Análise: Ida de Hamilton para Mercedes era encarada como “suicídio de carreira”; entenda

Roberto Chinchero
·4 minuto de leitura

Qualquer pessoa que queira menosprezar os triunfos de Lewis Hamilton sempre ressalta que ‘com a Mercedes, todos são capazes’. Era 28 de setembro de 2012, quando o contrato de três anos foi oficialmente anunciado, marcando a entrada de Hamilton na equipe com a qual oito anos depois ele alcançaria o topo da história da Fórmula 1, em termos de número de vitórias.

Naquele momento, a mídia britânica não aceitava a decisão de Lewis, ou seja, deixar a McLaren.

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"O suicídio de uma carreira", "100 milhões de libras para Hamilton", "Escolha comercial", "Hamilton vai do time número 1 ao número 4". Foi assim que se comentou a decisão de Hamilton, que, quatro anos após seu primeiro título mundial, parecia ter trilhado um caminho gratificante no plano econômico, mas sem perspectiva esportiva de voltar a ser o que foi, ou seja, um campeão mundial.

“Da Mercedes, obteve mais liberdade na gestão da sua imagem e iniciativas pessoais”, comentou o representante de uma prestigiada marca britânica. "Na McLaren não foi possível para ele. De resto, é difícil pensar em outra coisa, visto que nas últimas três temporadas a Mercedes ganhou uma corrida em comparação com as 16 da McLaren.”

E novamente: “Hamilton não sabe muito sobre a história das corridas e, portanto, não pode aprender com os erros cometidos por outros pilotos. Talvez a Mercedes dê certo e Hamilton em alguns anos pareça inteligente, mas temo que a carreira de Lewis seja uma jogada parecida com a de James Hunt quando foi para a Wolf, a de Emerson Fittipaldi quando mudou para sua equipe, para a de Jacques Villeneuve quando foi para a BAR ou a infeliz passagem de Niki Lauda pela Brabham.”

Essas também foram as avaliações de muitos dos insiders do paddock: Hamilton tinha ido para o dinheiro e, provavelmente, já estava pensando em sua vida pós-F1, lançando as bases para outras atividades, que na McLaren (com Ron Dennis) ele não podia fazer.

Nenhuma menção a uma visão técnica e esportiva, à possibilidade de que por trás da escolha de Lewis houvesse uma vantagem econômica, mas não só isso.

A capacidade de olhar além é, por outro lado, uma das qualidades que distinguem os excelentes pilotos dos verdadeiros campeões. A história mostra que Juan Manuel Fangio sempre foi mortal dentro e fora da pista, sabendo de antemão qual seria o melhor carro para a temporada seguinte. Ele correu em cinco times e ganhou outros tantos Mundiais.

Não deve ter sido fácil para Hamilton em 2012 tentar imaginar até mesmo uma pequena parte do que a Mercedes poderia ser capaz de fazer, e hoje (novamente para aqueles que amam menosprezar o trabalho de Lewis) é fácil definir a escolha como sorte.

O mesmo aconteceu com Fangio, apontado pelos adversários como um argentino rápido, mas também com muita sorte que lhe permitiu estar no carro certo e na hora certa.

Coincidências? Ver o que os outros não veem não é necessariamente questão de sorte, ainda que no caso de Lewis pudesse contar com um conselheiro excepcional, que foi Niki Lauda que, falando a sua própria língua, soube tocar os acordes certos.

"A história conta que você não deixa uma equipe vencedora na F1", concluiu um jornalista britânico em 2012 ao final de um longo comentário sobre a escolha de Hamilton. "A menos que seja para outra equipe que provará ser capaz de vencer."

Uma consideração que naquele momento parecia irônica, mas havia pouca ironia no caminho de Lewis. A história simplesmente provou que ele estava certo.

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