África teme efeitos de nova variante do coronavírus encontrada no continente

Alma Preta
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TOPSHOT - A patient with the COVID-19 breaths in oxygen in the COVID-19 ward at Khayelitsha Hospital, about 35km from the centre of Cape Town, on December 29, 2020. - The patents in this ward are not critically serious, but do require oxygen and to lie down.  South Africa has become the first African nation to record one million coronavirus cases, according to new data published by the country's health ministry on December 27, 2020.  Currently suffering a second wave of infections, of which the majority are a new variant of the coronavirus, South Africa is the hardest hit country on the African continent. (Photo by RODGER BOSCH / AFP) (Photo by RODGER BOSCH/AFP via Getty Images)
TOPSHOT - A patient with the COVID-19 breaths in oxygen in the COVID-19 ward at Khayelitsha Hospital, about 35km from the centre of Cape Town, on December 29, 2020. - The patents in this ward are not critically serious, but do require oxygen and to lie down. South Africa has become the first African nation to record one million coronavirus cases, according to new data published by the country's health ministry on December 27, 2020. Currently suffering a second wave of infections, of which the majority are a new variant of the coronavirus, South Africa is the hardest hit country on the African continent. (Photo by RODGER BOSCH / AFP) (Photo by RODGER BOSCH/AFP via Getty Images)

Texto: Nataly Simões

Uma nova variante do novo coronavírus foi encontrada na África do Sul e deixou os países do continente africano em alerta pelo risco de sobrecarregar seus sistemas de saúde. As autoridades já estão preocupadas com o aumento no número de casos de Covid-19, observado nos últimos meses.

Desde o início da pandemia, o continente africano registrou mais de 2,5 milhões de casos de Covid-19 e aproximadamente 60 mil mortes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 47 países africanos contabilizam uma média de 46 mil novos casos por semana desde outubro. A África do Sul nesta semana chegou à marca de 1 milhão de infectados.

Ado Mogammed, diretor de questões de saúde do G8 (grupo dos oito países mais desenvolvidos), afirmou que a nova variante do vírus foi detectada, de fato, no continente e reiterou a importância das medidas de distanciamento social. “A segunda variante está aqui. As pessoas têm de assumir a responsabilidade e cumprir as medidas, mas continuam a ir a casamentos, eventos, igrejas e mesquitas. Apertam as mãos, não aderem ao distanciamento social e não usam máscaras”, disse, em entrevista ao site DW.

A nova variante encontrada no país sul-africano é chamada de 501.V2 por cientistas que rastrearam a genética do vírus SARS-COV-2, causador da Covid-19. A variante foi identificada pela primeira vez na Baia Nelson Mandela, nas proximidades da costa leste do país, e se espalhou rapidamente para outros distritos.

A 501.V2 preocupa as autoridades por estar associada a uma maior carga de transmissão. Além disso, a variante é diferente de outras que já circulam no continente africano em razão das mutações de uma proteína chamada Spike, que o vírus usa para contaminar células humanas. Segundo as autoridades sanitárias, mais de 80% dos novos casos reportados no país sul-africano são da nova variante do vírus.

A África do Sul é responsável por cerca de um terço dos casos do novo coronavírus na África. Em julho, o país registrava aproximadamente 14 mil novos casos por dia. Nos últimos dias, o número de novas infecções diárias voltou a subir para quase 8 mil, conforme estimativa da Universidade John Hopkins.

Espera pela vacina

Ainda são incertas as informações se as vacinas que já são aplicadas nos Estados Unidos e em diversos países da Europa e de outras regiões do mundo podem proteger contra a nova variante encontrada na África do Sul. Segundo a CNN, as empresas AstraZeneca, BioNTech e Moderna disseram nesta semana que esperam que suas vacinas funcionem contra a variante do Reino Unido, por exemplo. Essa é diferente da encontrada no país sul-africano.

Medidas implementadas pelos países africanos desde o início da pandemia reduziram os impactos da Covid-19 no continente, mas a economia de países como a África do Sul já foi comprometida em 2020. A esperança está na imunização, embora a própria OMS ainda não sabe informar quando o continente africano iniciará os processos de vacinação devido à falta de infraestrutura.