Alemanha espera recuperação de Neuer para apagar vexame de 2018

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A última grande imagem de Manuel Neuer em uma Copa do Mundo foi já nos acréscimos da partida contra a Coreia do Sul, em 2018, aos 48 minutos, quando o goleiro foi desarmado por Ju Se-jong na intermediária do campo de ataque, onde tentava ajudar sua equipe a evitar um vexame.

Um minuto antes, a Alemanha já havia sofrido um gol de Kim Young-Gwon e perdia por 1 a 0. Nem mesmo um empate evitaria a queda dos alemães. Mas a bola perdida por Neuer sacramentou a eliminação.

Com um lançamento do campo de defesa, Ju Se-jong fez Son-Heung min disparar até a grande área, onde chegou livre para fechar o placar: 2 a 0.

Nunca os alemães haviam caído na fase de grupos do Mundial. A pior campanha até então tinha ocorrido em 1938, quando o torneio era disputado em mata-matas desde o início. Na ocasião, caíram na segunda partida, diante da Suíça.

O resultado na Rússia foi uma marca muito negativa para a geração liderada por Neuer, sobretudo pelo favoritismo carregado após a conquista da Copa de 2014, no Brasil, com direito a 7 a 1 nos anfitriões.

Até 2018, nas quatro Copas disputadas no século 21, a equipe sempre chegou à semifinal. Além do título em solo brasileiro, teve dois terceiros lugares e um vice, este diante do Brasil na Copa de 2002, na edição realizada na Coreia do Sul e no Japão.

Deixar o trauma vivido em solo russo para trás e voltar a brigar pelo título é o grande objetivo da Alemanha no Qatar. Mas os obstáculos já começaram a surgir bem antes da disputa.

A menos de um mês do início do torneio, Neuer ainda não sabe se poderá participar do Mundial. Há pouco mais de duas semanas, o goleiro vem se recuperando de um hematoma no ombro.

Por enquanto, o técnico Hans-Dieter Flick não garante a presença dele. "Eu não parto do princípio de que ele não poderá jogar o Mundial, parto do princípio de que conseguirá fazê-lo. Mas, infelizmente, eu não sou vidente", disse.

No Bayern de Munique, o goleiro de 36 anos tem sido substituído por Sven Ulreich. Na seleção, Ter Stegen foi o titular no último compromisso, quando a Alemanha empatou por 3 a 3 com a Inglaterra pela Liga das Nações —o confronto foi quase um amistoso de luxo, já que os ingleses estavam rebaixados para a Liga B, e os alemães não conseguiam mais brigar por vaga na semifinal.

Apesar de o duelo não valer muita coisa para ambos os lados, a Inglaterra saiu de campo mais satisfeita, uma vez que os alemães chegaram a abrir 2 a 0 no placar, mas permitiram o empate.

Nas Eliminatórias, o elenco dirigido por Flick foi mais eficiente. Com nove vitórias e somente uma derrota em dez jogos, 36 gols marcados e apenas quatro sofridos, classificou-se com certa tranquilidade no Grupo J.

A Alemanha foi a primeira nação a garantir sua presença na Copa de 2022 após o país-sede.

No Oriente Médio, pela primeira vez desde 2004, a comissão técnica alemã não vai contar com Joachim Löw. Auxiliar de Jürgen Klinsmann no Mundial de 2006 e treinador principal nas Copas de 2010, 2014 e 2018, Löw deixou a equipe em agosto de 2021, substituído por Flick.

O novo comandante se manteve fiel às características que os alemães apresentam há anos, incorporando um futebol baseado em posse de bola e um estilo atraente.

Ao mesmo tempo, ele acrescentou o seu toque pessoal que os fãs admiravam durante seu tempo no comando do Bayern de Munique. O técnico gosta de valorizar a flexibilidade em todas as posições.

Apesar de contar com uma boa safra de novos talentos, como Havertz, Sané e Musiala, o comandante considera muito importante esperar pela recuperação de Neuer.

Além de tudo o que o goleiro representa para a equipe nacional, a habilidade que ele tem de jogar com os pés o torna uma peça fundamental no esquema alemão.

Mesmo com a falha na Copa do Mundo de 2018, ele não deixou de ser idolatrado em seu país.