Adilson Batista: "Cruzeiro vai subir com um pé nas costas"

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Adílson Batista treinou o Cruzeiro, recentemente, e segue o mercado. Foto: Gabriel Machado/AGIF
Adílson Batista treinou o Cruzeiro, recentemente, e segue o mercado. Foto: Gabriel Machado/AGIF

O Cruzeiro foi rebaixado para a Série B do Brasileiro, após sua pior temporada da história na primeira divisão. Na ocasião, muitos problemas foram apontados por pessoas da diretoria e treinadores. Um deles foi Adilson Batista, que assumiu nos últimos três jogos de 2019 e virou o ano como treinador cruzeirense. No entanto, depois de três meses, Adilson acabou sendo dispensado.

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O blog entrevistou Adilson Batista com exclusividade. No bate-papo, causas da queda do Cruzeiro, trabalho, realidade e desafios da carreira no futebol brasileiro.

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Onde você errou no Cruzeiro e com o elenco atual, volta para a Série A?

Volta com um pé nas costas. Se imaginarmos que as contratações foram chegando na quarta, quinta rodada e na última até quando eu trabalhei. O Cruzeiro vai encorpar com mais dois, três jogadores. Não estou lá, mas estou analisando. Vai subir e se a gente analisar que vários clubes estão com dificuldades, o Cruzeiro consegue sobreviver, em relação aos times da Série B. Faltou paciência, organização, questões de reforços, tivemos 13 jogadores na pré-temporada, jogadores entrando na justiça, inúmeros problemas. Tinha lá oito conselhos gestores e nunca tive uma reunião com eles. Você delega o futebol para o Ocimar Bolicenho e não dá poder? Ficamos à deriva. O Cruzeiro não tinha presidente. Fomos prejudicados pela arbitragem em jogos. Estava tudo atrasado, quatro, cinco meses, todo mundo querendo fazer greves. Tenho de cinco a oito anos de casa. Um clube do tamanho do Cruzeiro ter que pedir dinheiro para pagar as contas? Joguei contra o Atlético-MG com time júnior, com sete, oito da base. Por que não disseram que o objetivo sempre foi subir? A casa vai demorar para ser arrumada.

Você acha que só pegou trabalhos “pedreiras” como se diz no futebol?

Não, tem muita coisa boa, que você vai construindo. Tem trabalhos bons, tem outros com dificuldades, tem êxito e insucesso. Mas não dá para colocar no teu currículo dois jogos com o Atlético-GO e você foi rebaixado. Cinco jogos no Athletico e foi rebaixado. Três jogos no Cruzeiro e te consideram como rebaixado. Então, as vezes tem que ter bom senso e calma para analisar as coisas. A gente tem aprendizado e vai crescendo.

Você conseguiu trabalhar em três grandes times de São Paulo num curto prazo de 11 meses. Foi difícil?

No Corinthians, eu confesso que eu errei em carga, modelo, ir pela minha cabeça e manter o que eu estava fazendo no Cruzeiro. Eu queria um time mais rápido, dinâmico, que propusesse mais o jogo. Deveria ter tido um pouco de habilidade, jogo de cintura, manter o que o Mano Menezes estava fazendo, mais conservador. Levei o Thiago Heleno, acabou incomodando alguns atletas lá. Tentei mexer no sistema, acelerei a carga de trabalho, perdi alguns jogadores lá na frente. No Santos, achei injusto e tinha o Muricy livre no mercado. Eles estavam querendo o Muricy. No São Paulo, empatei demais. Quando você está em casa, pensando que não pode errar mais, aí chega o dirigente do São Paulo te convidando, dizendo que você é o cara certo, como você vai falar não? É a grandeza desses clubes, desafios, você tem que enfrentar, não tem que ter medo. Me recordo que o ex-presidente Juvenal Juvêncio me falou: Batista, se não ganhar em Goiânia, não sobe mais as escadas do Morumbi(risos). Foi 3 a 0 contra o Atlético-GO e chutamos três bolas na trave. Na hora que perdemos, caiu.

Com tua identificação no Athletico, aceitarias treinar o Coritiba?

Já conversei uma ou duas vezes com o ex-presidente Vílson Ribeiro, ele sabe que tenho cadeira no estádio, vou torcer pelo Athletico....Aí com cinco minutos, se tiver 0 a 0, os torcedores vão jogar contra. Nem precisa ir, é muito mais prático. Não sou como uma turma aí, fazendo contrato. Se eu fosse ladrão, faria um contrato com multa só para ir lá tomar a multa. Se eu tivesse essa índole, gracas a Deus eu não tenho. Então, sou amigo do Alex, Ademir Alcântara, mas as vezes o torcedor não abraça, não ajuda. Não tem sentido.

Depois que saiu do Cruzeiro, o clube contratou Enderson Moreira como treinador. Adilson segue no mercado, aguardando outros trabalhos. Ele já tinha comandado o Cruzeiro com sucesso de 2009 a 2011, com o vice-campeonato da Libertadores da América e títulos estaduais.

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