Advogados afirmam que Rosell liderou toda a operação de Neymar

Neymar foi recebido por Sandro Rosell ao chegar ao Barcelona em 2013. Foto: Josep Lago/AFP via Getty Images
Neymar foi recebido por Sandro Rosell ao chegar ao Barcelona em 2013. Foto: Josep Lago/AFP via Getty Images

Nesta segunda-feira (31) os advogados do DIS e da Federação de Atletas do Brasil apresentaram suas conclusões no julgamento da contratação de Neymar pelo Barcelona.

Em sua longa apresentação, argumentaram que os réus cometeram os crimes de fraude por simulação contratual e corrupção entre particulares. Os advogados disseram que Neymar queria "ficar atrás" para pular os contratos que havia assinado e usou "a ganância do Barcelona para conseguir pagar menos do que realmente valia" por toda a operação de transferência.

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Por tudo isto, pediram ao juiz "uma pena severa tendo em conta que há penas de um ano e meio de prisão por fraudar o Tesouro de 20.000 euros".

A promotoria queria deixar claro que Sandro Rosell foi a pessoa que idealizou toda a operação. Em sua declaração na sexta-feira passada, o ex-presidente do Barça disse que estava simplesmente se limitando a colocar os limites econômicos na negociação.

“Rosell foi responsável e assinou todos os contratos; ele idealizou e participou das negociações”, disse o advogado, referindo-se às declarações do ex-presidente durante a investigação em que disse textualmente: “Liderei a liderança do Conselho de Administração. Eu sou o líder. Também entrei na negociação."

Sobre o crime de corrupção, o advogado do DIS reiterou o conceito de suborno pelo qual o Barcelona teria impedido o mercado livre de contratar Neymar pagando-lhe 40 milhões para rejeitar qualquer oferta de outro clube.

"Eles queriam que não houvesse concorrência para não pagar a cláusula de 65 milhões e impedir que ela fosse para o maior lance." E ressaltou que a cobrança do empréstimo de 10 milhões de euros (como adiantamento desses 40) ocorreu dez dias antes da final do Mundial de Clubes entre Santos e Barcelona.

"Eticamente não é aceitável." A defesa falou em assinar prêmio, mas os advogados da DIS rejeitam esta tese alegando que "há um prémio de transferência quando esta transferência ocorre, não antes; e de facto o prémio de transferência real está contemplado no contrato de transferência no valor de 8,5 milhões e sob conceito de prémio de contrato".

Os outros dois contratos em questão são aqueles para a disputa de dois amistosos e os direitos de preferência sobre três jogadores. Na primeira, o advogado questionou se realmente havia sido buscada uma data para a disputa da partida no Brasil, como afirmaram os réus e testemunhas nos dias anteriores.

Baseia-se em e-mails internos de Barcelona que só começam a procurar datas depois que o DIS aparece no caso. "É evidente que eles começaram a fazê-lo alertados por este fato." Sua tese é que os 4,5 milhões que o jogo custou fizeram parte do pagamento do preço de transferência para, desta forma simulada, evitar o pagamento de 40% correspondente ao DIS por ter os direitos econômicos.

Quanto ao contrato de direitos preferenciais, a promotoria interpreta que se trata de um contrato fictício alegando que o diretor esportivo do Barcelona na época, Andoni Zubizarreta, disse que não tinha conhecimento dos três jogadores para quem esse direito de preferência foi assinado. E também que era um acordo que não tinha as considerações normais em contratos desse tipo.