Alemanha reencontrará velha algoz Itália nas quartas da Eurocopa

Esqueça que são oito títulos mundiais em campo. Apesar da tradição de ambas as seleções, Itália e Alemanha possuem um registro curioso em partidas oficiais. Nunca os alemães saíram de campo vencedores quando o jogo diante dos italianos valia por um grande torneio.

Foi assim nas cinco partidas pela Copa do Mundo e nas três pela Eurocopa. O máximo que a Alemanha consegue frente a Itália é um empate. A “freguesia” é uma das maiores envolvendo as grandes seleções, mas a verdade é que os jogos entre estes dois times não são tão frequentes assim.

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O primeiro jogo é datado em janeiro de 1923 e a Itália levou a melhor com o placar de 3-1. Cevenini, Santamaria e Migliavacca marcaram os gols azzurri neste encontro. Oficialmente, o primeiro duelo entre as duas seleções ocorreu em 1962, pela Copa do Mundo: um empate em 0-0. Naquela altura, os italianos eram bicampeões e a Alemanha ainda desfrutava da sua entrada no grupo dos vencedores, pelo título em 1954.

Por amistosos, a Itália leva vantagem ao vencer 11, empatar seis e perder oito para os germânicos. A freguesia se estende a qualquer exibição envolvendo os dois. Não que isso tenha impedido os alemães de golearem os carrascos em março deste ano, pelo placar de 4-1. Mas as coisas estão imprevisíveis para o jogo de sábado, que vale uma vaga para as semifinais da Eurocopa.

Mas que tal relembrar os jogos que realmente valeram alguma coisa? Em todos eles, a Itália venceu.

A semifinal de 1970


O primeiro deles, que figura no grupo dos maiores jogos das Copas, aconteceu em 1970, nas semifinais. O calor do México estava insuportável, mas Itália e Alemanha não se importaram. O placar de 4-3 foi por si só memorável. No tempo normal, Boninsegna abriu os trabalhos aos oito minutos. A Itália administrava a vantagem quando Schnellinger empatou aos 45 do segundo tempo. A prorrogação veio acompanhada de um caminhão de gols: Gerd Müller virou, mas Burgnich empatou de novo. Riva fez o terceiro antes do intervalo do tempo extra. Müller marcou outro e deixou tudo igual, mas Rivera resolveu e marcou o quarto para a Squadra Azzurra, encerrando um verdadeiro drama que se estendia no estádio Azteca, na Cidade do México.

A final de 1982: tricampeonato com folgas


Depois de eliminar o Brasil e a Argentina no triangular semifinal, a Itália chegou confiante para a decisão frente os alemães. Rossi, Tardelli e Altobelli marcaram os gols de um verdadeiro baile em Madrid. Breitner diminuiu para os alemães, mas foi muito pouco. Uma atuação segura e que em nenhum momento pareceu que poderia ser vencida pelos alvinegros. Itália tricampeã, consagrando uma geração desacreditada que se classificou com três empates para a segunda fase.

Semifinal de 2006: castigo aos mandantes


Jogando em casa na Copa de 2006, a Alemanha estava engrenando sob o comando de Jürgen Klinsmann, mas pegou o velho algoz na semifinal. Como a maioria destes confrontos, o equilíbrio marcou os 90 minutos. Não tivemos grandes chances até o começo da prorrogação. Mas aí, as coisas melhoraram e os times passaram a procurar mais o gol. Mesmo cansados, os dois adversários ofereceram um bom jogo. Grosso e Del Piero, nos dois minutos finais do segundo tempo extra, deram aos italianos o gostinho de jogar mais uma decisão. E o resto é história.

Eurocopa 2012: o show de Balotelli


A Alemanha chegou com muito favoritismo para o duelo e pela boa campanha na primeira fase. A Itália não empolgava e chegou dependendo da genialidade de Pirlo e dos gols de Balotelli. Quando a bola rolou para a semifinal da Eurocopa de 2012, todos os prognósticos foram para o ralo: Balotelli fez dois gols, aos 20 e aos 36, enterrando as chances dos alemães. No fim do jogo, Özil diminuiu nos pênaltis, mas não houve esboço de reação. Outra vez os italianos ganhavam confiança para a decisão. No entanto, a Espanha não teve pena e fez 4-0 no placar, sagrando-se bicampeã.

O que esperar do jogo de 2016?

A Alemanha é favorita novamente. Por ser campeã do mundo e ter grandes jogadores como Kroos, Müller e Gomez, a equipe de Joachim Löw é mais confiável. O que pode mudar o resultado é a capacidade defensiva da Itália. Sem falar na determinação, que fez desta geração fraca um adversário que amassou a Espanha nas chances que teve. Na técnica, a Alemanha tem tudo para ficar com a vaga, mas o histórico e a garra dos azzurri devem pesar neste caso.

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