A vida é feita de escolhas e hoje eu escolhi sair, diz Teich

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Ex-ministro Nelson Teich falou em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (15), no auditório do Ministério da Saúde. (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)
Ex-ministro Nelson Teich falou em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (15), no auditório do Ministério da Saúde. (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

Em um curto pronunciamento, o ex-ministro da Saúde Nelson Teich deixou o Ministério da Saúde sem esclarecer os motivos de sua demissão. “A vida é feita de escolhas e hoje eu escolhi sair”, disse ele, em uma fala que durou menos de 10 minutos, na coletiva de imprensa de anúncio de sua demissão do governo de Jair Bolsonaro, na tarde desta sexta-feira (15), no auditório do Ministério da Saúde, em Brasília.

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A demissão de Teich foi concretizada nesta manhã após uma reunião com o presidente, fechando sua passagem com menos de um mês no cargo. Essa já é a segunda troca no Ministério da Saúde em meio à pandemia do novo coronavírus, que soma 202.918 casos confirmados de infectados pelo coronavírus no Brasil e 13.993 mortes. Antes dele, Luiz Henrique Mandetta já havia sido demitido no dia 16 de abril, após um processo de fritura.

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Na coletiva, Teich pregou uma união entre governos federais, estaduais e municipais no combate à Covid-19. Ele fez questão de agradecer à oportunidade dada por Bolsonaro, mas deu destaque ao papel dos gestores estaduais e municipais, lembrando que é fundamental a união.

A missão da Saúde é tripartite. Envolve Ministério da Saúde, o CONASS (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), o CONASEMS (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), secretários estaduais e municipais. E isso é uma coisa que é muito importante deixar claro, o Ministério da Saúde vê isso como algo absolutamente verdadeiro e essencial para conduzir a saúde desse país, tanto na parte estratégica como na parte de execução. Esse é o momento em que o país inteiro luta pela saúde, pelo Brasil.

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RACHA POR CLOROQUINA E ISOLAMENTO

Teich já havia manifestado a dificuldade de conciliar os desejos de Bolsonaro sobre o uso de cloroquina e hidroxicloroquina, além da flexibilização do isolamento com o que é possível fazer dentro dos recursos disponíveis no país e o que preconiza a ciência. A saída de Mandetta também ocorreu pela resistência na indicação indiscriminada da cloroquina e na flexibilização do isolamento social

Nesta semana, Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada, avisou que ia alterar hoje o protocolo de uso da cloroquina no combate ao coronavírus. Ele afirmou que “é direito do paciente” decidir sobre o seu tratamento e defendeu o uso da droga “desde o começo”.

Atualmente, a recomendação do Ministério da Saúde é que o medicamento seja usado no tratamento de pacientes em casos graves da Covid-19. A indicação constava em protocolo publicado pelo ministério ainda na gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. Até o momento, não houve nenhuma pesquisa ou estudo que comprovasse o efeito positivo e indiscriminado da cloroquina no tratamento da doença.

Teich foi criticado nos últimos dias também por gestores estaduais e municipais por diretrizes para orientar a flexibilização do isolamento social.

SUBSTITUTO

A saída de Teich abriu, novamente, uma corrida ao cargo de ministro da Saúde. As apostas indicam que o novo nome, ainda não escolhido, deverá ser alinhado às ideias de Jair Bolsonaro: favorável ao isolamento vertical, e favorável ao uso da cloroquina.

Até agora, são três os nomes cotados para assumir o ministério da Saúde em meio à guerra contra a Covid-19: general Eduardo PazuelloNise Yamaguchi e Osmar Terra. Confira o perfil dos três cotados para a vaga.

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