'A verdade vencerá': tinha certeza de que esse dia chegaria e ele chegou", diz Lula

Ana Paula Ramos
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Ex-presidente Lula
Ex-presidente Lula (Foto: Edilson Junior/ Instituto Lula)

Em pronunciamento nesta quarta-feira (10), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sempre teve certeza de que a verdade venceria e que esse dia chegou.

"Faz quase 3 anos que sai da sede desse sindicato pra me entregar na sede da PF, contra minha vontade, porque sabia que estavam prendendo um inocente. Muitos queriam que eu não fosse, mas não seria correto um homem da minha idade, com a construção da minha história, aparecer na capa dos jornais como fugitivo. Como tinha certeza da minha inocência, queria provar isso de dentro da prisão. Antes de ir, tínhamos escrito um livro 'A verdade vencerá', porque tinha certeza que esse dia chegaria e ele chegou", disse.

“Fui vítima da maior injustiça em 500 anos de história. Eu sei que minha mulher foi vítima da pressão, e o AVC se agravou por isso. Fui proibido de visitar meu irmão dentro de um caixão. Se tem um brasileiro com direito de ter mágoa, sou eu, mas eu não tenho”.

“A dor que eu sinto não é nada, diante da dor que sofrem milhões e milhões de pessoas, é muito menor que a dor que sofrem quase 270 mil pessoas que viram seus entes morrer e sequer puderam se despedir dessa gente, dar o último olhar na pessoa que a gente ama”.

Lula ainda criticou o presidente Jair Bolsonaro.

"Presidente não é eleito para falar besteira, divulgar fake news, incentivar armas. Quem precisa de armas é o nosso Exército, nossa polícia, não é a nossa sociedade".

"Não sigam nenhuma decisão imbecil do presidente ou do ministro da Saúde. Tomem a vacina, porque a vacina é uma das coisas que pode livrar você do covid", disse Lula ao afirmar que vai se imunizar contra a covid.

O ex-presidente também acusou o ex-juiz Sérgio Moro de parcialidade e de falta de provas na sua condenação.

"Contra o Lula não precisava de provas".

"Depois de tanta mentira contra mim, pela primeira vez a verdade prevaleceu. Dita não por alguém do PT, mas dita pelos ministros do STF Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e até Carmén Lúcia".

"Vamos insistir na suspeição do Moro. Ele não tem direito de ser o maior mentiroso da história do país e se transformar em herói".

Lula realiza nesta quarta-feira (10) seu primeiro pronunciamento após decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou todas as condenações envolvendo as investigações da Operação Lava-Jato.

A fala pública do ex-presidente acontece no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, seu berço político, mesmo local em que falou a apoiadores momentos antes de ir para a prisão em Curitiba, em abril de 2018.

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Na segunda-feira (8), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, anulou todas as condenações do petista pela Justiça Federal no Paraná relacionadas às investigações da Operação Lava Jato.

Ao decidir sobre pedido de habeas corpus da defesa de Lula impetrado em novembro do ano passado, Fachin declarou a incompetência da Justiça Federal do Paraná nos casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e das doações ao Instituto Lula.

Aliados do presidente Jair Bolsonaro comemoraram, nos bastidores, a decisão que restabelece os direitos políticos do ex-presidente, por considerarem Lula o "opositor ideal" na eleição de 2022.