Abel x Diniz: técnicos despertam sentimentos parecidos, mas vivem estágios diferentes na carreira

Abel Ferreira e Fernando Diniz provocam sentimentos semelhantes (Foto: Montagem/Palmeiras/Fluminense)


Neste domingo, no Allianz Parque, Palmeiras e Fluminense se enfrentam pela quinta rodada do Brasileirão-2022. Nos bancos de reservas haverá um duelo à parte: Abel Ferreira x Fernando Diniz, personagens muito marcantes nos últimos anos de futebol brasileiro, que mexem demais com suas bases de fãs e "haters", mas que possuem trabalhos e resultados bastante distintos na carreira.


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Quando o assunto é Abel ou Diniz, a certeza é que haverá um grande grupo de amantes de um ou outro, e outras tantas que rejeitarão. Raros são aqueles que ficam no meio termo, o que também se assemelha ao que é a personalidade dos dois treinadores. Estudiosos do futebol e que não poupam palavras quando têm um microfone à frente ou estão à beira do campo.

Abel Ferreira já foi (e ainda é) acusado de retranqueiro e sem repertório pelos seus detratores, mas é aclamado por seus fã e seguidores, alguns até que já o consideram um dos grandes do futebol brasileiro. Diniz, por sua vez, atrai o amor daqueles apaixonados pelo futebol bonito, para a frente, trazendo os sentimentos mais puros do esporte. Enquanto do outro lado estão aqueles que torcem para dar errado somente para criticá-lo.

Nesse sentido, ambos estão muito perto, pelo sentimento de "amor" e "ódio" que provocam. No entanto, em relação às carreiras, a comparação nem existe. Enquanto um é bicampeão da Libertadores e consolida um trabalho de um ano e meio, o outro ainda vem tentando se firmar, com apenas duas Copas Paulistas e uma Série A3 do Paulistão. Fato é que será um duelo interessante de se ver.

Abel Ferreira: ídolo palmeirense e incontestável em seu cargo


Com aproximadamente um ano e meio de trabalho no Verdão, Abel Ferreira passou por momentos de altos e baixos no clube até chegar ao seu estágio atual. E pensar que nem mesmo os títulos foram suficientes para lhe dar crédito quando passou, em 2021, momento complicado, perdendo Mundial, Supercopa, Recopa e Paulistão.

Essa fase passou, os dirigentes abraçaram a ideia e garantiram a permanência do técnico, que seguiu trabalhando e desenvolvendo seus planos, que na grande maioria das vezes parece dar certo. Ele que já tinha uma Libertadores e uma Copa do Brasil, conseguiu levar mais uma Liberta, buscou uma inédita Recopa e um Paulistão.

Além de tudo isso, Abel Ferreira conseguiu melhorar o desempenho do time dentro de campo, conquistando de vez a torcida com seu estilo trabalhador, carismático, sério e contestador. A verdade é que o português aprendeu o que é o jeito palmeirense de ser. Mas quem não torce pelo clube, ainda tem resistência em reconhecer o trabalho.

De seus "haters", ele já sofreu todo tipo de ofensa, até sua mãe foi colocada no balaio. Mesmo com o melhor ataque do ano, fazendo jogos primorosos, Abel ainda é considerado um treinador retranqueiro e sem repertório. Por mais que não seja verdade, isso é fruto do quão passional tudo o que envolve o técnico português.

No outro lado, seus defensores estão sempre prontos para sair em defesa, o amor não é pequeno, a confiança idem. Abel hoje tem uma blindagem e uma consolidação do trabalho que lhe permite trabalhar e mostrar que há ainda uma grande margem de melhora. A tendência é que muitas emoções estejam envolvidas nos eventos até dezembro de 2024, quando se encerra seu contrato com o Palmeiras.

Fernando Diniz: uma nova chance em uma casa que o abraça

Sem o veterano Abel Braga, o Fluminense apostou em um velho conhecido para tentar mudar o ânimo. Em comum apenas ser brasileiro e já ter alguma ligação com o clube. Com um estilo de jogo diferente e próprio, Fernando Diniz tenta se consolidar no clube que mais conseguiu guardar algum carinho com a torcida. Favorito da diretoria depois de Cuca, o técnico foi abraçado pelos jogadores imediatamente após a saída do antigo comandante.

Contratado como um nome extremamente promissor em 2019, Diniz até fez o Flu ter um futebol mais vistoso, mas esbarrava na falta de resultados. Prezando pela ofensividade, compactação e posse de bola, o time tinha falta de regularidade, algo comum nos trabalhos do treinador. Fernando Diniz deixou o Fluminense com 44 jogos, 18 vitórias, 11 empates e 15 derrotas. Foram 71 gols marcados e 48 sofridos, tendo 49,2% de aproveitamento.

O primeiro trabalho depois foi pelo São Paulo, onde quase conquistou o título brasileiro. No entanto, uma série de episódios acabaram minando a relação. O clube vivia um período eleitoral e as críticas antes da votação feitas pelo presidente eleito, Júlio Casares, pegaram mal dentro do vestiário. Além disso, as eliminações no Paulistão, na fase de grupos da Libertadores, na Sul-Americana e na Copa do Brasil também desgastaram. A consequência foi a queda bruta no rendimento do Brasileirão e apenas o quarto lugar. A briga com Tchê Tchê foi a gota d'água para a saída.

No Santos, o treinador teve problemas para implementar o estilo já conhecido de jogo por conta da baixa qualidade técnica. A relação com os jogadores também foi incomodando e tudo isso culminou na saída. O último trabalho foi no Vasco, que já vivia uma situação dramática na Série B. Foram 12 jogos e quatro vitórias, num total de 41,6% de aproveitamento. Foi o terceiro técnico do Cruz-Maltino na competição e o que teve aproveitamento mais baixo.

Mas a chegada de Fernando Diniz ao Fluminense tenta marcar um novo momento do clube. Cambaleando na Sul-Americana e com apenas uma vitória no Campeonato Brasileiro, o time tenta reencontrar o bom futebol e a regularidade na empolgação pelo novo trabalho.

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