A Fuga das Galinhas: por que o clássico da animação é chamado de "marxista"

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Cena de A Fuga das Galinhas (reprodução)
Cena de A Fuga das Galinhas (reprodução)

A Fuga das Galinhas vai ganhar uma continuação na Netflix. Em anuncio realizado no Twitter nesta terça-feira (23), a plataforma de streaming confirmou a produção de um segundo filme com Ginger e Rocky em parceria com a Aardman Animations.

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"Notícias das aves: Exatamente 20 anos depois do lançamento do filme original, podemos confirmar que haverá uma sequência de 'A Fuga das Galinhas' na Netflix! Feita pela Aardman Animations, a produção começa no começo do ano que vem", disse a plataforma.

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A animação até hoje é lembrada por dois fatores igualmente importantes: ser a produção em stop-motion com mais bilheteria na história (US$ 224 milhões arrecadados) e pela temática tida por muitos como "marxista".

O desenho é tão comunista assim? (Com spoilers)

Para muita gente, sim. E evidências não faltam para isso. Comecemos pelo roteiro: a Fuga das Galinhas mostra uma pequena granja em Yorkshire, no Reino Unido, onde galinhas são exploradas para o lucro dos patrões, o senhor e a senhora Tweedy. As que não conseguiam botar ovos diariamente eram mortas.

Em uma comparação fácil, as galinhas, portanto, são vistas como uma alegoria para funcionários explorados em péssimas condições de trabalho no capitalismo. E isso tem tudo a ver com as ideias defendidas pelo filósofo alemão Karl Marx em sua vida e obra.

Segundo Karl Marx, a partir da revolução industrial, datada entre os séculos XVIII e XIX, o trabalho deixou de ter o objetivo de arcar com o essencial e o bem-estar, transformando-se em modo de obtenção de lucro e manutenção dos privilégios da burguesia.

Tal cenário é perfeitamente visto na obra: com o lucro concentrado nas mãos dos Tweedy, as galinhas são privadas de liberdade, obrigadas a realizar as mesmas tarefas diariamente, sem contato com o que produzem - nos livros de Marx, essa condição de fazer parte do processo e desconhecer o produto final, inclusive, é explicada pelo conceito de alienação.

A situação piora quando os patrões descobrem uma forma de ganhar mais dinheiro: uma máquina de produção de tortas de frango. Com a aquisição do equipamento, a ideia do negócio muda, os ovos não importam mais e as galinhas vão para o abate de qualquer maneira.

Quem é um pouco familiarizado com as ideias de Marx já está com um sorrisinho no rosto: a iniciativa dos Tweedy explica a mais-valia (a diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador), conceito que defende que a base do lucro da burguesia não é exatamente o trabalho, mas o controle dos meios de produção.

Para a alegria da turma vermelha, o filme termina em luta de classes. Percebendo a única maneira de acabar com o sofrimento é fugir da granja, Ginger bola um plano nada sofisticado para pular um muro. A iniciativa vai ao encontro de um dos argumentos mais famosos de Marx, aquele que diz que não haverá justiça social enquanto a classe dominada não se unir contra os capitalistas.

Além disso, o filme ainda mostra uma forte ideia feminista, mostrando mulheres no comando de uma revolução - e sem perder a consciência de classe, afinal, a senhora Tweedy não deixa de ser vista como causadora de todo aquele sofrimento. Por tudo isso, esperamos coerência das galinhas na continuação. Serão elas capazes de construir um santuário socialista longe da dominação humana?

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