Grande revelação no atletismo, Alison Brendom se prepara para voar em Tóquio-2020

Alison nos Jogos Pan-Americanos de Lima. (Foto: Wagner Carmo/CBAt)
Alison nos Jogos Pan-Americanos de Lima. (Foto: Wagner Carmo/CBAt)

Por Marcelo Laguna (@MarceloLaguna)

Poucos atletas viveram uma temporada 2019 tão especial quanto o paulista Alison Brendom dos Santos. Com apenas 19 anos e ainda competindo na condição de juvenil, o atleta nascido em São Joaquim da Barra brilhou também entre os adultos, em uma prova altamente complexa, os 400 metros com barreira. Pois ele já colocou uma final de Mundial em seu currículo, recentemente em Doha (QAT), e já fez desabar sua melhor marca pessoal nada menos do que sete vezes no ano. Acha muito? Pois saiba que há quem preveja um futuro ainda mais brilhante em 2020 para o atleta do Pinheiros.

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“Do mesmo jeito que era uma realidade para nós ele chegar à final do Mundial de Doha, temos consciência de que é possível ele ser finalista olímpico e novamente melhorar seu tempo”, admite o treinador Felipe de Siqueira, que há dois anos trabalha junto com Alison.

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A previsão de Siqueira não é feita ao acaso. Até porque ele mesmo não previa uma ascensão tão veloz como a que seu pupilo teve em 2019. No final do ano passado, ele terminou com a marca de 49s78 como melhor resultado nos 400 m com barreira. Menos de doze meses depois, já ostenta 48s28 nesta prova, tempo alcançado na final do Mundial. Foi a sétima vez que ele conseguiu baixar o tempo na distância.

“Ele tem uma facilidade impressionante para entender a prova. Estamos cansados de ver atletas talentosos, mas que não têm o entendimento completo da prova, comprometimento, cuidados extra pista. Isso ele tem de sobra e é muito importante. O Alison consegue desenvolver bem o que faz no treino tanto numa competição juvenil quanto numa competição como um Pan-Americano ou o Mundial. Esse foi o grande diferencial dele neste ano”, disse o treinador.

O próprio Alison – ou Piu, como é chamado pelos amigos mais próximos – reconhece que tudo vem acontecendo muito rápido em sua carreira. “Quando começou a temporada, o Mundial de Doha não estava na nossa programação. Mas depois que corri 48s84 no GP Brasil, passou a ser um objetivo para vir e correr bem”, disse Alison, após se classificar para a final em Doha. Nesta prova, o sétimo lugar poderia representar um sentimento de frustração. Mas não foi isso que aconteceu.

“O que a gente espera é que o atleta sempre faça o melhor resultado na principal competição. Sabemos que melhorando o resultado em uma final, por exemplo, o credencia a brigar pela medalha. Este ano, o Alison conseguiu fazer isso, se mantendo focado e concentrado para os momentos em que mais precisou”, afirmou Siqueira.

Maturidade precoce

Alison nos Jogos Pan-Americanos de Lima. (Foto: Wagner Carmo/CBAt)
Alison nos Jogos Pan-Americanos de Lima. (Foto: Wagner Carmo/CBAt)

Mas não é apenas o talento natural que explica a grande fase de Alison Brendom dos Santos. Alto (1,98 m) e magro (75 kg), tem o biotipo ideal para uma prova que exige muita técnica e ao mesmo tempo bastante velocidade, além de coordenação para superar as barreiras distribuídas ao longo da pista. “São vários fatores que influenciam. É algo que vem do atleta, a própria formação familiar e a própria iniciação esportiva”, explicou o treinador Felipe de Siqueira. Ele acredita ainda que a própria carreira universitária de Alison contribui neste processo.

“Ele está cursando fisioterapia e isso ajuda muito. Tudo que é ligado à parte de recuperação pós-treino, cuidados fora da pista, todas as coisas ajudam que ele entenda o processo de como construir um resultado. Você acaba se deparando em situações durante a prova isolada ou em uma competição completa”, explica o treinador.

A própria precocidade no esporte também vem ajudando a consolidar sua carreira. Com apenas 14 anos, Alison foi selecionado pelos professores da escola onde estudava, em São Joaquim da Barra, para participar do projeto criado por Edson Luciano Ribeiro, duas vezes medalhista olímpico no revezamento 4 x 100 m.

Em pouco tempo, conseguiu bons resultados nos 400 metros rasos e nos 400 m com barreira. Em 2017, participou do revezamento 4 x 400 m misto que foi campeão mundial sub-18 no Quênia. No ano seguinte, já na prova que adotou como a preferida, foi bronze no Mundial de Tampere, na Finlândia, quando cravou 49s78.

Alison, por sinal, tem uma explicação bem singular para justificar a opção pelos 400 m com barreira. “No atletismo, não é você quem escolhe a prova, é a prova quem escolhe você. Eu me dei bem nesta prova, venho correndo bem, não tem por que mudar”, resume o corredor.

Drama pessoal

A mesma maturidade que demonstra em busca de marcas cada vez melhores Alison também apresenta ao encarar um drama que lhe deixou marcas profundas. Com apenas dez meses de idade, sofreu um acidente doméstico, quando uma panela de óleo quente cair sobre ele. O incidente lhe deixou cicatrizes na cabeça e no corpo. O que poderia ser um trauma para um adolescente acabou se tornando um fator de motivação.

“O acidente acabou dando mais maturidade para o Alison. À medida com que ele foi conquistado os resultados, este fato começou a ser muito explorado, especialmente pelo lado da superação dele. O que acaba surpreendendo é como ele consegue encarar tudo isso, apesar da pouca idade. Ele conversa muito bem sobre o assunto e todo este processo certamente o tornou uma pessoa mais madura também”, explicou Felipe de Siqueira.

Por tudo isso, o treinador não se surpreenderá se Alison Brendom estiver alinhando entre os finalistas nos 400 m com barreira em Tóquio, no ano que vem. E sem sentir a pressão de estar em sua primeira final olímpica. “Ele consegue reproduzir muito bem na competição o que faz nos treinos. E faz ainda melhor na competição. A gente sabe que a pouca idade às vezes pode influenciar no momento da prova. A gente é ser humano. Mas essa pressão eu vejo mais como uma motivação do que como uma cobrança. Se ele conseguir chegar à final fazendo o seu melhor tempo, vai brigar por medalha”, acredita Siqueira.

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