Acordo diplomático entre Sudão e Israel divide o Oriente Médio

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(COMBO)Sudão e Israel concordaram em 23 de outubro para normalizar as relações, em um acordo mediado pelos EUA para encerrar décadas de hostilidade que foi amplamente saudado, mas despertou a raiva palestina. O anúncio torna o Sudão, tecnicamente em guerra com Israel desde sua fundação em 1948, o quinto país árabe a estabelecer relações diplomáticas com o Estado judeu.
(COMBO)Sudão e Israel concordaram em 23 de outubro para normalizar as relações, em um acordo mediado pelos EUA para encerrar décadas de hostilidade que foi amplamente saudado, mas despertou a raiva palestina. O anúncio torna o Sudão, tecnicamente em guerra com Israel desde sua fundação em 1948, o quinto país árabe a estabelecer relações diplomáticas com o Estado judeu.

Sudão e Israel fecharam um acordo nesta sexta-feira (23) para normalizar suas relações, sob os olhos atentos do presidente americano, Donald Trump, uma aproximação histórica celebrada por aliados do Oriente Médio e duramente criticada pelos palestinos e pelo Irã.

O Sudão é o terceiro país árabe a anunciar desde agosto o estabelecimento de relações com o Estado judeu, depois dos Emirados Árabes Unidos e o Bahrein.

Estas foram as principais reações após o anúncio:

- Estados Unidos -

"GRANDE vitória para os Estados Unidos e para a paz no mundo. Sudão aceitou um acordo de paz e normalizou (sua relação) com Israel", tuitou Donald Trump.

"Temos pelo menos cinco (países árabes) que querem se juntar", disse Trump, em uma conversa por telefone com os primeiros-ministros do Sudão e Israel, pouco depois do anúncio.

- Sudão -

Sudão confirmou na noite de sexta-feira o estabelecimento de suas relações com Israel, o que deve "encerrar o estado de agressão" reinante entre os dois países por muitas décadas, informou a televisão estatal sudanesa.

- Israel -

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou como uma "mudança formidável" a evolução das relações diplomáticas com o Sudão.

"Hoje Cartum disse sim à paz com Israel, sim ao reconhecimento de Israel e à sua normalização com Israel", celebrou Netanyahu, agradecendo os líderes sudaneses e ao presidente americano.

- Palestina -

A presidência palestina condenou e rejeitou o acordo com "o país de ocupação israelense que usurpa terras palestinas".

"Não tem o direito de falar em nome do povo palestino e da causa palestina", afirmou.

Hazem Qasem, porta-voz oficial do Hamas -movimento islâmico no poder na Faixa de Gaza-, criticou com dureza este acordo, classificando-o como "pecado político que prejudica o povo palestino e sua justa causa, prejudica também o interesse nacional do Sudão (...) e só beneficia a Netanyahu".

- Egito -

O presidente Abdel Fatah al-Sisi, cujo país foi o primeiro da região a estabelecer relações diplomáticas com o Estado Judeu em 1979, celebrou "os esforços conjuntos de Estados Unidos, Sudão e Israel para a normalização das relações entre Sudão e Israel".

"Aprecio todos os esforços que buscam uma estabilidade e a paz na região", disse pelo Twitter o líder egípcio.

- Bahrein -

Manama, que acertou em setembro um acordo de normalização de suas relações com Israel, felicitou os dois países por esta "etapa histórica", em um comunicado de seu ministério de Relações Exteriores.

O país reiterou seu apoio ao Sudão "em seus esforços incessantes para a transição até um novo estado de desenvolvimento, progresso e prosperidade e com o objetivo de exercer um papel ativo e construtivo na comunidade internacional".

- Emirados Árabes Unidos -

Os Emirados Árabes Unidos, que também normalizaram suas relações com Israel recentemente, comemoraram a decisão do Sudão.

"É uma importante etapa para a consolidação da segurança e da prosperidade na região", segundo o ministério das Relações Exteriores, citado pela agência de imprensa oficial dos Emirados.

- Irã -

Inimigo jurado de Israel e dos Estados Unidos, Irã desdenhou da decisão anunciada na sexta-feira por Washington.

"O anúncio da Casa Branca sobre o Sudão não pode ser mais simbólico. Pague o suficiente, feche os olhos sobre os crimes contra os palestinos e será retirado de sua suposta lista negativa do 'terrorismo'. A lista é tão falsa como a luta dos Estados Unidos contra o terrorismo. Vergonhoso!", tuitou a chancelaria iraniana.

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