Amanda Nunes descarta mudança de categoria no UFC: "Quero ver a Cyborg campeã"

Rigel Salazar

Depois de protagonizar uma temporada perfeita em 2016, Amanda Nunes foi eleita a melhor lutadora do ano na última sexta-feira (3) no ‘MMA Awards’, premiação conhecida pelos fãs como ‘Oscar do MMA’. E não faltaram razões para isso. Afinal, com três triunfos em cards que quebraram a marca de um milhão de pay-per-views vendidos, a brasileira fechou o ano com chave-de-ouro ao nocautear Ronda Rousey em sua primeira defesa de cinturão, garantindo uma fase tão boa na carreira que ela própria se apressou em cogitar subir de categoria e lutar como peso-pena (66 kg). Cenário que agora foi descartado por ela própria.

De férias no Brasil, onde aproveita para visitar familiares e amigos, além de cumprir uma agenda oficial do UFC para promoção de seu título e do evento programado para o próximo sábado (11), em Fortaleza, Amanda já faz planos para a próxima temporada. Campeã incontestável dos galos (61 kg), a baiana garante o desejo de defender seu posto mais vezes e deixar a divisão de cima a cargo da compatriota Cris ‘Cyborg’.

“Não tenho a intenção de lutar com a Cris. Minha intenção era lutar com elas [Holly Holm e Germaine de Randamie], que eram da minha categoria. Mas a Cris está voltando e com isso não tenho interesse de subir. Ela vai ser campeã, quero ver ela campeã. Para lutar com ela teria que fazer trabalho de subir de peso e ganhar massa muscular. Eu já sou uma 135 pounds [peso-galo] pequena. Para fazer um trabalho desse eu precisaria de no mínimo um ano. Um trabalho de ganha de massa e de força”, garantiu em conversa com a reportagem da Ag. Fight por telefone.

A mudança no discurso da ‘Leoa’ parece baseada na oportunidade que se abria em sua carreira. Afinal, flagrada pela USADA (agência americana de controle antidoping) em um exame em dezembro, Cyborg foi suspensa provisoriamente e na época da disputa do título inaugural dos penas era dada como carta fora do baralho. E ao ver duas atletas de sua categoria subindo de peso, Amanda pensou em fazer o mesmo e colecionar mais um título para seu currículo.

No entanto, Cris foi inocentada após dois meses de análise de seu caso, quando conseguiu comprovar que precisava de um tratamento médico para conter os sintomas de depressão causados pelos drásticos cortes de peso antes de seus combates. A partir daí, a divisão recém-criada no UFC voltou a contar com seu nome, o que deve garantir a migração de futuras rivais de outras organizações de olho na chance de enfrentar a atleta. O que não é o caso de Amanda.

“Isso foi o que eu falei [na época]: ‘Essa categoria é da Cris, mas ela caiu no antidoping’. Daí subiram duas meninas do 135 pounds. Uma vinha de duas derrotas e a outra nem no ranking estava. Subiram as duas pelo cinturão e a campeã [Germaine de Randamie] é a menina que eu já venci. Pedi para subir porquê eu posso ser campeã em duas categorias. O meu ponto de vista é que eram duas atletas da minha categoria e porque a Cris não estava na jogada na época”, garantiu.

Curiosamente, ao fechar a porta para uma mudança de peso, a campeã se vê agora em uma situação curiosa. Com revanche confirmada com a russa Valentina Shevchenko apesar da data ainda não estar confirmada], a quem venceu em março de 2016, Amanda pode ter problemas para encontrar rivais a julgar pela atual situação do ranking de sua divisão.

Depois de Valentina, Ronda, Julianna Pena, Holly Holm e Cat Zingano são nomes que perderam suas últimas lutas, enquanto que as americanas Raquel Pennington e Sarah McMann parecem com pouco apelo para gerar interesse suficiente do público para garantirem sua chance. A última delas, por sinal, foi nocauteada pela brasileira no primeiro round quando se cruzaram no octógono pela primeira vez.

“Não sei, precisaria ver mais para frente. A McMann está vindo bem. Venci ela, mas agora ela vem de três vitórias seguidas. Se colocarem ela para mais uma e ela vencer,pode ser ela sim.Mas vai saber né? Se o UFC quiser agora colocar ela contra a Valentina para ver quem luta comigo eles marcam. Eles podem fazer oq ue quiserem e a gente nem sabe o que acontece [risos]”, finalizou.

*A entrevista completa com a campeã vai ao ar ainda nesta semana.