Americanizada, F-1 tenta rejuvenescer para ganhar público

LUCIANO TRINDADE
Folhapress
***ARQUIVO***AUSTIN, ESTADOS UNIDOS, EUA, 03.11.2019: Largada do Grande Prêmio dos Estados Unidos de Fórmula 1, no Circuito das Américas. (Foto: Leanne Boon/Action Plus/DiaEsportivo/Folhapress)
***ARQUIVO***AUSTIN, ESTADOS UNIDOS, EUA, 03.11.2019: Largada do Grande Prêmio dos Estados Unidos de Fórmula 1, no Circuito das Américas. (Foto: Leanne Boon/Action Plus/DiaEsportivo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Construí um restaurante cinco estrelas e estão transformando ele em um McDonald's."

A frase dita por Bernie Ecclestone, em 2017, um ano após ele ter vendido o controle da F-1 para o grupo Liberty Media, diz respeito à transformação pela qual a categoria passou nos últimos anos. Antes aristocrática, a competição tenta se tornar uma franquia global de entretenimento.

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Sob o comando do nova-iorquino Chase Carey, 65, executivo que construiu parte de sua carreira atuando como diretor da Fox Broadcasting, a F-1 mudou estratégias e sua comunicação para tentar rejuvenescer seu público.

"Eles [jovens] querem espetáculo, e não nos esforçamos para mostrar isso antes [da Liberty assumir]", diz Carey.

A Liberty então passou a implementar ações semelhantes às experiências oferecidas pelas ligas de esportes americanos, como NBA, NFL e MLB, nas quais as partidas são antecedidas por shows e atrações interativas para mexer com o público.

No último sábado (9), os organizadores do GP Brasil promoveram um tributo a Ayrton Senna no Ibirapuera. O evento contou com a participação dos ex-pilotos Felipe Massa e Emerson Fittipaldi.

"O esporte tem que criar entretenimento e contar histórias", afirma o professor de marketing esportivo do Mackenzie, Anderson Gurgel. "A F-1 precisava sair do modelo aristocrático, europeu, de homens de meia-idade, e buscar um modelo de entretenimento como fazem os americanos. Antes de tudo, o esporte tem de ser divertido".

A Liberty também passou a investir em produção de conteúdo, sobretudo para as redes sociais, algo que Ecclestone admitiu ter abandonado. "Nunca me convenci desse tipo de comunicação, porque não acredito que isso dá uma boa contribuição à F-1."

Os americanos têm visão diferente. Desde 2017, a categoria passou a produzir conteúdo para Youtube, Twitter e Instagram. O canal no site de vídeos teve um salto de seguidores: de 260 mil em janeiro daquele ano para pouco mais de 3 milhões atualmente.

"Com as redes sociais e o streaming, há um outro comportamento de quem consome mídia. Não temos mais uma audiência linear, a TV deixou de pautar a vida dessa nova geração", diz Marcio Zorzella, vice-presidente de mídia da agência Dentsu Aegis Network. "Tudo que acontece antes e depois do evento é tão importante quanto a transmissão", completa.

Para atender essa demanda, a categoria lançou no ano passado a F1 TV Pro, plataforma de streaming que transmite corridas, treinos e conteúdos exclusivos. 

Disponível em seis países, incluindo os EUA, o serviço tem acesso limitado no Brasil e no Reino Unido, apenas com conteúdo extras, devido a contratos com canais locais.

Os direitos de transmissão por TV geram US$ 600 milhões (R$ 2,4 bilhão) por ano à F-1, segundo à Forbes.

Consultada pela reportagem, a Globo, dona dos direitos no Brasil, diz que a média de audiência deste ano é de nove pontos, um a mais do que o mesmo período em 2018. "Desde 2012, a média final das temporadas não é superior a este índice", destaca.

No último GP Brasil, Interlagos teve o seu maior público desde 2010. Ao longo dos três dias de F-1 foram 150.307 espectadores, mesmo sem pilotos do país na categoria.

A F-1 terá mudanças em seu regulamento a partir de 2021. A principal será o limite de gastos para as equipes. O valor será de US$ 175 milhões (R$ 700 milhões). 

Antes, para 2020, o GP do Vietnã entra no calendário. Os americanos pretendem levar a categoria para o que chamam de "cidades de destino", como Miami, Las Vegas e Londres, além de chegar ao continente africano.

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