Adrian Jaoude, o tigre dos ringues de pro-wrestling

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Tiger Ruas em ação no AEW (Foto: AEW)
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Em passagens das mitologias japonesa e chinesa, os seres mais poderosos são o tigre e o dragão. Adrian Jaoude, um dos principais nomes do wrestling (luta olímpica) do Brasil e hoje atuante no pro-wrestling (telecatch para os fãs antigos do Brasil) se movimenta como o primeiro em seus combates e papéis televisivos.

Uma imagem que marca as atuações de “Tiger Ruas”, como Jaoude é conhecido nos ringues, é sua meia lua de compasso, chute giratório da capoeira nocauteando o oponente, deixando-o inerte para ser imobilizado, o árbitro faça a contagem de “três” e é encerrada a apresentação.

Tiger Ruas é conhecido por seu estilo de lutar, seja em combates reais ou nas apresentações coreografadas com fins de entretenimento do pro-wrestling, é agressivo e imprevisível, tal qual um tigre nas florestas asiáticas.

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No wrestling, esporte tradicional dos Jogos Olímpicos, Jaoude fez história pelo Brasil ao obter em 2014 a medalha de prata no torneio internacional Dan Kolov-Nikola Petrov na Bulgária, realização inédita até então para um wrestler (lutador) brasileiro.

Além do wrestling praticou outras modalidades tendo como principais referências o irmão mais velho Antoine Jaoude, um dos principais wrestlers sul-americanos, e o lendário lutador de UFC Marco Ruas além daqueles que abriram seu caminho na nova carreira como os americanos Road Dogg, “X-Pac” Sean Waltman e o “olheiro” Gerald Brisco.

A migração para as lutas de entretenimento muito populares nos EUA, Japão, México e Canadá – e que já foram muito benquistas no Brasil com Ted Boy Marino e Olga Zumbano – se deu de forma natural, aos olhos de leigos como um nascimento por acaso, porém deve se considerar que o atleta se preparava para os desafios da vida por décadas.

Seu ingresso se deu pela principal companhia no mundo do ramo, a World Wrestling Entertainment (WWE) que tem shows transmitidos para o Brasil pela Fox e foi o “berço” de Dwayne “The Rock” Johnson, um dos principais astros da atual Hollywood estrela de filmes como Jumanji e Velozes e Furiosos.

Apesar de ter resultados pré-determinados, os participantes não estão isentos de lesões, traumas ou até mesmo desafios psicológicos além de que para muitos que chegam de outro país há a necessidade de adaptação.

Habituado a lidar com adversidades, inclusive tendo sido dispensado este ano pela WWE, Jaoude ou “Tiger Ruas”, transforma tais obstáculos em trampolins e brilha em outro grande palco, a All Elite Wrestling (AEW), também dos EUA.

Além da pancadaria, Jaoude em paralelo mantém uma carreira como ator sendo que já gravou suas participações no sucesso da Globoplay Arcanjo Renegado que estreará a segunda temporada em 2022.

Mesmo com a agenda lotada, Jaoude concedeu entrevista ao Yahoo Esportes para falar de sua jornada neste caminho do pro-wrestling, os desafios que o mesmo tem para decolar no Brasil, suas expectativas e o início da carreira como ator.

Yahoo Esportes: Você se destacou no wrestling brasileiro e entrou para a WWE. Como foi este processo?

Adrian Jaoude: Em 2014 quando estava na fase final de preparação para Rio 2016, meu irmão Antoine Jaoude recebeu um convite para participar da primeira seletiva que iria definir os participantes do tryout (seletiva mais específica) da WWE (World Wrestling Entertainment) nos EUA.

Então, meu irmão me chamou e fomos juntos participar da primeira etapa que foi conhecer o Mr. (William) Regal e o Mr. Canyon (Ceman), lá fizemos promos que é falar com a câmera e se apresentar.

Deste primeiro momento surgiu o convite para participar do tryout, que foi em 2015 no WWE Performance Center (Orlando, Flórida), e deu tudo certo.

Fomos lá, passamos e depois fui o primeiro brasileiro a assinar com a WWE (desde 2015) porque o Antoine acabou não assinando já que queria mais tempo para se classificar para as Olimpíadas no Rio, e lidar com outras questões; entretanto eu consegui graças à Deus ser o primeiro a assinar.

Você mora nos EUA desde 2015. Como foi a aclimatação? Quais as principais diferenças que sentiu?

Eu moro nos EUA desde 2015, a aclimatação foi excelente. O clima da Flórida não é diferente do clima do Rio de Janeiro, onde eu morava: é quente, tem praias... (respira), é bem legal, porém com algumas diferenças culturais e sociais.

