Dirigentes alemães fingiram ser turistas e pagaram guarda para ver Firmino

Marcus Alves
·4 minuto de leitura
LIVERPOOL, ENGLAND - JULY 11: Roberto Firmino of Liverpool looks on prior to during the Premier League match between Liverpool FC and Burnley FC at Anfield on July 11, 2020 in Liverpool, England. Football Stadiums around Europe remain empty due to the Coronavirus Pandemic as Government social distancing laws prohibit fans inside venues resulting in all fixtures being played behind closed doors. (Photo by Clive Brunskill/Getty Images)
História de Firmino poderia ser muito diferente se não fosse pela insistência de dirigentes alemães (Clive Brunskill/Getty Images)

LISBOA (PORTUGAL) - Peça fundamental de um Liverpool que pôs fim ao jejum de 30 anos sem ganhar a Premier League, Roberto Firmino é hoje reverenciado em Anfield e tem o seu nome cantado pelos torcedores. A sua história, no entanto, poderia ter tomado um caminho muito diferente e talvez nunca ter lhe permitido cruzar o oceano e se firmar na Europa. Um episódio foi fundamental para que tudo virasse realidade: a insistência de dirigentes alemães que se negaram a ir embora antes de vê-lo treinar no Figueirense.

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Para isso, eles se mostraram dispostos até mesmo a pagar uma espécie de propina a seguranças que vigiavam a entrada do estádio Orlando Scarpelli.

Naquela altura, em 2010, Firmino já era um jogador cujo nome circulava no mercado europeu, atraindo o interesse de clubes como o Arsenal e PSV Eindhoven. Os dois chegaram a prometer o envio de uma carta convite para que ele treinasse em suas dependências, mas jamais mandaram o documento.

No fim das contas, o Olympique de Marselha foi o único a dar um passo à frente, conseguindo que ele passasse um mês em teste. Posteriormente, os franceses se recusaram, contudo, a pagar a multa rescisória para que o garoto alagoano ficasse em definitivo.

A negativa abriu caminho para que Firmino disputasse a Série B com o Figueirense e se destacasse, chamando a atenção do Hoffenheim. Em plena ascensão na Bundesliga, a equipe decidiu enviar o seu então diretor esportivo, Ernst Tanner, para conferir o atacante de 19 anos de perto. Ao todo, o cartola viajou duas vezes até o Brasil naquela temporada: em setembro e novembro.

Ele esteve prestes a desistir do negócio.

Segundo Tanner, muito em função do calendário brasileiro naquele ano, agravado, sobretudo, pela disputa da Copa do Mundo da África do Sul nos meses de junho e julho. Com uma partida atrás da outra, era praticamente impossível ver uma sequência do Figueirense.

“Fui duas vezes ao Brasil e, sendo sincero, foi muito complicado conseguir uma ideia precisa do potencial do Firmino porque ele não atuava com regularidade. E eu recordo também que, com o Mundial em 2010, eles tiveram uma pausa no meio do ano e você sabe como o calendário é apertado por lá, com jogos aos sábados, domingos e depois aos sábados de novo”, conta Tanner ao Yahoo Esportes.

“No meio disso tudo, eles precisavam fazer as viagens, então, foi muito difícil até mesmo observá-lo num treino. Mas a gente conseguiu entrar um dia no estádio para vê-lo trabalhando”, prossegue.

“Estávamos mais ou menos vestidos como turistas e tivemos que dar um dinheiro para o cara que estava na porta liberar nosso acesso. Houve uma determinada parte da atividade em que eu realmente cheguei à conclusão: ‘OK, esse é o tipo de jogador que queremos’. E tinha a certeza que, ao menos, ele viria com a mentalidade correta, querendo aprender”, continua.

“O que nós vimos naquele treino foi muito melhor do que em qualquer jogo. Foi por isso que tomamos a decisão de contratá-lo. Nós já havíamos enviado antes um olheiro, mas o relatório dele não havia sido nada positivo. Então, nossa iniciativa de trazê-lo foi baseada, de certa forma, no que eu vi naquele dia com os portões fechados”, completa.

No final daquela campanha com o Figueirense, após oito gols em 36 jogos, Firmino foi eleito a revelação da Série B e arrumou as malas para o Hoffenheim.

Tanner, que viria a trabalhar depois no Red Bull Salzburg e agora se encontra no Philadelphia Union, viu a sua apostar vingar, deixando para trás a resistência que havia internamente.

“Naquela época, era muito difícil ir atrás de brasileiros no Hoffenheim por causa dos fracassos recentes antes do Firmino. A gente teve o Maicosuel, que não se encaixou, o Fabiano, que teve o mesmo destino, e ainda o Wellington, que foi um desastre financeiramente. Resumindo, foram dois grandes sucessos com o Luiz Gustavo e Carlos Eduardo e depois três exemplos negativos seguidos”, conclui.

Firmino trocou os alemães pelo Liverpool durante a Copa América de 2015, no Chile, se tornando desde então uma figura adorada no norte da Inglaterra.

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