Abel rejeita individualismo ‘eu ganhei’ e ressalta importância de trabalho coletivo no futebol

LANCE!/NOSSO PALESTRA
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Abel Ferreira, que está de recesso em Portugal, após o término da temporada de 2020, concedeu entrevista ao programa Seleção SporTV, na tarde desta terça-feira (16). O treinador português comentou, entre outros temas, sobre a imprescindibilidade do trabalho coletivo no futebol para atingir êxito nos projetos.

Destacando algumas funções de auxiliares da sua equipe, o técnico do Verdão foi enfático ao falar sobre a relevância de cada um deles para o cotidiano do clube.

– Quando o bom treino é não treinar? Eu não treino os jogadores, eu treino homens. Trabalham 301 pessoas na Academia e minha equipe técnica foi crescendo neste sentido. Nós fomos crescendo conforme senti necessidade. Não consigo estar em todos os lados ao mesmo tempo. Então o João Martins é responsável na ligação com o NSP e DM, o Carlos Martins fica responsável pela análise da equipe e dos jogadores que chegam, o Victor Castanheira também, mais a ligação com a formação, e temos o Tiago, que é o analista dos adversários. Essa informação chega a mim de maneira que eu possa tirar as melhores conclusões. Eu trabalho com pessoas e, se eu tivesse escolher uma características, a gestão de recursos humanos tem um peso maior hoje, pela mídia. Eu tive um jogador que desistiu pela pressão da mídia – finalizou Abel, fazendo referência a Ramires, que rescindiu com o Palmeiras na metade da temporada por alegar problemas pessoais.

O treinador, que, desde sua chegada ao Palmeiras, buscou implementar uma mentalidade de trabalho conjunto, marcada na frase “todos somos um”, realçou a coletividade no processo esportivo, tanto nas vitórias quanto nas derrotas. Ele também debateu a responsabilidade excessiva atribuída aos técnicos em resultados bons e ruins.

– Há uma coisa que não gosto muito de ouvir. Não é “eu ganhei”. Por isso, quando mandam o treinador embora, eu não estou mandando ele embora, estou mostrando que o dirigente é incompetente. Não é só o treinador que é incompetente, é também quem escolhe. Não fui eu que ganhei. Quem decidiu em campo foram os jogadores. Quando eu cheguei, o elenco não era fraco como diziam, e hoje não é o melhor do mundo. Ele era bom, precisava de afinações, e hoje é igual. Foi um risco, mas tenho duas formas de pensar. Ou vou pensando que é difícil, ou encaro como um desafio. É difícil atravessar o atlântico, para um país que um português ganhou tudo. Nós ganhamos, muitas coisas ocorreram bem. Todos nós gostamos de um futebol lírico. Não existe só uma maneira de jogar, não tem só o jogo propositivo – afirmou o comandante português.

Puxando o gancho da sua última colocação, Abel explicou sua visão tática acerca do estilo de jogo posicional que, atualmente, tem sido uma temática com grande repercussão no mundo da bola devido à nova safra de treinadores que vêm adotando esse modelo.

– Sabe qual a equipe melhor faz o jogo posicional do Brasil? O Red Bull Bragantino. Precisa de tempo para perceberem que, às vezes, sem tocar na bola, podem jogar muito. O jogo posicional não é a única forma de atacar, o exagero torna as equipes previsíveis. Quando fui pra Grécia, senti dificuldades contra marcações individuais. Aqui, disse que precisamos engana-los. Se eu atacar uma equipe que defende em zona, preciso de um jogo posicional forte. Contra alguém que marca individual, se eu faço um ataque posicional, é muito fácil de marcar. Meus jogadores têm que correr o dobro, e se quiserem vir atrás de mim, abrem espaço – concluiu.

Com ideais inovadoras e muita humildade no discurso, Abel Ferreira tem sido elogiado pela postura e pelo conteúdo de suas entrevistas. O treinador ainda não tem data certa para voltar de Portugal, mas assim que retornar dá sequência ao trabalho de início de temporada do Maior Campeão Nacional.