Adriana Behar quer melhorar Superliga e vôlei de praia após decepção olímpica

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em seu primeiro ano como CEO da CBV (Confederação Brasileira de Voleibol), Adriana Brandão Behar, 52, buscou uma série de mudanças para tirar a Superliga de uma crise. Viu, porém, a entidade ser cobrada pelo desempenho decepcionante nos Jogos de Tóquio, especificamente do vôlei de praia e da seleção masculina na quadra.

"A gente fez uma boa Liga das Nações, onde o masculino foi campeão e, por alguns detalhes, uma bola dentro ou alguma coisa, se perde [em Tóquio]. O nível da competição é muito alto, com países muito fortes", diz Adriana Behar à reportagem.

No Japão, a seleção brasileira, sob comando do técnico Renan Dal Zotto, terminou em quarto lugar. Forte candidato a brigar pelo título olímpico, o time masculino perdeu a semifinal para Rússia, de virada, por 3 sets a 1. Na decisão pelo bronze, a equipe foi superada pela Argentina por 3 a 2.

"Óbvio que pelo histórico do Brasil, de sempre trazer medalha, a expectativa é muito alta. Faz parte do jogo essa concorrência, e a competitividade é excelente para o esporte mundial. Não me preocupo com o resultado [dos Jogos], mas sim com o trabalho a longo prazo. Como ter mais atletas, formarmos um plantel cada vez maior e com qualidade", completa.

O tombo maior no Japão foi do vôlei de praia. As duplas brasileiras ficaram de fora do pódio pela primeira vez desde que a inclusão da modalidade nas Olimpíadas, em Atlanta-1996. São 13 medalhas conquistadas desde então, ao menos duas por edição até 2021.

Alison, companheiro de Álvaro, fez um desabafo contundente após a eliminação nas quartas de final. "O Brasil ganhou medalha de ouro em 2016 e não mudou nada, não teve investimento, ficou tudo parado, do mesmo jeito, menos etapas [circuito nacional], esperando Alison e Bruno [Schmidt, seu parceiro no ouro], como foram Ricardo e Emanuel."

Segundo Adriana, a entidade fez reajuste no calendário nacional do vôlei de praia, que a partir de 2022 voltará a ser anual. A decisão foi tomada para se alinhar com o calendário de competições internacionais estabelecido pela FIVB (Federação Internacional de Voleibol).

Medalhista de prata nos Jogos de Sydney-2000 e Atenas-2004 ao lado de Shelda, a carioca se dedicou aos estudos após encerrar a carreira de atleta do vôlei de praia em 2008.

Graduada em educação física pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), ela concluiu pós-graduação em gestão de negócios e, antes de chegar à CBV, ocupou cargos de liderança no COB (Comitê Olímpico do Brasil) entre 2011 e 2018.

Após deixar o comitê, ela resolveu fazer cursos nos Estados Unidos e depois recebeu o convite para assumir o cargo de CEO da CBV.

O trabalho à frente da entidade tem sido árduo. Antes mesmo da pandemia de Covid-19, que prejudicou o calendário e agravou a crise financeira, o cenário do voleibol já inspirava cuidados: empresas desistindo de patrocinar as equipes nacionais e, por causa da desvalorização do Real, dificuldades de segurar atletas no Brasil diante de propostas vantajosas do exterior.

Como forma de tentar ampliar o leque de opções de patrocinadores para os times, a entidade obteve, em outubro, uma licença do Banco do Brasil, seu principal parceiro, para que outras instituições financeiras possam investir nas equipes da Superliga a partir da edição 2021/2022. Até então a estatal detinha exclusividade.

Patrocinador da CBV desde 1991, o Banco do Brasil renovou, em agosto, o seu contrato por mais quatro anos e pagará R$ 248,8 milhões, no total, à entidade.

"Essa flexibilização foi feita em prol do voleibol, do mercado, para termos mais parceiros e oportunidades de investimento na modalidade", diz Adriana.

O banco, porém, continua com a sua exclusividade com as seleções nacionais, além do vôlei de praia. O jornal Folha de S.Paulo mostrou, em agosto, que as cúpulas da CBV e do Banco do Brasil ficaram insatisfeitas com o acordo firmado entre a corretora de investimentos XP e alguns atletas, como Lucarelli e Douglas Souza, destaques da seleção em Tóquio.

A XP é parceria do Comitê Olímpico do Brasil e montou um time de embaixadores para divulgar seus conteúdos em mídias sociais.

Outra novidade que a confederação introduziu é dar roupagem diferentes para Superligas masculina e a feminina. Cada torneio, agora, tem a sua logomarca e canais com conteúdo próprio em redes sociais.

Outra novidade está por vir. Segundo Adriana, a entidade deverá receber até dez equipamentos --os dois primeiros chegaram e estão em fase de testes-- para implantar o "desafio" em todos os jogos na Superliga, um desejo de atletas, técnico e torcida.

Trata-se da possibilidade de pedidos à arbitragem para que revise a legalidade ou não de um lance. A expectativa é que a tecnologia seja utilizada em 100% das partidas somente a partir da temporada 2022/2023.

O orçamento da entidade, apresentado em assembleia nesta sexta-feira (17), será de R$ 108 milhões para o próximo ano, o dobro das receitas brutas de 2020, R$ 53 milhões, conforme o balanço contábil publicado em abril deste ano.

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