Análise: Flamengo de Ceni foi intenso e envolvente para voltar a brigar pelo título

Diogo Dantas
·4 minuto de leitura
Foto: Alexandre Vidal / Flamengo / Agência O Globo

A oito jogos do fim do Brasileiro, o Flamengo precisava reunir qualidades que lhe faltavam ao longo da temporada para continuar a brigar pelo topo. Intenso e envolvente, se aproximou bastante de atingir o maior potencial individual e coletivo de sua equipe na vitória sobre o Palmeiras, a primeira do time num duelo direto do G6. Com o resultado de 2 a 0 no Mané Garrincha, em Brasília, o rubro-negro agora ocupa a terceira posição, com 55 pontos, a quatro do líder Inter, mas com um jogo a menos. Na próxima rodada, enfrenta o Athletico. Bruno Henrique, suspenso pelo terceiro amarelo, está fora do jogo.

— Eu sabia que minha hora ia chegar. Vitória importantíssima para a gente. Coloca a gente na briga pelo título mais forte ainda — comemorou Pepê, autor do segundo gol.

Além da má fase individual de alguns jogadores, a dificuldade de o time engrenar na competição passava até aqui pela falta de sorte em algumas partidas. Dessa vez, até isso foi diferente. Acima de tudo, Rogério Ceni conseguiu implementar suas ideias em um jogo importante e refletir em campo o tão elogiado trabalho do dia a dia.

A aposta do técnico em uma formação com Willian Arão improvisado na zaga desde o início causou certo espanto, mas teve o efeito esperado. Permitiu 30 minutos iniciais de um jogo que fluiu com boa troca de passes desde a defesa. A lesão de Rodrigo Caio atrapalhou um pouco os planos depois desse período, mas não mudou o ímpeto do Flamengo na busca pelo gol. Foram mais finalizações e maior posse de bola que o rival. Mudou também a atitude dos atletas, que já haviam apresentado postura diferente na vitória sobre o Goiás na segunda-feira.

Fla mais posicional

Embora a equipe ainda tenha pecado na eficiência das finalizações, sobretudo com Gabigol, foi do camisa 9 o ímpeto de roubar a bola na jogada que terminou com o gol contra de Luan após pixotada dos zagueiros do Palmeiras. O gol exibiu um Flamengo mais posicional, com Bruno Henrique aberto na esquerda, infiltrando para dentro. Gabigol, por sua vez, vinha da direita para o centro. Arrascaeta flutuava por trás dos atacantes.

A participação dos três principais homens de frente do ataque rubro-negro foi na média acima do que vinha sendo apresentado até agora. E se somou à presença importante de Diego, tanto na transição, ajudando a defesa após a saída de Caio, como no apoio ao ataque. O camisa 10 foi mantido na equipe mesmo com a volta de Gerson ao time após suspensão. O volante também elevou a qualidade dos passes, mas o toque de classe apareceu com Arrascaeta desde o início. O único que ainda teve uma atuação abaixo do esperado foi Everton Ribeiro.

Com a qualidade de suas principais peças em dia, o Flamengo conseguiu criar a partir da defesa, mesmo precisando recuar para Hugo. E teve paciência para não rifar a bola, pedido insistente do técnico. Na primeira jogada de perigo, Arrascaeta assustou com uma bicicleta. Em seguida, Gabigol foi acionado na velocidade, mas tentou achar um companheiro em vez de finalizar.

Os maiores sustos provocados pelo Palmeiras vieram no começo das duas etapas. Logo nos minutos iniciais, Willian isolou por cima do travessão na frente do goleiro. No segundo tempo, Gabriel Menino teve tempo para finalizar dentro da área, mas desperdiçou. O time de Abel Ferreira apertou na marcação nos 45 minutos finais, o que tornou o jogo mais equilibrado.

Pepê entra e marca

Quando a bola saía para tiro de meta, o Palmeiras adiantava a marcação para dificultar a saída. Pressionado, o Flamengo quase ampliou em bola parada. Filipe Luís achou Gustavo Henrique livre, mas o zagueiro errou o alvo por pouco. A troca de passe dos 30 minutos iniciais não se manteve até o fim da partida. O Palmeiras tomou gosto da partida, manteve mais a bola e criou situações. O Flamengo recuou, cansou e precisou mexer.

Justamente por não ter resolvido a parada em menos tempo, o time mudou a postura para resguardar seu resultado. A bola aérea virou enfim solução. Após escanteio, Pedro foi inteligente e preparou para Pepê, que arrematou de primeira no cantinho.

O gol veio em momento crucial, quando o Palmeiras era melhor. Com vantagem mais confortável, o Flamengo voltou a trabalhar a bola com mais tranquilidade, colocando toda a maturidade de uma equipe rodada em prática. São oito jogos para manter essa pegada na busca pelo bicampeonato.