Ainda é cedo para falar em 'Neymardependência' no Barcelona

Felipe Portes
Foto: AP/Manu Fernandez

No primeiro jogo após a goleada incrível contra o Paris Saint-Germain na Liga dos Campeões, o Barcelona foi sem Neymar para enfrentar La Coruña no Riazor. E perdeu uma partida sem brilho por parte de seus destaques.

Muito se falou na imprensa brasileira que o time sentiu a falta do brasileiro (grande destaque da virada histórica diante do PSG), mas se analisarmos a temporada do Barça como um todo, isso não é bem verdade.

Ao todo, o Barcelona já fez 45 jogos na temporada. Em 34 deles, Neymar estava presente. O número geral do clube é de 31 vitórias, oito empates e seis derrotas. O brasileiro tem o cartel de 23 vitórias, seis empates e cinco derrotas, anotando 14 dos 129 gols do time até o momento.

Portanto, sem Neymar em campo, o Barça conseguiu oito vitórias, dois empates e uma derrota. A diferença de aproveitamento é muito pequena: 73,53% com Neymar e 78,78% sem. Isso ajuda a explicar que, sim, ele tem um peso muito maior do que se pensa na equipe, mas não é exatamente preponderante para uma vitória.

Não é como se o Barcelona estivesse invicto até o momento do jogo de domingo. O fato a ser levado em conta na equação não é exatamente um número de Neymar, mas sim a sua grande importância nas ações ofensivas do time e no papel decisivo que ele executa durante as partidas. Sem ele, certamente os catalães teriam sido eliminados da Liga dos Campeões. Afinal, Neymar arrumou dois gols e uma assistência nos minutos finais contra o PSG e foi o grande responsável pela reviravolta no Camp Nou.

Espera-se que ele seja protagonista mais vezes, especialmente quando Messi e Suárez não brilham tanto. Vale lembrar que os dois estiveram em campo ontem contra La Coruña e não marcaram gols. O único tento do Barça na partida foi anotado por Denis Suárez, no começo do segundo tempo. Sem tanta força de vontade para virar outro jogo, o time de Luis Enrique acabou refém do alçapão no Riazor, limitado pela marcação dos mandantes e pela objetividade na forma como eles subiam ao ataque. Não foi o mesmo espírito apresentado no meio de semana pela Champions e isso acabou custando a liderança do Espanhol.

Neymar vai impactar positivamente a equipe quando retornar e isso é mais do que natural para um jogador de tamanha técnica e talento como ele. A tendência é que a disputa do Espanhol volte a ficar mais acirrada nas próximas rodadas e que o Real Madrid não dispare como fez na primeira metade. E enquanto isso, também podemos esperar que Messi, Suárez e os outros atletas titulares se portem de acordo com a expectativa.

É natural que em dado momento a concentração falhe ou que outro adversário seja mais eficiente no que propõe, mas de forma alguma é natural um elenco como o do Barcelona perder para La Coruña em momento tão decisivo da temporada. Podemos dizer que os jogadores ainda estavam nas nuvens depois do milagre de quarta-feira. A ressaca ajuda a explicar (não é a única razão) a falta de combatividade no Riazor, não só a ausência de Neymar. Além do que, não podemos desconsiderar o partidaço feito pelos galegos nos 90 minutos. Nem sempre o gigante perde, existem grandes vitórias dos pequenos também.