Conheça o time da cidade chechena que já foi a mais destruída do planeta

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Estádio do Akhmat Grozny, time checheno (Fábio Paine)
Estádio do Akhmat Grozny, time checheno (Fábio Paine)

Por Fábio Paine

Em 2003, Grozny foi considerada pela ONU a cidade mais destruída do planeta. Resultado das duas Guerras da Chechênia, entre os anos de 1994 e 1996 e 1999 e 2009.

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Dezesseis anos depois de receber tal status, a cidade russa localizada no Cáucaso vive em paz, com ruas limpas, novas atrações turísticas, entre elas uma das maiores mesquitas da Europa, e um povo disposto a dar às boas vindas aos estrangeiros, como pôde notar o Yahoo Esportes em viagem recente ao local.

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E no esporte tem em um clube de futebol o seu principal representante e motivo de orgulho, o Akhmat Grozny. Conhecido como Terek Grozny (em referência a um rio que passa pela região) de 1958 até 2017, teve seu nome alterado para homenagear Akhmat Kadyrov.

Ele foi líder da Chechênia entre 5 de outubro de 2003 e 9 de maio de 2004, data em que morreu vítima de um atentado à bomba durante uma parada em comemoração ao fim da Segunda Guerra Mundial. Seu filho Ramzan Kadyrov é o atual líder da Chechênia e o manda-chuva do clube.

Na festa apara celebrar a mudança, Ronaldinho Gaúcho esteve presente e o brasileiro Léo Jabá, ex-Corinthians e atualmente no PAOK (GRE), marcou o primeiro gol do clube com o novo nome em triunfo por 1 a 0 sobre o Amkar Perm.

O Akhmat em que pese não estar em um grande centro como Moscou ou São Petersburgo tem conseguido se manter firme e fazer campanhas decentes na primeira divisão russa.

Na temporada 2019/2020, completará 12 anos seguidos na elite, tendo neste período registrado como melhor resultado o quinto lugar em 2016/2017. Para se ter uma ideia, neste período o tradicional Dínamo de Moscou chegou a ser rebaixado e equipes que disputaram a primeira divisão como Tosno, Amkar Perm e Kuban Krasnodar fecharam as portas por falta de dinheiro.

Mais de uma década antes, em 2003, quando estava na segunda divisão, o então Terek conseguiu o seu maior feito. Venceu a Copa da Rússia e disputou a Copa da Uefa.

Atualmente o clube conta com uma excelente estrutura, um moderno Centro de Treinamento e um estádio inaugurado em 2009 com capacidade para 30.597 espectadores. Foi lá que o Egito fez vários de seus treinos durante a Copa do Mundo de 2018.

Na fachada, há duas grandes fotos. Uma de Akhmat Kadyrov, a outra do presidente russo Vladimir Putin.

Fachada do estádio tem fotos de Akhmat Kadyrov e do presidente russo Vladimir Putin (Fábio Paine)
Fachada do estádio tem fotos de Akhmat Kadyrov e do presidente russo Vladimir Putin (Fábio Paine)

Na temporada 2018/2019 da Liga Russa, que terminou no domingo e na qual acabou em oitavo lugar, teve média de 10.523 torcedores. Mas um detalhe. Em nenhum jogo é cobrado ingresso. Basta chegar e entrar no estádio. Uma medida para estimular a torcida a comparecer e apoiar o time.

No jogo em que a reportagem esteve presente, empate em 1 a 1 com o Zenit – que garantiu o título ao time de São Petersburgo, foram cerca de 13 mil os presentes.

Empolgados os torcedores locais cantam bastante e em que pese ser uma região muçulmana na qual até andar de bermuda pelas ruas não é bem aceito, as mulheres marcam presença sem nenhum tipo de problema e não precisam ficar em setores separados dos homens.

O grito tradicional é “Akhmat Cila”, que traduzindo para o português significa “Força Akhmat”.

No elenco atual são dois os atletas brasileiros, os meias-atacantes Ismael Silva e Ravanelli. O zagueiro Rodolfo atuou na temporada 2018/19 e anunciou sua aposentadoria. Foi convidado para trabalhar como dirigente,

“Temos uma estrutura muito boa. Em dois anos que estou aqui no Akhmat eu jamais tive qualquer problema de atraso de salário ou qualquer outra dificuldade. É tudo muito certinho”, afirma Ismael, de 24 anos.

A uma rodada do fim, o Akhmat ocupa a nona colocação, com 39 pontos, e tem chances de acabar em sétimo. Seu resultado mais expressivo no torneio foi a vitória de 2 a 1 sobre o Spartak atuando em Moscou.

“Nós temos ambição sim. Infelizmente não tivemos um bom começo de campeonato, perdemos pontos importantes em casa. Mas claro quer sonhamos com vagas em competições europeias, fazer frente aos grandes”, analisou.

Ismael contou que Ramzan Kadyrov está sempre presente aos jogos na Chechênia e se encontra com os atletas ou no hotel onde se hospedam ou no vestiário.

“Temos uma boa relação com ele, profissional. Ele sempre procura falar com todos”, disse Ismael em relação ao líder conhecido por governar a Chechênia com mão de ferro.

Ele é o responsável pelo principal aporte financeiro com verba pública. O clube conta com o patrocínio da Fundação Akhmat e também apoios de um banco e de uma empresa de metalurgia. Os uniformes são confeccionados pela Adidas.

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