Amiga de MC Atrevida relembra últimas palavras da funkeira: 'Como eu sofri'

Marjoriê Cristine e Rafael Nascimento de Souza
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MC Atrevida (esq.) com Janine Vieira
MC Atrevida (esq.) com Janine Vieira

RIO - Amigas há mais de 20 anos, a cantora de funk Fernanda Rodrigues e a DJ Janine Vieira eram inseparáveis. Ambas chegaram a tralhar juntas no funk até 2010. Até mesmo no dia do procedimento estético de Fernanda, mais conhecida como MC Atrevida, na clínica Rainha das Plásticas, em Vila Isabel, Zona Norte, Janine foi junto. Ao EXTRA, a DJ afirmou que a amiga – após o procedimento – estava muito dopada, não aguentava andar e precisou ser carregada até o carro e voltar para casa. Uma das últimas palavras de Atrevida para a Janine teria sido: “Amiga, como eu sofri. Você não escutou os meus gritos? Lá atrás eu gritava muito e falava (para o médico) que estava doendo e eu estava sentindo o equipamento dentro de mim. Depois eu apaguei e não vi mais nada”.

Nos próximos dias, a Polícia Civil vai intimar a DJ a prestar esclarecimentos. Segundo Janine, Fernanda havia conhecido a empresária Wânia Tavares, que se intitula Rainha das Plásticas, pelo WhatsApp e ambas fizeram uma parceria profissional. A artista pagaria menos da metade de todo procedimento estético que fizesse, em contra partida ajudaria a divulgar Wânia, que queria disputar uma vaga na Câmara dos Vereadores do Rio.

— Ela conheceu a Wânia, recentemente, em um grupo de WhatsApp e elas fizeram uma parceria, já que a Fernanda era MC. Minha amiga fez uma permuta para divulgar o trabalho dela, até porque, (a Wânia) viria como vereadora. Ai, ela ofereceu um desconto. A Wânia iria abater em todos os procedimentos que a Fernanda fosse fazer, e a Fernanda divulgaria o trabalho da clínica — conta Janine.

De acordo com a DJ, a cantora havia ido à clínica uma única vez para fazer uma aplicação de varizes e retornou posteriormente, em julho, para fazer um procedimento estético nas costas e nos glúteos, e, futuramente, a funkeira iria aumentar os peitos.

— Ela fez hidrolipoescultura com enxerto no bumbum com gordura e pagou R$ 3 mil. Foi R$ 1 mil antecipado e o restante no dia do procedimento. O pagamento foi feito antes da hidrolipo — lembra Janine.

Ainda segundo a amiga, após a cirurgia, Fernanda deixou o espaço sem conseguir andar direito e precisou ser carregada até o veículo que ambas estavam. Antes da operação, porém, Janine conta que se surpreendeu com a idade do médico que iria fazer à plástica.

— Quando chegamos lá eu disse pra ela: “amiga, esse médico é, realmente, bom?” Ele falava coisa com coisa e eu achei ele muito velhinho. Para certificar, eu ainda perguntei para uma funcionária da clínica se ele era confiável e experiente. A resposta foi sim e a justificativa era que ele havia trabalhado na equipe do doutor Pitanguy (cirurgião plástico Ivo Pitanguy, falecido em 2016). Então, para mim, era uma coisa certa.

No entanto, horas após o procedimento estético, a cantora começou a passar mal.

— Quando a Fernanda saiu da sala da aplicação ela estava muito dopada e nem conseguia andar direito. Pedi ajuda de uma pessoa pra colocar ela no carro. Quando chegamos à minha casa, ela dormiu por muito tempo. Estranhei e acordei ela pra tomar os remédios e comida. Nos dias seguintes ela começou a reclamar de muitas dores e já não conseguia comer direito. Liguei na clínica e falei que aquilo não era normal. A resposta foi que era comum as pessoas sentirem dores no pós-operatório.

Pouco mais de dez dias depois Fernanda foi internada no Hospital municipal Evandro Freire e morreu.

Segundo a amiga, o médico Wilson Ernest Garlaz Jara teria aplicado duas anestesias na funkeira. Uma local, e vendo que o medicamento não havia surtido efeito, ele aplicou uma segunda anestesia, a geral.

Antes de se submeter ao procedimento, Fernanda teria feito exames de sangue e um risco cirúrgico. Os documentos teriam sido entregues na clínica.

"Procure saber para quem vocês vão entregar suas vidas"

Ainda muito abalada pela perda da amiga, Janine faz um apelo para quem quer fazer modificações no corpo.

— Peço para as pessoas avaliarem antes o tipo de procedimento que vão fazer. Procurem saber para quem você vai entregar sua vida. Quem é o médico, quem é a clínica, porque o barato custa caro. Às vezes a gente tem um sonho para realizar que acabava virando pesadelo. É o caso da Fernanda. Era o grande sonho da vida dela (fazer o procedimento estético) e acabou se tornando um pesadelo — conta a DJ, que vai além:

— Esse procedimento levou a vida dela. Veja direitinho, procure saber, porque a vida é uma só e temos que ter muito cuidado.

Janine diz que quer justiça pela morte da amiga.