e essa velocidade de reação estejam em dia a partir da estreia desta quinta.