Amazon é acusada de criar perfis falsos para defender empresa no Twitter

Redação Finanças
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Um porta-voz da Amazon disse à BBC que a conta @AmazonFCDarla não era uma embaixadora oficial
Um porta-voz da Amazon disse à BBC que a conta @AmazonFCDarla não era uma embaixadora oficial
  • Amazon recebeu acusações parecidas nos anos de 2018 e 2019

  • Empresa quer evitar que seus funcionários formem um sindicato

  • Boa parte dos perfis falsos já foram derrubados pelo Twitter

A Amazon vive um clima de tensão com seus funcionários, que acusam a empresa de ser um lugar com condições de trabalho degradantes. Para se defender, a gigante varejista estaria usando perfis falsos no Twitter para alegar que é um bom ambiente de trabalho e atacar sindicatos que pedem melhorias na empresa.

A maioria das contas que elogia a Amazon foi feita há apenas alguns dias, geralmente com apenas alguns tweets, todos relacionados à empresa. “O que mais me incomoda nos sindicatos é que não há possibilidade de cancelar as quotas”, tuitou um usuário sob o apelido @AmazonFCDarla.

“A Amazon cuida muito de mim”, acrescentou ela. Outra conta - que mais tarde mudou sua foto de perfil depois que foi revelada ser falsa - disse: “Os sindicatos são bons para alguns casos, mas eu não quero ter que desembolsar centenas por mês apenas para advogados!”.

Um porta-voz da Amazon disse à BBC que a conta @AmazonFCDarla não era uma embaixadora oficial, nome para funcionários reais que são pagos pela empresa para promovê-la e defendê-la no Twitter. “Parece que esta é uma conta falsa que viola os termos do Twitter”, disse o porta-voz. “Pedimos ao Twitter para investigar e tomar as medidas adequadas.”

Boa parte dos perfis falsos já foram derrubados pelo Twitter, mas, acredita-se que essa estratégia não seja inédita e já tenha sido usada em outras ocasiões em que a Amazon recebeu acusações parecidas nos anos de 2018 e 2019.

Entenda as acusações

A Amazon está enfrentando denúncias de seus funcionários nas últimas semanas nos EUA e Reino Unido, iniciado por um processo de uma ex-funcionária por condições precárias de trabalho. Entre as reclamações estão a negativa de pausas para almoço e salários mais baixos.

O processo de Lovenia Scott, que trabalhava em um depósito da Amazon na Califórnia (EUA), começou em fevereiro deste ano e motivou outras denúncias contra a gigante das vendas, como por exemplo empregados sendo obrigados a fazer xixi em uma garrafa, para evitar "perder tempo" indo ao banheiro.

Neste momento, milhares de trabalhadores do depósito na cidade de Bessemer (EUA) decidem se vão se sindicalizar ou não. Caso a sindicalização seja acordada, isso pode encorajar outros funcionários a fazerem o mesmo, fortalecendo uma rede para exigir direitos trabalhistas.