Acidentes com escorpião quadruplicam nos últimos dez anos

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Por Cristiane Bomfim, da Agência Einstein

No dia 24 de dezembro, uma menina de seis anos foi internada em estado grave em um hospital de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, após ser picada por um escorpião. Dez dias depois, em 4 de janeiro, uma idosa de 72 anos morreu na cidade de Amargosa, na Bahia, depois de sofrer um acidente com o aracnídeo.  Cada vez mais comum, o número de episódios com escorpiões no País quase quadriplicou nos últimos dez anos: passou de 40.287, em 2008, para 156.833 em 2018, segundo dados do Ministério da Saúde. E a tendência é que a média de 429 brasileiros picados por dia aumente nos próximos anos.

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A perspectiva é resultado da combinação das interferências feitas pelo homem no meio ambiente e as próprias características biológicas dos escorpiões. O avanço do desmatamento, a construção desordenada, a elevação da temperatura e a produção exagerada de lixo são condições que propiciam sua proliferação. Do ponto de vista biológico, a espécie Tityus serrulatus – conhecida como escorpião amarelo – tornou-se o protagonista dos acidentes que terminam em picadas por ter entre suas habilidades a fácil adaptação a todos os tipos de ambiente e sua reprodução ser por partenogênese (crescimento e desenvolvimento de embrião sem fertilização), já que só existem escorpiões amarelos fêmeas.

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A reprodução é rápida e pode gerar até 50 filhotes por ano. Por ser uma espécie oportunista que se favorece da atividade do homem, ele é o mais comum e pode ser encontrado tanto em bairros nobres quanto nos mais pobres. A composição química de seu veneno é altamente tóxica, e, por isso, é considerado um dos mais perigosos. “Como o escorpionismo (acidentes com escorpiões) é um problema complexo, não tem solução única”, afirma o biólogo Cláudio Maurício Vieira de Souza, do Instituto Vital Brazil, no Rio de Janeiro.

Como evitar

Escorpiões têm predileção por ambientes escuros, quentes, úmidos e que tenham insetos – especialmente baratas, alimento favorito do aracnídeo. Por isso, podem ser encontrados em subsolo de edificações, construções inacabadas, entulhos, terrenos baldios, cemitérios, forros, ralos e sótãos de casas, e os acidentes são mais comuns no verão.

O ideal é evitar ambientes assim, não acumular materiais de construção – com vigas, telhas, tijolos etc. – e manter a casa e quintal sempre limpos. “O importante é focar nos quatro “As”: acesso, abrigo, alimento e água”, ensina Cláudio de Souza. Para o Acesso, é preciso verificar como o escorpião chegou na casa: pela rua, pelo ralo, tem um terreno baldio próximo? A permanência do animal na casa só vai ocorrer se ele tiver onde se abrigar (como frestas de paredes, cantos de armário, entulho), alimento e água. “Evitar focos de umidade e manter as áreas limpas, sem restos de comida, incluindo a de animais, que possam atrair baratas, são fundamentais”, continua.

Onde buscar ajuda depois da picada

Quando o indivíduo é picado, deve procurar um serviço de referência com soroterapia para acidentes com animais peçonhentos, além de realizar a analgesia adequada. Os sintomas variam de acordo com o tipo de escorpião, a quantidade do veneno inoculada e massa corporal do paciente. Em crianças e idosos, os sinais são mais graves. “A dor da picada é muito intensa e o local pode inchar, ficar vermelho, além de pequenos tremores no local. Depois que o veneno entra na corrente sanguínea, ele pode causar aumento da temperatura, dor de cabeça, elevação da frequência cardíaca (arritmia) e falta de ar. O vômito é um indicativo da gravidade”, explica Fernando Gatti, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

O soro é um antidoto para o veneno e a quantidade recebida pelo paciente depende da classificação do tipo de acidente: leve, moderado ou grave. “Por isso é importante buscar um centro especializado imediatamente”, diz o médico do Einstein. A recomendação é que após o atendimento médico, os órgãos de saúde sejam comunicados sobre a presença do aracnídeo na região para que sejam adotadas ações de prevenção.  “Vale lembrar que o animal deve ser morto de forma mecânica, sem precisar entrar em contato físico com ele. Ainda mais porque o escorpião pode entrar em estado de tanatose por até 24 horas. Isso quer dizer que ele consegue se fingir de morto durante este período”, esclarece o biólogo do Instituto Vital Brazil. 

A lista de Serviços de Referência para atendimento de pessoas que tiveram acidentes com escorpiões está disponível no site do Ministério da Saúde, por ESSE LINK.

Fonte: Agência Einstein

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