Alex merecia mais moral na seleção? "Ninguém jogava o que eu estava jogando", afirma

Goal.com

"Faltou Copa?" é uma das perguntas mais recorrentes que são feitas para Alex. Dono de uma carreira gloriosa e ídolo por quase todos os lugares onde passou, o meia foi certamente um dos jogadores mais talentosos de sua geração. Mesmo assim, nunca recebeu tal protagonismo na seleção brasileira.

Com 49 partidas com a camisa da amarelinha, o jogador não esteve presente em nenhuma Copa do Mundo. Em 1998, ainda muito jovem, estava no começo de sua carreira pelo Palmeiras e foi preterido, mesmo tendo sido eleito melhor jogador do Campeonato Paulista e líder de assistências do Brasileirão naquele ano.

No entanto, as maiores polêmicas ficam para 2002 e 2006. No ano do penta, fica até difícil criticar qualquer decisão tomada por Felipão, mas muitos afirmam que o meia poderia ter tido um lugar naquela seleção: ele já era presença certa em todas as convocações, tinha sido destaque com Vanderlei Luxemburgo e parecia garantido na lista. Parecia.

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'Participei de tudo. Joguei todas as eliminatórias. Copa América, Confederações, Pré-Olímpico, Amistosos. Vejo jogadores que jogaram Copa do Mundo com um terço dos meus jogos na seleção. Tem gente que diz que não joguei no mesmo nível em clube e seleção, mas entrava muito no segundo tempo. Fui o cara da seleção só com Luxemburgo." declarou Alex na live.

Alex - Palmeiras (2002)
Alex - Palmeiras (2002)

Já consagrado após ter sido o principal jogador de várias conquistas do Palmeiras, voltou ao Verdão para, na sua cabeça, ter sua vaga garantida na Copa de 2002 - e acabou marcando um de seus gols mais famosos. No entanto, acabou perdendo a vaga para Kaká depois de um amistoso diante da Islândia. Em entrevista concedida a UOL, não escondeu a mágoa com seu ex-treinador, que supostamente havia dito que o convocaria.

Meses depois, chegou no Cruzeiro, onde viveu, talvez, o melhor ano de sua carreira em 2003. Foi um dos principais jogadores do time que marcou época e foi considerado, por muito tempo, o melhor ano de um clube brasileiro do século. Na Copa das Confederações daquele ano, não conseguiu tempo de jogo e viu do banco de reservas a eliminação brasileira na primeira fase.

"Em 2003 ninguém jogava o que estava jogando. Sai de Belo Horizonte no dia 13 de junho, uma manhã depois de vencer a Copa do Brasil. Participei de todos os gols do Cruzeiro na final. Estava pensando em ser titular, jogando muito, tudo dava certo. Quando cheguei em Paris, para jogar a Copa dos Confederações, o Parreira me colocou no banco." continuou.

"Parreira disse: 'vou utilizar o entrosamento entre Gil, Kléber e Ricardinho'. Eu sobrei. Na função era o melhor do momento, mas jogou o Ricardinho. Joguei bem contra os EUA, sai substituído, mas satisfeito. Entro no segundo tempo contra a Turquia, vou bem, faço gol, por coerência quem deveria jogar seria eu, mas escolheu outros por preferências." terminou Alex.

Daí pra frente, as oportunidades ficaram ainda mais escassas. Chegou a ser campeão da Copa América de 2004 como titular e capitão da equipe, mas se aposentou da seleção forçadamente em 2005, pouco menos de um ano antes da Copa do Mundo de 2006, depois de uma goleada de 3 a 0 contra a Venezuela pelas eliminatórias.

Já no Fenerbahçe naquele ano, vinha de uma sequência tendo sido escolhido duas vezes como melhor jogador do Campeonato Turco. Em 2006, inclusive, chegou a ser eleito 20º melhor jogador do mundo na eleição da Fifa, mas mesmo assim, não recebeu uma vaga na Copa.

Alex de Souza Fenerbahce 2005
Alex de Souza Fenerbahce 2005

Os meio-campistas ofensivos convocados para a famosa seleção de 2006 foram Zé Roberto, Ronaldinho, Juninho Pernambucano e Ricardinho. Mesmo que fique complicado tirar qualquer um dos quatro, é tão difícil quanto optar por deixar Alex de fora.

Em 2010, já mais veterano, quando ainda voando na Turquia, nem ficou entre os 30 pré-convocados por Dunga. Se aposentou em 2014, com um currículo invejável. Mesmo assim, uma questão ainda fica. A seleção poderia ter tido mais sucesso se tivesse apostado no meia por mais tempo?

"Não tem discussão, aconteceu desse jeito e pronto. O importante é que eu tenho consciência de ter feito um bom trabalho. Joguei bem e mal várias vezes, por clube e seleção. Paciência."

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