Abel Ferreira desabafa e critica 'sensacionalismo da imprensa brasileira'

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SANTOS, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Palmeiras foi derrotado pelo Flamengo por 1 a 0 na tarde de deste domingo (30), no Maracanã (Rio de Janeiro), na estreia no Campeonato Brasileiro. Antes da partida, no entanto, uma entrevista do técnico Abel Ferreira roubou a cena, quando o português afirmou que "estava a espera de ser demitido". Após o duelo, em entrevista coletiva, o treinador português foi questionado sobre a frase e desabafou. Ele criticou a imprensa brasileira, a qual classificou como "sensacionalista", e afirmou ter ficado extremamente aborrecido por supostamente terem cortado o final de sua entrevista após a final do Campeonato Paulista.

"O que eu sinto sinceramente é que eu acho que o português de Portugal é diferente do português do Brasil. Eu acabei minha conferência de imprensa contra o São Paulo a dar os parabéns ao São Paulo, à equipe técnica do São Paulo, aos jogadores do São Paulo, mas ninguém passou isso", acusou.

Ele afirmou, ainda, que a declaração dada antes da partida foi dentro de um contexto da demissão do técnico Alberto Valentim, desligado pelo Cuiabá logo na primeira rodada do torneio nacional.

"Vocês aqui, ou alguma imprensa, porque não posso meter tudo no mesmo saco: há alguns que são sérios e verdadeiros, que passam a mensagem correta, tudo aquilo que eu digo, e eu disse que sou responsável por aquilo que eu digo, não pelo que os outros escrevem. Portanto, eu sei que para nós termos cliques na minha página, no meu blog, no meu programa de televisão, tenho que ser sensacionalista, tenho que ser dramático, mas vem tudo no contexto dessa pergunta: se tinha algo que eu estava chateado com as críticas ou tinha algo contra o futebol brasileiro e eu disse que não", completou.

A postura abertamente crítica de Abel não é novidade. Diversas vezes o técnico português reclamou do calendário brasileiro e, depois, afirmou que não teceria mais comentários, pois mais alguém do clube também precisava falar.

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Confira o desabafo de Abel Ferreira na íntegra:

"O que eu sinto sinceramente é que eu acho que o português de Portugal é diferente do português do Brasil. Eu acabei minha conferência de imprensa contra o São Paulo a dar os parabéns ao São Paulo, à equipe técnica do São Paulo, aos jogadores do São Paulo, mas ninguém passou isso. Cortaram. Acho que meu português é diferente, tenho que começar a falar mais devagar porque entendem mal. Volto a falar nesta pergunta: o contexto da pergunta que foi feita foi se estava chateado com as críticas do futebol brasileiro e eu contextualizei e disse que estou grato ao futebol brasileiro, porque foi aqui que ganhei meus primeiros títulos. Até aqui, os clubes que eu havia treinado tinham sido de média dimensão. PAOK é um grande clube. Quando cheguei eu disse que para juntar títulos a minha carreira teria que treinar grandes clubes como é o Palmeiras. Na sequência veio ainda hoje, na primeira jornada, uma demissão de um treinador, que para mim é... eu, dentro dessa perspectiva, como eu ainda não fui despedido, foi só isso que disse, que ainda não tinha sido despedido até a data de hoje. Procuro continuar a dar o meu trabalho, ainda na última conferência de imprensa fui muito claro, que estou em grande clube, com grandes jogadores, que oferece todas as condições para nós triunfarmos, mas tenho pena que vocês aqui, u alguma imprensa, porque não posso meter tudo no mesmo saco: há alguns que são sérios e verdadeiros, que passam a mensagem correta, tudo aquilo que eu digo, e eu disse que sou responsável por aquilo que eu digo, não pelo que os outros escrevem. Portanto, eu sei que para nós termos cliques na minha página, no meu blog, no meu programa de televisão, tenho que ser sensacionalista, tenho que ser dramático, mas vem tudo no contexto dessa pergunta: se tinha algo que eu estava chateado com as críticas ou tinha algo contra o futebol brasileiro e eu disse que não, sou um melhor treinador hoje, mas sou a mesma pessoa, sou mais valorizado hoje, mas sou a mesma pessoa. E portanto, vou continuar a fazer o nosso trabalho. Ainda ontem estava vendo um grande jogo e vi um dos melhores treinadores do mundo ficar em segundo lugar e beijar a medalha porque sabe perfeitamente o trabalho que custa chegar às finais. Agora, a imprensa é muito sensacionalista, é preciso contextualizar onde é que foi dito. Mais que essa pergunta, eu fiquei extremamente aborrecido porque não passaram meus últimos 30 segundos da conferência de imprensa após ter perdido o Paulista contra o São Paulo. Só pode ser de má fé, ou não sei, não sou eu que controlo. O que posso dizer é que procuro falar aos meus jogadores que tudo que vem fora nos torna mais fortes, elogios ou críticas."