ANÁLISE-Coragem de Tite compensa com bom desempenho do ataque da seleção

Vinícius Jr. e Richarlison comemoram gol da seleção contra a Sérvia

Por Fernando Kallas

LUSAIL, Catar (Reuters) - Quando o técnico Tite anunciou que levaria nove atacantes para a Copa do Mundo, muitos questionaram se isso era demais e se ele realmente ousaria abandonar sua abordagem tradicionalmente defensiva para liberar tanto talento ofensivo em campo.

A resposta veio com uma boa vitória por 2 x 0 sobre a forte e organizada equipe da Sérvia, que não facilitou a vida do Brasil e frustrou o time no primeiro tempo sem gols.

A decisão de Tite de colocar Vinícius Jr. ao lado de Neymar, Richarlison e Raphinha não deveria ser uma surpresa, já que o técnico do Brasil tem estado muito mais inclinado recentemente a colocar para jogar juntos seus talentosos e jovens atacantes.

Quem pensava que ele deixaria Vinícius Jr. no banco, talvez considerasse apenas o passado do técnico de 61 anos, e não seu presente.

Tite é um treinador brilhante. Ele foi o último sul-americano a levar um campeão da Copa Libertadores ao Mundial de Clubes da Fifa, levando o Corinthians a vencer o Chelsea por 1 x 0 em 2012.

Mas, naquela época, suas realizações foram alcançadas com mais cautela do que ousadia. A sua versão 2022 parece reconhecer o talento que tem à sua disposição.

CLASSE MUNDIAL

Vinícius Jr., de 22 anos, marcou o gol da vitória do Real Madrid na final da Liga dos Campeões contra o Liverpool, e terminou em oitavo na votação da Bola de Ouro no mês passado, elevando-o ao nível de classe mundial em sua quinta temporada com o time espanhol.

Deixá-lo fora do time seria uma loucura.

Embora Richarlison tenha marcado dois gols, Vinícius Jr. foi sem dúvida o melhor jogador em campo, criando a maioria das chances do Brasil.

Tite evoluiu enquanto seu time progredia nos últimos quatro anos, moldando seu elenco para encontrar novas maneiras de adaptar seu sistema aos seus jogadores.

Mas foi o surgimento de uma nova geração de jovens talentosos nos últimos dois anos que finalmente fez Tite deixar para trás sua experiência como técnico defensivo, abraçando a juventude do elenco, e dando-lhes a liberdade de florescer juntos.

O resultado é um time fiel às tradições do Brasil no jogo ofensivo.

Tite não quer apenas vencer. Ele quer vencer jogando um estilo de futebol que por muitos anos parecia se perder entre os treinadores pragmáticos que acreditavam que o Brasil tinha que ser defensivamente sólido, ao invés de alegre.

Tite tem uma infinidade de talentos em todos os setores e, com um goleiro como Alisson e zagueiros como Marquinhos e Thiago Silva atrás de um volante confiável como Casemiro, ele pode se dar ao luxo de começar com quatro atacantes.

Foi exatamente isso que ele fez contra a Sérvia, contando com um excelente Casemiro que venceu todos as disputas de bola para manter a Sérvia o mais longe possível do gol de Alisson.

Enquanto isso, ele deixou seus quatro atacantes trabalhando na linha defensiva de cinco jogadores da Sérvia.

Eles mantiveram a calma e acabaram quebrando seus adversários graças ao talento e confiança.

O Brasil enviou uma mensagem clara aos seus rivais na Copa do Mundo. A seleção veio ao Catar para tentar conquistar seu primeiro título mundial em 20 anos e para se manter fiel ao estilo pelo qual o futebol brasileiro é famoso.