Adeus, salto alto: modelo busca igualdade em como homens e mulheres se vestem para trabalhar

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A japonesa Yumi Ishikawa questionou a obrigatoriedade do salto para mulheres (Foto: Getty Images)
A japonesa Yumi Ishikawa questionou a obrigatoriedade do salto para mulheres (Foto: Getty Images)

No começo deste ano, um tuíte em japonês viralizou. Você pode não entender o texto em si, mas, se for mulher, vai se identificar com o que ele representa: é um questionamento sobre o porque mulheres eram, até então, obrigadas a usar saltos altos no ambiente de trabalho, enquanto os homens tinham permissão para usar sapatos de trabalho baixos. 

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A provocação foi feita na rede social pela atriz e modelo japonesa Yumi Ishikawa, que, já no começo de 2019, gerou furor nas redes sociais. Por lá, os padrões de vestimenta em ambientes corporativos são bastante rígidos, muitas vezes reproduzindo ideais machistas. Em profissões nas quais as mulheres lidam diretamente com o público, por exemplo, é comum elas não terem permissão para usarem óculos e a maquiagem é obrigatória. Já para os homens, o mais comum é apenas a obrigatoriedade do terno. 

Com o barulho que fez online, Yumi criou uma petição que arrecadou mais de 18 mil assinaturas e foi entregue ao Ministério do Trabalho japonês, pedindo por uma mudança imediata no dress code para mulheres. Desde então, o órgão respondeu a necessidade de conscientizar as pessoas sobre o assunto - apesar de não explicar como pretende fazer isso -, e algumas grandes empresas de telecomunicação, como a Softbank, anuciaram que estavam suavizando as suas regras de vestimenta.

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A atriz acabou se tornando rosto de um movimento que ganhou o nome de #KuToo. É uma brincadeira com as palavras "kutsu" e "kutsuu", que significam "sapatos" e "dor", respectivamente, em japonês. 

"Quando estava na escola primária, eu não gostava de usar saias. Eu queria poder usar roupas como os meninos, ou falar como eles falavam. Os meus pais brigavam comigo porque eu falava de um jeito mais bruto. Acreditava-se que não era o ideal para meninas. Não é que eu queria ser um menino, mas eu ficava me perguntando: 'Por que eu não posso falar como os meninos?'", disse em entrevista ao The New York Times. 

Há alguns anos, no Brasil, a discussão sobre o dress code no ambiente de trabalho tem sido levantada. Tanto que é comum para empreendimentos mais modernos, como as startups, o look ficar totalmente por conta do próprio funcionário. Aliás, a conversa como um todo começou muito antes disso, na virada do século 21, quando empresas como Google e Apple ganharam o mundo sem exigir um visual praticamente enferrujado de seus funcionários - Steve Jobs, um dos fundadores da Apple, até mesmo ficou conhecido pelo tradicional look que combinava jeans com uma blusa de gola alta. 

A ideia é bem simples, na verdade. Será que uma pessoa é mais ou menos competente só porque usa um terno ou opta por um jeans e tênis ou um vestido e sandália rasteira? Por aqui, o Banco Itaú foi um das empresas tradicionais que decidiu abolir a obrigatoriedade do visual social no dia a dia do trabalho - o incentivo é, apenas, pelo uso do bom senso para reuniões com clientes, por exemplo. 

Yumi explica ao jornal norte-americano que não gostaria de ser definida apenas pela causa que "viralizou"- para ela, o Japão ainda precisa olhar muito para a maneira como lida com homens e mulheres. Segundo ela, abrir o jogo a respeito da sua sexualidade ou fazer fotos sensuais é visto com péssimos olhos pela sociedade japonesa, inclusive sendo usado como justificativa para casos de assédio moral e sexual contra as mulheres que os fazem.

Ainda assim, ela entende porque o caso dos saltos altos ganhou tanta repercussão: diante de uma sociedade tão rígida, encontrar um ponto comum fácil de argumentar e tão cotidiano, de fato, ganha grandes proporções rapidamente. E mais, dá de frente com os padrões de beleza e comportamentos impostos às mulheres não só no Japão, mas no mundo inteiro - principalmente ao fato delas serem consideradas “mais bonitas” usando maquiagens e roupas ultrafemininas, que colocam o foco totalmente na sua aparência ao mesmo tempo que diminui as suas capacidades intelectuais.

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