As pessoas aqui dormem muito cedo, já o pessoal no Brasil não dorme tão cedo, o pessoal é muito indoor (de ficar em casa), então você não vê muita gente na rua, você não vê muita gente fazendo as coisas do lado de fora. É uma coisa mais fechada.

E assim, nada demais também, foi uma coisa bem tranquila e fluída.

Como foi sua vivência dentro da WWE?

A minha vivência na WWE foi maravilhosa, eu estive com eles por seis anos nos quais trabalhei aprendi muito, para absorver o que significa o pro-wrestling.

Tive a oportunidade de estar com excelentes nomes, de lutar com lutadores muito bons, famosos e que me ajudaram muito a ser quem eu sou hoje, e cito os treinadores que eu tive: Terry Taylor, William Regal, (Robbie) Brookside, Norman (Smiley).

Muitos treinadores bons, inclusive o próprio Shawn Michaels (um dos principais nomes da história do pro-wrestling), enfim foi uma experiência incrível.

As apresentações de pro-wrestling possuem resultados pré-determinados, mas há um alto número de lesões. O que pode falar desse panorama? Você já teve lesões?

Sim, existem lesões! No pro-wrestling existem lesões. Mas não acredito que o índice de lesões seja muito elevado.

Nestes anos todos, o que tenho visto são algumas lesões, mas nada anormal se comparado a qualquer esporte. Em todos os esportes os atletas se lesionam e isto faz parte da vivência.

Já tive algumas lesões, mas graças à Deus me recuperei de todas, e, sempre que você sai de uma lesão, você se recupera e você quer sempre mais. Então, este é o caminho.

Entre seus apoiadores estão nomes de destaque desta indústria como “Road Dogg” Jesse James e Sean “X-Pac” Waltman. Como lida com este apoio?

Sim, tive a felicidade de encontrar mentores no meu caminho. Em minha vida inteira como praticamente de artes marciais, eu sempre soube que existem mestres em nossa jornada. Os mestres que te ensinam, te mostram o caminho que eles percorreram, vão abrandando seu desenvolvimento, e enfim, vão te guiando por um caminho melhor.

E entre estes mentores que eu tive na WWE foram Road Dogg e “X-Pac” Sean Waltman... (respira).

Eles foram essenciais para me mostrar muitas coisas que o business (ramo) precisa, as coisas das internas por assim dizer, e também como se portar em várias situações que requerem não somente habilidade física e técnica para lutar, mas como também um pouco de conhecimento do business. Graças a eles eu obtive essa oportunidade de poder compartilhar meu caminho com o caminho deles.

Quais são seus pro-wrestlers favoritos? Eles o influenciam de alguma forma?

Tenho muitos lutadores favoritos “Rowdy” Roddy Piper, The Rock (Dwayne Johnson), Ric Flair, Adam Cole, X-Pac, Cody Rhoades... Muitos lutadores bons.

Meus mentores, Road Dogg e X-Pac, sempre adorei ver as lutas deles. Acredito que todos eles me influenciaram e me influenciam até hoje no meu estilo e forma de lutar.

O favorito mesmo, que posso dizer que seja o número um mesmo: Roddy Piper.

E neste grupo cito alguns e o motivo; o próprio X-Pac, o qual lutava muito com chutes e golpes de artes marciais que ele pratica, assisti muitas lutas dele (como aprendizado). O próprio Road Dogg foi muito bom na forma que lutava e como usava a gimmick (personagem e maneirismos) dele.

O The Rock (Dwayne Johnson), não podemos deixar de mencioná-lo, o cara é muito bom no microfone, influenciou muitas gerações e influencia até hoje (no momento é um dos astros mais bem pagos de Hollywood).

Muitos lutadores bons. O Adam Cole é um excelente lutador também (um dos principais nomes da atualidade). O business está repleto de nomes maravilhosos

Não dá pra esquecer Kurt Angle (medalhista olímpico de ouro pelo wrestling em Atlanta 1996), um cara que sempre me influenciou por causa do wrestling, enfim, muitos lutadores...

Agora você se apresenta pela AEW. Como foi sua entrada para esta empresa? O que espera dela?

Estou na AEW agora. Minha entrada se deu por um convite para ir lá participar do AEW Dark (programa de televisão da empresa), no qual fiz uma luta com meu antigo parceiro de duplas Cezar Bononi (ambos formaram dupla na WWE). Foi uma excelente luta e um excelente cartão de visitas.

Agora estou numa sequência vindo de uma excelente vitória, e seguindo em frente, fazendo com que as coisas aconteçam.

O pro-wrestling já teve tempos de glória no Brasil, e no momento ainda há apresentações. O que pode dizer do cenário do pro-wrestling brasileiro?

