A caminho da sétima Copa, recordista Formiga ainda sente “frio na barriga"

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A inoxidável Formiga vai para sua sétima Copa (Assessoria CBF)
A inoxidável Formiga vai para sua sétima Copa (Assessoria CBF)

Miraildes Maciel Mota, mais conhecida como Formiga, já é uma recordista em termos de participações na Copa do Mundo. A caminho de sua sétima edição, a baiana de 41 anos já deixou para trás a japonesa Homare Sawa, que jogou seis Mundiais antes de se aposentar, além do alemão Lothar Matthäus, dos mexicanos Rafael Márquez e Antonio Carbajal e do italiano Buffon, todos com cinco convocações no currículo. Apesar de toda a experiência, a veterana admitiu ainda sentir frio na barriga com a expectativa de vestir a camisa verde e amarela mais uma vez.

"Sem dúvida [sinto], sempre. Essa chama não vai se apagar. Quando esse frio na barriga não existir mais, é porque acabou a vontade e o tesão de estar atuando”, afirmou a jogadora antes do embarque para a Portugal, onde a seleção brasileira fará a fase final da preparação para o torneio na França, que começa no dia 7 de junho.

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Formiga só não participou da primeira edição da Copa do Mundo Feminina, criada pela Fifa em 1991, mas jogou todas as edições desde 1995. Dos Jogos Olímpicos, participou de todos desde a inclusão da modalidade, em 1996, e soma duas pratas olímpicas e um vice na Copa. Aos 41 anos de idade, sendo 24 de seleção, a inoxidável meio-campista segue como titular — e acaba de renovar seu contrato com o Paris Saint-Germain até 2020.

Ela é de outro planeta”, costumam dizer as companheiras.

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A meio-campista chegou a anunciar a aposentadoria da seleção em 2016, após a Olimpíada em que o Brasil foi eliminado nas semifinais ao perder nos pênaltis para a Suécia, mas voltou atrás em 2018, pouco antes da Copa América, após um longo trabalho de convencimento por parte de Vadão.

“Antes mesmo de acabar a Olimpíada ele tinha conversado comigo, pediu para que não parasse, que não deixasse seleção. Eu já estava decidida, independente de quem ia assumir depois, e foi até surpresa para nós a entrada da Emily logo depois. Quando ele retornou, me chamou para conversar e disse: ‘você não pode parar agora. O futebol feminino ainda precisa da sua ajuda, você ainda é uma garotinha. Fez uma lavagem cerebral na minha cabeça”, brincou a baiana, que decidiu voltar por receio de ver a seleção fora do Mundial e da Olimpíada.

“Não tive como recusar. Voltei e estou feliz de poder ainda estar ajudando."

Avessa a entrevistas, “Fu”, como é carinhosamente chamada, lembrou dos anos de luta pela modalidade e se mostrou contente com a evolução e o aumento do interesse do futebol feminino, embora reconheça que isso implica em maior cobrança por boas atuações e resultados.

"Quando comecei era bom, não tinha tanta visibilidade, a cobrança era menor. Tinha menos entrevista, por isso fujo de vocês”, riu. “É uma coisa que posso lhe dizer que eu sonhava muito [com crescimento do futebol feminino]. Continuo sonhando. Mas sem dúvida a responsabilidade aumenta, e nada disso vai valer se a gente não tiver empenho no Mundial”, avaliou.

Formiga falou sobre as expectativas do público e avaliou que conquistar o ouro inédito em sua última Copa ao lado de Marta e Cristiane seria a melhor maneira de sentir que sua persistência, a luta pela modalidade e as dificuldades enfrentadas ao longo de mais de duas décadas não foram em vão.

O impensável, na visão da atleta, seria uma eliminação na fase de grupos, mas alcançar as semifinais já a deixará com sensação de dever cumprido.

"Às vezes as pessoas dizem: 'o empenho certo é vocês trazerem o caneco'. Mas a gente sabe das dificuldades, as coisas não estão às mil maravilhas. Acho que a gente chegando até uma semifinal, como já chegamos, é de uma grande conquista para o futebol feminino. O que não podemos fazer de maneira alguma é colocar na cabeça que vamos voltar na primeira fase. Isso jamais, não existe”, projetou. "A gente tanto lutou e pediu tanto para que houvesse essa visibilidade toda, mas mesmo em meio à desconfiança, tem que fazer nosso papel.”

Mesmo ciente das dificuldades que o time de Vadão enfrentará, ainda mais diante da sequência de nove derrotas consecutivas, a jogadora acredita que o time terá capacidade de “virar a chave” e surpreender no Mundial.

“Claro que essas derrotas nos deixam inseguras, mas acho que temos que esquecer. A derrota realmente ensina muita coisa. Dificuldade a gente já enfrenta há muitos anos”, lembrou a jogadora. “Agora com as selecionadas vamos sentar e conversar. A gente precisa virar a chave, realmente mudar a situação. Acredito que vamos surpreender mesmo com tanta insegurança, vamos recuperar a confiança e melhorar muito.”

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