Análise: holofotes ficam em Cristiano Ronaldo, mas técnico acerta em privilegiar jovens e Portugal vai às quartas

Uma goleada por 6 a 1 em oitavas de final de Copa do Mundo, entre duas seleções europeias, deveria ser suficiente para atrair todo o foco para dentro das quatro linhas. Deveria, se Cristiano Ronaldo, uma das principais estrelas do esporte mundial deste século, não estivesse sentado na reserva. Em duelo em que a atenção da torcida ficou entre o campo e o banco, Portugal atropelou a Suíça, nesta terça-feira, no Lusail, e vai enfrentar Marrocos nas quartas de final, sábado.

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O show foi justamente do substituto do camisa 7: o jovem Gonçalo Ramos, do Benfica, foi o primeiro jogador a marcar três gols em uma mesma partida nesta Copa do Mundo. Com 21 anos e 169 dias, se tornou o segundo mais jovem a marcar por Portugal em Mundiais superando... Cristiano Ronaldo.

Em sua quinta Copa, o astro que acaba de trocar o Manchester United pelo mundo árabe sentiu, enfim, o peso da idade. Aos 37, vinha fazendo um Mundial tão irregular quanto Portugal, e mostrou-se incomodado com Fernando Santos ao ser substituído.

Santos, um dos treinadores mais longevos desta Copa, dobrou sua aposta nesta terça-feira, quando decidiu deixar Cristiano no banco e formar um ataque com João Félix, de 23 anos, e Gonçalo, de apenas 21. E o treinador acertou: o ataque rápido e a precisão nas finalizações ajudaram Portugal a construir um triunfo que em nenhum momento foi ameaçado.

Suíços irreconhecíveis

A goleada teve uma parcela de culpa do péssimo jogo defensivo da Suíça, justamente um dos pontos fortes do time de Murat Yakin. Os suíços haviam derrubado outros gigantes europeus nas últimas competições (como a França, na Eurocopa, e o próprio Portugal, na Liga das Nações), mas não ofereceu resistências na partida do Lusail. Xhaka e Shaqiri pouco fizeram, e peças importantes na contenção, como Freuler, foram tão mal quanto a zaga.

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Portugal foi dominante desde o início e abriu o placar aos 16 minutos com um típico gol de centroavante. Gonçalo Ramos dominou, girou e chutou tão forte que Sommer nem conseguiu perceber a bola entrando sobre sua cabeça. Aos 32, foi a vez do brasileiro naturalizado português Pepe, às vésperas de completar 40 anos, subir sem marcação para ampliar.

Na volta do intervalo, Portugal deslanchou. Aos 5min, Gonçalo completou o cruzamento de Dalot e, cinco minutos depois, Guerreiro recebeu livre na área para fazer o quarto. A Suíça diminuiu com Akanji, mas a noite era de Gonçalo Ramos, que fez o primeiro hat-trick da Copa em uma cavadinha com estilo, depois de receber de João Félix. Nos acréscimos, Rafael Leão, outra estrela em ascensão do futebol português, fez o sexto.

Foco em Ronaldo

Enquanto tudo isso acontecia, existia uma "partida a parte" do lado de fora do gramado. Antes do apito inicial, Cristiano foi mais procurado pelos fotógrafos do que os próprios titulares enfileirados para cantar o hino. Foi o nome mais aplaudido quando o nome apareceu no telão entre os suplentes. A cada gol, corria para abraçar os colegas.

Quando os jogadores foram para o aquecimento, no segundo tempo, a torcida se animou e um coro de "Ronaldo, Ronaldo" precedeu sua entrada. Em campo desde os 27 minutos da segunda etapa, entrando no lugar do herói da goleada, o veterano tentou deixar o seu: cobrou uma falta com força na barreira e chegou a balançar as redes, mas o auxiliar marcou impedimento. No fim, agradeceu o apoio da torcida e desceu para o vestiário.

A utilização de Ronaldo, certamente, seguirá na pauta de discussão, até o jogo contra Marrocos, sábado, às 12h. Mas a nova geração de Félix, Leão e, agora, Gonçalo Ramos parece estar disposta a não esperar a saída do ídolo para conquistar seu espaço.