O pro-wrestling brasileiro está agora acompanhando o cenário de pro-wrestling internacional. Ainda não há muitos fãs no Brasil assim como também não tem muitos lutadores, e principalmente não existem muitas organizações.

Temos a BWF (Brazilian Wrestling Federation), que para mim, é a que mais toma iniciativas para promover eventos e fazer a divulgação do esporte acontecer mesmo no Brasil.

Existem algumas outras promoções (entidades) pequenas, outras empresas pequenas: no Sul tem algumas e no Rio de Janeiro tem outras.

E acredito que quanto mais o esporte for divulgado no Brasil maior será este encontro com os fãs. E com o tempo, o pro-wrestling estará muito bem divulgado no Brasil. Uma questão de tempo.

No pro-wrestling você se apresenta com o sobrenome “Ruas” em homenagem ao seu professor Marco Ruas. Como foi esta escolha? Marco Ruas foi receptivo a esta homenagem?

A escolha do nome “Ruas” se deu por todo um processo criativo no qual acabaram unindo dois nomes; o antigo nome “Arturo Ruas”, ou seja, “Arturo” mais o “Ruas” do Marco Ruas, sendo que “Arturo” vinha do Rei Arthur dos Cavaleiros (da Távola Redonda), eu sempre gostei de cavaleiros.

Coloquei a homenagem de “Arthur” que depois virou “Arturo”, juntou com “Ruas” do Marco, porque sempre admirei meu mestre. E hoje sou “Tiger Ruas” na AEW, também estou lutando como Tiger Ruas nas indies (instituições independentes), meu apelido sempre foi “Tiger”, porque todos dizem que eu luto de uma forma muito agressiva.

O Marco Ruas sempre foi muito receptivo, me mandou mensagem na época falando: “Poxa, agora posso te chamar de sobrinho oficialmente.” Agradeceu em público as honras e tudo mais, ficou super feliz. Me acompanha direto na internet e nos falamos toda hora.

Não vejo a hora de poder visitá-lo na Califórnia, porque é sempre bom poder carregar este nome dele que fez história no vale-tudo e no MMA.

Como foi trabalhar com Josh Barnett no evento Bloodsport 7?

Trabalhar com Josh Barnett foi maravilhoso, uma experiência muito incrível, sempre admirei o Barnett por ser um lutador bem forte e agressivo, já esteve no Brasil várias vezes treinando com a equipe da qual faço parte: Ruas Vale-Tudo.

Lembro na época ele treinando com meu irmão Antoine, treinando com (Renato Sobral) Babalú, e já lutou com Pedro Rizzo.

Foi literalmente a realização de um sonho de estar ali no Bloodsport, eu queria estar no Bloodsport já fazia tempo, e lutar contra ele, que é uma lenda, foi maravilhoso. Foi uma luta muito boa e luta duríssima em homenagem ao Mestre (Roberto) Leitão, nosso mestre de luta-livre (arte marcial brasileira) que faleceu, uma noite sensacional.

Para aqueles que estão lendo esta entrevista e puderem assistir lá, comprar a luta e assistir, digo que será (uma experiência) excelente. Vocês vão gostar muito.

Quais são seus próximos passos no pro-wrestling?

Meus próximos passos no pro-wrestling são continuar levantando a bandeira do Brasil, continuar mostrando que eu sou capaz de apresentar um bom show, entreter as pessoas, levando para os fãs esta combinação de artes marciais e continuar seguindo em frente rumo aos cinturões que estão chegando e continuar cavando e abrindo portas para poder botar o máximo de ouro (cinturões) possível na cintura e nos ombros.

Quantos mais cinturões eu puder carregar, melhor para mim. Este é meu objetivo, ter vários títulos.

No momento você é parte do elenco da segunda temporada de Arcanjo Renegado da Globo Play. Como se deu sua entrada? O que pode falar do seu papel?

Sim, eu participei das gravações do Arcanjo Renegado, segunda temporada, seriado da Globoplay de grande sucesso no Brasil e no mundo agora, e, tive a felicidade de receber o convite do José Júnior do Afroreggae (criador e diretor da série), do qual sempre fui muito fã.

Assisti a primeira temporada e pirei. Começamos a conversar, Júnior e eu, e surgiu o convite de entrar na segunda temporada pela qual estive no Brasil gravando. Foi maravilhoso, duas semanas de gravações intensas e ficou muito legal, não vejo a hora de ir ao ar. Não há uma data prevista, mas será exibido em 2022.

Tive uma experiência incrível ao contracenar com aquele pessoal todo, estar no set, estar do lado dos diretores, do Heitor (Dhalia) e do José Júnior, foi tudo maravilhoso.

Que experiência! Mal vejo a hora de fazer de novo!

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