Algoz do Brasil, Bélgica mantém base e integra lista de favoritas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois da Copa do Mundo de 2018, Tite reviu o duelo com a Bélgica, ao menos, cinco vezes. O técnico ainda lambe as feridas pela derrota do Brasil nas quartas de final.

"Foi nosso melhor jogo na Copa em termos de desempenho", disse em recente entrevista à Folha. Apesar do revés por 2 a 1, ele insiste que não faria nada de diferente. "Para mim, quem ganhou foi a Bélgica, pela grande qualidade que tem."

A vitória sobre o Brasil, porém, até hoje é o único grande feito daquela que ficou conhecida como a "ótima geração belga". Na fase seguinte, o time perdeu para a França a chance de disputar uma final pela primeira vez.

A equipe ao menos derrotou a Inglaterra na disputa pelo terceiro lugar e registrou sua melhor campanha.

Foi o segundo Mundial do elenco liderado por Thibaut Courtois, Kevin De Bruyne, Eden Hazard e Romelu Lukaku. Em 2014, no Brasil, o grupo caiu um pouco antes, nas quartas de final, diante da Argentina.

A boa notícia para o técnico Roberto Martínez, que está no cargo desde 2016, é que ele vai contar novamente com a base da, de fato, boa safra da Bélgica na disputa da Copa do Mundo no Qatar.

Ainda que a presença de Lukaku no ataque seja incerta neste momento, pois ele se recupera de lesão na coxa esquerda, a convocação dos demais pilares do plantel está garantida.

Dessa forma, Martínez conseguirá manter uma estrutura tática semelhante à que levou os belgas a vencer o Brasil na Rússia. Como formação base, a equipe tem uma defesa com três zagueiros, com um desenho inicial que pode ser um 3-4-2-1 ou um 3-4-3.

O treinador gosta de iniciar suas jogadas a partir dos defensores. Outra característica do time é ter um ala que apoia mais o ataque e outro que volta para ajudar na defesa.

A principal marca, porém, está no meio de campo, onde atua o meia Kevin De Bruyne, o cérebro da equipe. Foi ele quem fez o segundo gol contra o Brasil. Antes, Fernandinho havia marcado contra. No fim, Renato Augusto só conseguiu descontar para os brasileiros.

Novas peças se juntaram ao experiente elenco, como o jovem Charles de Ketelaere, 21, do Milan (ITA), e Leandro Trossard, 27, em ótima fase no Brighton (ING). A dupla de novatos fará sua estreia em Copas do Mundo e representa o sopro de renovação do elenco já pensando nos próximos anos.

Nas Eliminatórias, o plantel belga obteve sua classificação com certa facilidade, liderando com boa folga o Grupo E. Na Liga das Nações, porém, não conseguiu passar para a fase final, superado pela Holanda.

A falta de bons resultados contra seleções do primeiro escalão da Europa fez a Bélgica perder a dianteira no ranking da Fifa. Depois da Copa do Mundo de 2018, a equipe de Roberto Martínez liderou a lista durante a maior parte do ciclo até o Mundial no Qatar.

Em maio deste ano, porém, o Brasil voltou à primeira posição, depois de quase cinco anos fora do topo da lista. A Bélgica ainda está bem cotada. Aparece em segundo, à frente da Argentina. Já a França, atual campeã mundial, aparece em quarto.

Na Copa do Mundo, é esperado que os belgas tenham vida relativamente tranquila na primeira fase, já que estão numa chave com Croácia, Marrocos e Canadá. Os desafios devem aumentar a partir do mata-mata, quando Espanha e Alemanha estão entre os rivais que podem cruzar seu caminho nas oitavas de final.

O técnico Roberto Martínez está confiante. E promete que sua equipe vai brigar pelo título. "Todos podem ter certeza, minha única vontade e desejo é que vejamos a Bélgica o mais forte possível na Copa do Mundo. Quero deixar os fãs o mais orgulhosos possível", afirmou.