Alta demanda, pouco cuidado: funcionário dos Correios relata falta de condições de trabalho

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Sindicato dos Trabalhadores dos Correios pediu que a Vigilância Sanitária inspecione 13 agências (Foto: Nelson Almeida/AFP via Getty Images)
Sindicato dos Trabalhadores dos Correios pediu que a Vigilância Sanitária inspecione 13 agências (Foto: Nelson Almeida/AFP via Getty Images)

O número de postagens feitas nos Correios aumentou entre 30% e 40% no período das pandemias. É um serviço considerado essencial e, por isso, não parou em meio à crise do coronavírus. No entanto, o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios denuncia que empregados estão trabalhando sem as devidas medidas de segurança: não há máscaras, álcool gel, luvas e a distância segura não é respeitada.

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O Sindicato pediu para que a Vigilância Sanitária inspecione 13 unidades dos Correios para verificar as condições de trabalho. Entre elas, está o Centro de Distribuição Domiciliária do Capão Redondo, na Zona Sul da capital paulista.

A unidade já tem cinco funcionários diagnosticados com Covid-19 e outros sete afastados sob suspeita. Outros, que apresentam sintomas e tiveram contato com os infectados, seguem trabalhando.

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“Está complicado trabalhar dessa forma no Capão Redondo, porque não tem EPI (equipamentos de proteção individual) contra o coronavírus. E ainda estão colocando pessoas para trabalhar sábados, domingo e feriados”, denuncia um funcionário da unidade. Ele preferiu não se identificar com medo de sofrer represálias da empresa.

O homem ainda conta que, no Capão Redondo, há apenas uma funcionária da limpeza para uma unidade onde trabalham 70 pessoas.

A demanda de trabalho está muito alta, segundo o funcionário. “As pessoas estão em casa e estão comprando, porque os Correios não fizeram nenhum plano de ação. É um serviço essencial, nós sabemos, mas teria que fazer uma campanha para que as pessoas só postassem coisas importantes essenciais”, sugere.

Na opinião do funcionário, remédios, máscaras, doações de alimentos deveriam ser prioridade. Além disso, ele acredita que seria importante fazer um rodizio de funcionários: um grupo trabalha 15 dias e fica em casa nos 15 dias seguintes. Isso ajudaria na segurança dos funcionários da unidade e também permitiria que a distância entre os funcionários fosse respeitada.

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No dia 24 de março os Correios publicaram uma série de medidas que deveriam ser tomadas. Entre elas, “autorizar, inicialmente, por 15 dias, o trabalho remoto para os empregados que tenham deficiência imunológica por qualquer motivo, cardiopatias, doenças respiratórias crônicas, diabéticos e pessoas com mais de 60 anos, além de gestantes e lactantes, bem como aqueles empregados que coabitam com pessoas do grupo de risco”.

Após os 15 dias, funcionários tiveram de voltar ao trabalho, mesmo morando com pessoas no grupo de risco. “Somos pessoas de baixa renda, não temos moradia enorme para separar quarto, banheiro para cada pessoa, não tem como fazer isso. O mínimo que a empresa poderia estar fazendo pela gente é dar álcool em gel, máscara, luva para gente trabalhar”, desabafa o funcionário.

Douglas Melo, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios defende que a unidade seja fechada momentaneamente, até que fique comprovado que todos os funcionários estão livres de coronavírus.

Para ele, o funcionamento da unidade põe em risco não só os trabalhadores, mas também a população, que recebe tudo aquilo que é postado e entregue pelos carteiros.

Em nota, os Correios afirmaram que os relatos citados na matéria não procedem e que a unidade Capão Redondo tem recebido álcool em gel 70% e não houve falta desde o início da pandemia. Além disso, a unidade também teria recebido máscaras em dois lotes, “para que fossem fornecidas duas unidades por empregado”. Leia a noite na íntegra:

“Não procedem os relatos citados na matéria. A unidade tem recebido álcool em gel 70% e não houve falta desde o início da pandemia. Além disso, recebeu máscaras em dois lotes, para que fossem fornecidas 2 unidades por empregado.

Entre as medidas de proteção aos empregados adotadas pela estatal, destacam-se: o envio de orientação a todos os empregados quanto aos cuidados básicos de higiene; a disponibilização de álcool gel 70% e de máscaras para os carteiros, operadores e atendentes, bem como a intensificação de procedimentos de higienização e limpeza do ambiente e equipamentos. Haverá, ainda, a antecipação da vacina contra gripe para todos os empregados.

As orientações da empresa relacionadas ao afastamento de empregados em casos suspeitos de COVID-19 permanecem válidas. A estatal está acompanhando a situação de saúde do empregado, prestando o apoio necessário, e também atuando para garantir o bom funcionamento das atividades operacionais.

Os Correios estão seguindo a determinação do Decreto nº 10.282/2020 da Presidência da República, que define os serviços postais como essenciais. A empresa está atenta à proteção de empregados e clientes, com protocolos operacionais e profiláticos já disseminados.”

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