Alan Ruschel explica saída da Chape: 'Pessoas me viam como sobrevivente'

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Alan Ruschel durante jogo do Brasileirão de 2017 (Alexandre Loureiro/Getty Images)
Alan Ruschel durante jogo do Brasileirão de 2017 (Alexandre Loureiro/Getty Images)

Por Ricardo Assis (@RicardoWAAssis)

Com 30 anos recém completados, o gaúcho Alan Luciano Ruschel tem uma carreira marcada pela superação. Com grande identificação com a Chapecoense, o lateral/meio campista auxiliou a equipe na subida para a Série A e na histórica campanha que culminou com o título da Copa Sul-Americana 2016. Um dos sobreviventes do Voo Lamia 2933, Alan conseguiu superar os problemas físicos e o trauma psicológico para voltar a atuar em alto nível.

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Quase três anos após o acidente, o atleta agradeceu o apoio da família e amigos durante a reabilitação e se diz totalmente recuperado tanto do ponto de vista físico e psicológico e pronto para atuar regularmente: “A minha retomada contou com um pouco de tudo, tudo é difícil. Mas no futebol, se você está com a cabeça no lugar, tem tudo para que as coisas andem bem. A minha vontade de me preparar para voltar a jogar tinha que ser maior do que a minha vontade de jogar. Eu tinha que estar bem na minha cabeça para conseguir me preparar bem. O psicológico muito forte juntamente com o apoio da minha família e meus amigos contou muito para que eu pudesse voltar.”

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No entanto, o período de recuperação foi longo e, segundo Ruschel, muitos já não o viam como atleta profissional. Desse modo, acabou perdendo espaço e não vinha tendo muitas oportunidades em campo. Buscando atuar com maior regularidade, Alan viu na transferência para o Goiás a oportunidade perfeita para retomar a carreira: “A minha saída da Chapecoense foi para buscar novos ares, para mostrar também que não dependia da piedade de ninguém, porque acho que muita gente me via como um sobrevivente e não mais como um atleta. Lá, eu estava jogando pouco e não estava conseguindo mostrar que realmente havia voltado às minhas condições. Apesar de ter jogado Sul-Americana, Campeonato Brasileiro e Libertadores, muita gente que não acompanha o futebol de Chapecó, não me via como um atleta “normal”. Estou feliz com esse novo desafio que eu mesmo busquei, feliz com a confiança de muitos aqui. Vou fazer de tudo no Goiás para que a minha carreira volte a decolar.”

Para Alan Ruschel, a confiança depositada por Ney Franco, atual técnico do Goiás, foi essencial para que ele abraçasse esse novo desafio. “O Ney Franco foi um cara que me ajudou muito na Chapecoense, foi um cara que chegou e acreditou muito no meu trabalho e no meu perfil de atleta. Na chegada dele aqui no Goiás, ele precisava de um perfil assim, então ele foi fundamental na minha vinda pra cá. O melhor jeito de agradecer a ele e retribuir a confiança é dando o meu melhor a cada jogo e a cada treino para que eu possa ajudar quando ele achar necessário.”

Apesar dos trinta anos de idade, essa será apenas a segunda experiência do atleta fora do Sul do país. Segundo Alan, o apoio do treinador e o fato de já ter atuado com diversos atletas do Goiás, facilitará a sua adaptação: “(...) Tive muitas experiências no Sul do país, agora no centro-oeste estou tentando me adaptar o mais rápido possível, até pela situação do clima, mas acredito ter de tudo para fazer um bom restante de temporada. Já conheço o treinador e alguns atletas do elenco, então tem tudo para dar certo e eu estou muito feliz com esse novo desafio.”

Com sete pontos de vantagem para zona de rebaixamento, o Goiás vem fazendo uma campanha acima do esperado no Brasileirão e no momento está se classificando para a Sul-Americana de 2020. Alan, no entanto, mantém os pés no chão e acredita que o objetivo principal ainda é a manutenção da equipe na Série A. “Justamente por ter subido na temporada passada, o principal objetivo do Goiás é permanecer na elite, inclusive por ainda estar se adaptando novamente à série A do Campeonato Brasileiro. Começou muito bem e espero que tenha uma sequência boa, vou fazer de tudo para ajudar. Vamos por metas: assim que conseguirmos alcançá-las, pensamos no restante da temporada. É claro que sempre vamos buscar algo mais e maior, o clube tem capacidade pra isso, tem atletas para que consiga coisas grandes dentro do campeonato, mas vamos dar um passo de cada vez.”

Além dos objetivos coletivos, o atleta tem algumas metas pessoais que busca atingir ainda neste ano, e acredita que, com o coletivo funcionando, o seu talento individual também irá aparecer: “O meu principal objetivo aqui é conseguir jogar o maior número de jogos possível, fazer um bom ano juntamente com o clube. Acredito que se o Goiás conseguir ficar numa boa posição na tabela do Campeonato Brasileiro, o individual vai aparecer. Então estou me dedicando para estar preparado e jogar todos os jogos que puder para me destacar aqui também.”

Passando a limpo seus 12 anos de carreira, Alan Ruschel também elencou seus jogos mais marcantes. “Tenho vários jogos na minha cabeça como os principais. O meu primeiro jogo como profissional, o meu primeiro gol marcado com a camisa do Juventude, com a camisa da Chapecoense, do Internacional... todos têm o seu valor. Porém o mais marcante da minha carreira com certeza foi o jogo contra o Barcelona, que foi a minha retomada, foi o jogo em que o mundo parou para assistir depois de tudo o que aconteceu. Não tem como esse jogo não ser o mais marcante por tudo o que ele envolveu.”

Com energia de garoto e “muita lenha para queimar”, Alan Ruschel se vê pronto para retomar sua carreira no Goiás e sonha em disputar títulos nacionais: “Eu tenho muitas coisas para realizar ainda dentro do futebol, sonho alto. Tenho 30 anos recém completados e muita lenha pra queimar ainda. Tenho o sonho de disputar títulos nacionais. Tem muita coisa para acontecer, tenho muito o que contribuir com o futebol e quero ser esse exemplo bom pra muita gente que me acompanha e que torce por mim. Ainda vou sofrer muito dentro do futebol, assim como também vou ter muitas alegrias, ainda tem muita coisa para acontecer. Minha carreira está só começando.”

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