Consórcio chinês é o novo proprietário do Milan

O clube de futebol AC Milan, um dos de maior prestígio da Itália e da Europa, a partir desta quinta-feira é propriedade de um consórcio de investidores chineses liderado pelo misterioso Li Yonghong.

Cerca de 30 anos depois do início da era de Silvio Berlusconi, marcada por 29 troféus - entre eles cinco da Liga dos Campeões -, o popular clube da capital econômica italiana foi adquirido por 740 milhões de dólares pelo grupo de investidores chineses Rossoneri Sport Investment Lux.

O novo dono do Milan, "Mister Li", como é chamado pela imprensa, deverá assumir a presidência do clube na sexta-feira durante uma assembleia de acionistas, na qual serão escolhidos os novos diretores.

Assim, o Milan fará parte da lista de times europeus com capital chinês, depois de seu adversário nos gramados, a Inter, e do Atlético de Madrid.

Para o clube "rossonero", inicia-se uma nova era, embora seja cheia de incertezas.

Símbolo desta situação é a recente declaração de Marcello Lippi, atual treinador da seleção chinesa, sobre os novos proprietários.

"Ninguém na China sabe quem são essas pessoas", disse o famoso diretor técnico, vencedor da Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, com a seleção italiana.

- Mister Li -

Sobre Li Yonghong, líder do grupo de investidores, sabe-se pouco. O empresário nasceu em 1969 na província de Guangdong e vive em Hong Kong desde 1994, segundo o site chinês Netease.

Ainda que não tenha participado nesta quinta-feira da assinatura oficial da venda no escritório de um importante advogado de Milão, se reunirá mais tarde para um jantar com o ex-chefe de governo italiano e magnata das comunicações em Arcore.

Em um comunicado conjunto, a Fininvest, holding de Berlusconi, e a Rossoneri Sport Investment Lux explicaram que "os termos do acordo são os mesmos que os estipulados em agosto" e que fixam o valor do Milan em 740 milhões de euros, incluindo a dívida da equipe, que corresponde a 220 milhões até 30 de junho de 2016.

Ambas as organizações reconhecem que 90 milhões de euros adicionais foram utilizados para cobrir gastos operacionais do clube desde julho de 2016.

Segundo o comunicado divulgado nesta quinta-feira, os compradores se comprometeram a fazer uma recapitalização significativa do clube e a injetar dinheiro para fortalecer sua estrutura financeira.

Atualmente, o Milan ocupa a sexta posição na tabela da Série A italiana, e nos últimos três anos acabou o campeonato em 8º, 10º e 7º, respectivamente, muito longe de suas grandes conquistas do passado.

Dois dias depois da venda oficial, os empresários chineses se enfrentarão no grande clássico entre os dois eternos rivais da capital da Lombardia.

A Inter, que passou para as mãos do grupo chinês Suning, contra o Milan, dois times históricos do futebol mundial que perderam um pouco de seu brilho.

Os problemas econômicos e a falta de investimento em contratações contribuíram para a decadência de ambos os clubes.

Para a nova direção do Milan tudo será um desafio, e por isso provavelmente irão recrutar como administrador Marco Fassone, ex-executivo de alto escalão da Juventus, do Nápoles e da Inter.

Durante os anos gloriosos de Berlusconi, o Milan contou com vários jogadores premiados com a Bola de Ouro (Gullit, Van Basten, Shevchenko, Kaká), foi oito vezes campeão da Itália e cinco vezes vencedor da Liga dos Campeões, sendo o último uma dobradinha em 1989-1990.

O futuro do clube é incerto, seu presente é entediante e será difícil competir com o passado, resumem os torcedores.